Colunistas - João Saraiva

Estádio do Dragão - 1ª vez

Como escreve a Mónica Santos n'O Jogo:
"Uma casa nova é um corpo estranho. Sedutor, pelo estado imaculado de todas as peças, mas estranho, porque tudo o que somos está noutro sítio, noutras paredes que ficaram vazias, embora impregnadas de nós."

Sinceramente, 19 horas depois de ter entrado no estádio ainda não sei definir o meu estado de alma, vai desde a saudade, passa pela desilusão, entra na euforia (mas muito pouco) e fica à espera das próximas entradas no Dragão para mais conclusões.

Quando lhe deram o nome de 'Estádio do Dragão' disse sempre cá para mim que o nome não ia entrar facilmente no meu vocabulário, mas a primeira conclusão que tiro de ontem é que não consigo chamar-lhe 'Antas'. As 'Antas' ficarão eternamente como um mito, este passou a ser definitivamente o 'Dragão'.

Embora perceba a necessidade de construção de um novo estádio (fundamentalmente com o enquadramento na cidade que este tem) nunca fui um grande entusiasta da sua construção. Pessoalmente, nunca deixei de ir às 'Antas' porque estava a chover, porque estava frio, porque tinha de deixar o carro longe, porque tinha de andar a pé 1 Km, ... Por isso acho engraçado comentários do tipo: "O estacionamento é só para os VIP's" (mas por acaso alguém estava à espera que houvesse 50 mil lugares de estacionamento?, devemos é exigir dos STCP's mais frequência nos autocarros e no futuro usar o metro.), "Afinal vamos continuar a suportar o frio" (mas por acaso estavam à espera que o Porto por milagre passasse a ser uma cidade tropical?). Para mim, quem quiser mordomias que fique em casa e veja na TV.

As minhas expectactivas viraram-se mais para:
- a capacidade de entrada e escoamento do estádio (gostei);
- espaços interiores (gostei);
- espaços exteriores (gostei);
- bancadas (para quem tem 1,90 dava jeito que o espaçamento entre filas fosse maior, cada vez que alguém queria passar lá tinha que me levantar, não houve aqui nenhuma evolução das 'Antas' para o 'Dragão');

- ligação bancadas-relvado - não gostei muito, falando da minha bancada (B): a inclinação é menor que nas 'Antas' originando que a bancada fique num plano mais horizontal na relação com o relvado, retirando alguma capacidade de análise global (vai ser mais difícil analisar foras de jogo, definição dos limites da grande área (fundamentalmente da que fica mais afastada (norte)), pode ser que tudo não passe por uma questão de habituação, mas gostava mais de uma solução tipo Arena de Amesterdão (em que entre as bancadas e o relvado existe uma elevação de uns dois metros, elevando assim as bancadas e dando uma melhor visão do relvado);

- relvado (não gostei, embora já estive à espera que o seu estado não fosse famoso, nunca pensei que estivesse tão mau).

Outras valências que sendo secundárias já que lá estão aqui vai o comentário:

- Bares (são em bom número, mas não estavam preparados para a inauguração. Foi uma lástima, passar uma hora na fila para chegar lá e só existirem bifanas (e de péssima qualidade diga-se de passagem, as da "Casa Ferraz" são bem melhores);

- Caixotes de lixo (pequenos e poucos) o que originou que a zona dos bares ficasse uma autêntica lixeira. E ainda por cima não havia uma única pessoa de limpeza que fosse fazendo limpando a zona;

- WC - urinar para uma lata não é propriamente o meu sonho de criança, a ausência mais uma vez de caixotes de lixo, o papel que o pessoal usava para limpar as mãos depois ia para o chão. E a falta de civismo do pessoal que não respeitava a porta de entrada e de saída, criando problemas acrescidos para entrar e sair, embora se existissem mais uma ou outra casa de banho não era mal;

- Pelo menos sabemos que o 'Dragão' não é lampião, já que no 'E quem não salta é lampião", embora na bancada B não houvesse muita gente a saltar, aquilo tremia pra caraças.

E mais havia para dizer, mas fica para a próxima que agora vou ali ao Carpa comer uma bifana como deve ser (para esquecer a que ontem tive o desprazer de comer lá da dita 'Cascata').