Opinião no Portal dos Dragões

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JC - Estávamos no final dos anos 70 e no início de uma revolução azul no futebol Português, que nunca mais foi o mesmo. Acabinho de chegar a Portugal, não teve dificuldade em distinguir a onda medíocre e decadente de uns, e o irrestível espírito de conquista do FC Porto. Desde então, defende intransigentemente o seu clube, detesta engenheiros de obra feita e nunca dará tréguas aos inimigos do FC Porto.


Quem paga o Prediger? O Cartagena não será! - 28-01-10

O FC Porto acabou de anunciar o empréstimo de Prediger ao Boca Juniors, que regressa ao seu país depois de 6 meses em que quase não apareceu na equipa. As reacções são as do costume: contratações caras que depois não rendem, discute-se apaixonadamente se a culpa é da SAD ou do treinador, e depois ainda temos de aturar «wrap-ups» televisivos dos habituais «experts», quando a coisa já está mais do que requentada na praça pública.

Depois temos os «tesourinhos» irresistíveis nos jornais, em que vemos uma correspondência óbvia em pareceres (não dá para mais), o que não vemos é os mesmos «desabafos» relativamente a outros casos, noutros clubes.

Refiro-me em particular a um artigo do Sr. Rui Sousa, de um jornal desportivo da capital, que começa por nos relembrar que acabamos de nos ver «livres» de Bolatti e já estamos a reciclar outro, com um empréstimo em que todos os encargos continuam do nosso lado.

Tomaram muitos ver-se «livres» de Bolatti como nós. O jogador também ele era elogiado na Argentina, tinha sido desejado por clubes espanhóis, mas acabou por vir para Portugal. Por um valor abaixo de 2 milhões de euros, acabando por render mais de 4 milhões. Tomaram muitos, Sr. Rui Sousa.

Não se perde a ocasião para por em causa a «máquina dos empréstimos», que muitos já identificaram como uma «ameaça», uma vez que teoricamente o FC Porto consegue aí algumas vantagens, entre outras o relacionamento que mantém com a maior parte dos clubes em Portugal. Algo que não será bem visto por todos os que preferiam ver-nos «isolados»...

Geralmente acabam a pegar na questão dos encargos, escamoteando aos leitores que no FC Porto há empréstimos bem proveitosos e que ajudam a compensar outros custos. E que mesmo com uma série de jogadores emprestados, o custo que representam é irrisório num clube que tem o orçamento que o nosso tem. É uma questão de grandeza e da estratégia a seguir para atingir os seus sempre altos objectivos. Cada um com os seus...

E atenção, não estamos a falar de um empréstimo aqui para o um clube do burgo. É um activo de custou 3.3 milhões de euros e que é emprestado ao Boca Juniors. Se calhar o Sr. Rui Sousa deveria apontar a «mira» para um tal de Balboa, que está cá há mais tempo, que foi mais caro do que Prediger e que acaba emprestado a um qualquer Cartagena da 2ª divisão Espanhola.

Sr. Rui Sousa, mais uma vez, é uma questão de escala, de grandeza, de excelência de processos. Uns lidam com Boca Juniors, outros com Cartagenas. Se o Prediger vai ter uma história parecida à do Bolatti? Ninguém sabe. Mas não será a emprestá-lo a Cartagenas, de certeza...