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Rangel - Move-se pela causa FC Porto, como se de uma religião se tratasse! De Coimbra a Luanda, leva a imensa chama do Dragão.


Tempo de reflexão! - 25-03-10

A onda de tristeza que se abateu sobre o universo Portista, é a prova evidente que o grau de exigência do adepto Tetracampeão é altíssimo e incomparável! Mérito para todos aqueles que contribuíram sem excepção e que tornaram vitoriosas e retumbantes as épocas antecessoras à presente.

Quando as coisas não correm bem, torna-se fácil dizer mal e logo se atribuem responsabilidades quer à administração da SAD, quer à equipa técnica. Sabemos que haverá imputações e elas terão que ser repartidas e divididas, mas em três partes iguais: a primeira, pela administração da SAD, que está ligada directamente à política de contratações da equipa profissional de futebol, a segunda à equipa técnica, responsável por implementar um fio de jogo e gerir a massa humana que são os jogadores e a terceira, a estes mesmos, que são dentro das quatro linhas os seus intérpretes. Fora do âmbito da responsabilidade do clube, torna-se importante salientar que terceiros têm obviamente uma importância capital e por vezes decisiva na atribuição e na conquista dos títulos das diferentes competições.

Neste momento, o tempo é para reflexão e de análise profunda no seio daqueles que gerem o futebol profissional do clube. Quem conhece esta casa, saberá muito bem que a nova época já está a ser planeada ao pormenor. No entanto, temos ainda uma taça de Portugal para conquistar e o mínimo que se pede, é que lutem por ela e que a vençam.

Falando directamente da política interna do clube e gestão da SAD e para que não se voltem a repetir situações idênticas às que aconteceram esta época, urge perceber sobretudo duas situações:

- A primeira tem a ver com a política de contratações, e o constatar que com o desenrolar das competições, o clube afinal não se apetrechou devidamente e não soube colmatar a saída de jogadores importantes e que abandonaram o clube no final da época anterior apenas com o objectivo de desafogo financeiro da SAD. Torna-se visível que a posição ocupada pelo Lucho não foi devidamente preenchida, pois é por demais evidente a falta de um patrão no meio campo, que alimente todo o ataque portista. Se estaria este lugar reservado para o Raul Meireles, penso que tal redundou num fracasso tremendo. Outro jogador nuclear, que é o Fernando e que fez esquecer definitivamente Paulo Assunção, no miolo do terreno e na posição de trinco, é estranho que administração juntamente com a equipa técnica não tivessem estudado uma solução alternativa e alguém que o pudesse substituir em caso de lesão ou simplesmente para poder melhor gerir a sua condição física ao longo da presente temporada. Com a perda deste jogador numa altura crucial da época, onde quase tudo se decidia, ficou bem patenteado a sua primordial importância. Não haverá jogadores com o mesmo nível, nem o FC Porto pode dar-se ao luxo de ter dois com a mesma qualidade para cada posição do terreno, mas não se compreende que estas duas posições, que penso nucleares, pois ambas marcam as transições defesa--ataque, não tivessem sido por parte dos responsáveis portistas tratadas convenientemente.

- A segunda, diz respeito aos índices físico e anímico dos jogadores. Não se consegue compreender a onda de lesões que se abateu sobre todo o plantel, e torna-se estranho a quantidade de lesões graves, muitas delas debeladas apenas com recurso a operações cirúrgicas.

Apesar de tardio, os jogos em que aplicámos chapa cinco quer ao Sporting para a taça de Portugal, quer ao SC Braga, para o campeonato, estabeleceu definitivamente, aquele que se pensava ser o pico de forma anímico e físico de toda a equipa. Tardiamente ou não, nessa altura estávamos presentes em todas as competições e o atraso de 6 pontos no campeonato nacional, mantinha intacta a esperança na sua conquista. Não se compreende a forma como isto se transformou do dia para a noite e a equipa entrou num colapso inacreditável, impotente e sem capacidade psicológica para inverter tal situação e reagir às adversidades constantes que lhe aconteciam dentro das quatro linhas.

Falando de terceiros, não poderemos dissociar uma época menos boa, com toda a vigarice orquestrada pela Liga, quer pelo Conselho de Disciplina, quer pelo Conselho de Arbitragem. Em jogos fundamentais onde a equipa jogou o suficiente e em alguns deles com possibilidade até para golear, teremos que atribuir obviamente demérito e responsabilidades aos nossos jogadores, pelos falhanços e pelas inúmeras bolas enviadas ao travessão, mas não é por demais recordar o quanto é importante que um arbitro assistente considere válido um golo limpo que entrou na baliza contrária, ou que o arbitro principal em cima de um lance de jogo não assinale um penaltie por demais evidente e prefira fazer vista grossa apenas para beneficiar concorrentes directos.

Tal como parafraseava alguém: “ o mais importante são os lugares na liga”! De facto este senhor tinha razão. Sem tirar mérito à construção de uma equipa bastante mais competitiva do que em épocas anteriores, o “clube do estado”, apetrechou-se, pois não fosse o diabo tece-las e a ajuda do Dr. Hermínio e Dr. Costa insuficiente, para triunfarem como já tinha acontecido na época 2004-2005, na altura com protagonistas semelhantes ao leme da liga de clubes. Desta vez tiveram que pensar um pouco mais alto e bem, como se fosse ou vai ou racha! Com dinheiro sabe-se lá donde, para um clube que ainda há pouco tempo andava a mendigar à sociedade civil e aos políticos, seria extremamente importante alargar a frente de batalha, pois esgrimir dentro do terreno de jogo com o Tetracampeão nacional e apenas com as armas de jogo não se afigurava fácil e seria necessário fazer algo mais.

Contra este conjunto de factores será difícil lutar no futuro e só acredito que tal possa mudar quando houver isenção nos órgãos que regem todo o futebol profissional. Aí, o mérito irá todo para equipa que jogar melhor dentro das quatro linhas! É tão evidente e tão escandaloso que até a frase “o futebol está podre…” tão em voga em anos anteriores tenha sido tirada este ano do léxico dos paladinos da moral e jornaleiros frustrados e sedentos da capital, que apenas se preocupam que o rumo vitorioso se transfira para sul e para o clube dos seus corações, seja a que custo for.

Importante como refazer uma estrutura vencedora dentro do seio do nosso clube, é imperioso que haja uma liga de clubes gerida com independência e que a sua sede na invicta cidade do Porto não sirva de arremesso para as vitórias que alcançaremos no futuro. Neste momento a sede está lá, mas é comandada como o resto do Pais: pela capital do Império!