Opinião no Portal dos Dragões

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Tsah - Geneticamente Portista. Alguém que um dia percorreu 1300 km, num só dia, para ver (e não viu) um jogo do FC Porto, porque acabou na cama de um hospital, poli-traumatizado. Em coma profundo. Quando despertou era campeão nacional. Dezanove anos depois...


Aprender com as derrotas - 14-04-10

Ganhar sempre é uma missão impossível. Muitos vencedores deixam de aprender, até as grandes potências caem da noite para o dia.

A destruição da criatividade é a fórmula do derrotado: observa quem ganha, melhora o que ele faz e derrota-o. Quem vence continua fazer o mesmo e o raciocínio é óbvio: se tudo lhe corre bem, para quê mudar? Não sabe que se não continuar a trabalhar e a aperfeiçoar-se, fará parte da lista dos perdedores de amanhã.

Quando finalmente prova o sabor da derrota, aparece a frustração, o medo, a depressão, a baixa auto-estima, nega as suas responsabilidades, desculpa-se. Quanto maior for o êxito, maior o temor à queda. E porquê? Porque não aprendeu a perder.

O valor mede-se nas adversidades, não quando se ganha. A vitória, como todos sabemos, tem muitos e variados pais, a derrota é e será sempre órfã. A resiliência – a capacidade de nos tornarmos fortes na adversidade - é a carta maior no baralho dos perdedores.

Num perdedor, a reacção habitual é resignar-se ou maldizer. O positivo seria aprender com a derrota, conhecer as suas causas, o que implica [inevitavelmente] fazer comparações com quem vence. A história está cheia de derrotas afortunadas: Lincoln perdeu 49 eleições antes de ser presidente dos Estados Unidos. Errar também é matéria-prima. Fleming “chegou” à penicilina vendo como os fungos contaminavam as suas placas. Ao cair apoiamos-nos no sítio em que caímos. Assim sendo, a dificuldade inventa a solução. A ostra transforma em ganho o grão de areia que se filtra no seu organismo, produzindo a jóia que todos admiramos: a pérola.

Aprender a perder é um acto de inteligência porque na vida também provamos, muitas vezes, o pó da derrota. Na economia do conhecimento não há lição mais barata: responder clarificando os valores, sendo mais eficiente, mais competitivo, tirando partido dos recursos ao nosso alcance.

Quando perdemos, as melhores armas a utilizar será a racionalidade e o discernimento, o que nos trará sempre bons resultados. As crises são batalhas cruciais. Um mau derrotado nunca as vence.

As grandes derrotas acarretam grandes prejuízos e conservar o que se tem entre as duas orelhas (o capital intelectual e a capacidade de aprender) é primordial. A sabedoria alia o conhecimento à experiência e cresce com os desafios, e derrotas, da vida, seja ela particular ou desportiva.

"Para o ano não vamos voltar a cair na mesma esparrela!!", disse há poucos dias o nosso presidente, mas se devido à ignorância erramos, caindo em certas armadilhas, temos a obrigação de aprender com os equívocos. E uma das formas possíveis de o fazer é desenvolver algumas virtudes bem típicas dos Portistas: objectividade com subjectividade, argumentar sem nunca nos acomodarmos e contrastar as hipóteses para comprová-las. Elevar o pensamento crítico e estratégico. Sem dogmatismos e falsas histerias.