Opinião no Portal dos Dragões

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Tsah - Geneticamente Portista. Alguém que um dia percorreu 1300 km, num só dia, para ver (e não viu) um jogo do FC Porto, porque acabou na cama de um hospital, poli-traumatizado. Em coma profundo. Quando despertou era campeão nacional. Dezanove anos depois...


Racionabilidade? O que é isso? - 08-05-10

Após o triste, miserável e grotesco episódio transmitido por um canal de televisão (de um certo clube), onde é feito o apelo à violência de uma maneira soez e gratuita, há uma questão que importa colocar: será que ainda somos capazes de continuar a pensar que é assim que chegará a paz ao futebol? Eu penso que não, e também sei que muita gente – para alívio meu - pensa da mesma maneira.

A radicalização no futebol português, com a ajuda de alguns (muitos) meios de comunicação, e com quem de direito (leia-se Estado) a assobiar para o lado, levou a que se chegasse a este ponto. Que mais não é do que uma contenda entre os “bons” e o “maus”, o aceitável e o não aceitável, o que é e o que não é, e o que deve ou não ser. A história do nosso país, sobretudo aquela que foi escrita, não nos livros, mas nas nossa memória; ensinou-nos que quando o inimigo nasce é necessário, e imperioso, eliminá-lo. E é precisamente neste beco em que nos encontramos, falando de claques, de justiceiros e de, imagine-se, terrorismo! Havendo quem tente aproveitar-se deste discurso e da força que as palavras encerram, tão violentas como aqueles que as esgrimem, com os inefáveis e inenarráveis meios de comunicação a ajudar à “missa”.

Os incidentes que se têm verificado nos bastidores dos últimos jogos entre o FC PORTO e o seu arqui-rival da Segunda Circular, mostraram um grau de violência que vai para além dos meros e fortuitos desacatos entre adeptos mais despeitados. É preocupante o que se começa a observar porque são reflexos de uma sociedade cada vez mais violenta, onde o apelo à irascibilidade cai como um fósforo num barril de pólvora. Nunca é demais recordar como se criaram, principalmente na América do Sul, os grupos de limpeza social, os grupos paramilitares ou as “pandilhas”. Todos tiveram, e têm, um denominador comum: o extermínio daquele que se acredita que é inimigo.

É de uma irresponsabilidade tremenda apelar ao uso de “armas”, quando existe um meio no qual as condições são propícias para que se materialize o que é (foi) proposto por alguém, num órgão de informação de uma determinada instituição. Se acontecer (mais) uma desgraça futuramente, terão de ser responsabilizados todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, condescenderam com actos criminosos.

Fica aqui um convite para que haja mais prudência e contenção em certos discursos, principalmente naqueles carregados de ódio e de incitamentos à violência, da qual tanto nos queixámos. O civismo e a urbanidade são construídos com base no que pensamos, como pensamos, como o evidenciamos, nos nossos discursos, nas nossas palavras e nas nossas acções.

A falta de inteligência não pode ser o lubrificante da violência.