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Opinião no Portal dos Dragões
[Todas as crónicas da secção de opinião]
Gostava de acreditar, mas não consigo - 17-02-10 Todos sabemos que a tarefa dos árbitros é complicada, são amados e odiados consoante os respectivos desempenhos nos jogos em que intervêm. Um árbitro, que é um herói numa semana, pode ser o ser humano mais insultado e odiado do país, na seguinte, mudando a imagem que se tem dele, num abrir e fechar de olhos. Os erros estão na ordem do dia, e acontecem todos os fins-de-semana, em todos os campos deste país, passando a ser parte integrante do próprio futebol, sendo diferente de outros desportos, onde se usa a tecnologia para resolver os conflitos que o olho humano não consegue determinar. O tema é delicado e, Domingo a Domingo, vão-se continuar a inventar faltas, a ajuizar incorrectamente, a levantar bandeirolas, anulando golos de forma inexplicável e a polémica continuará. Algumas equipas queixar-se-ão, aparecendo os donos do Circo, a pressionarem, para tirarem proveito da miséria alheia, quando são os que mais proveito tiraram. Ser árbitro, no futebol actual, não é fácil. A velocidade a que se joga, a pressão que se vive nas bancadas, dentro e fora dos campos, a intolerância colectiva para aceitar os erros arbitrais como algo próprio do ser humano, transformam o trabalho dos árbitros em algo altamente propenso à polémica. Chegados a este ponto, convém saber distinguir o que são os erros inerentes às especificidades deste desporto, e o que são erros grosseiros, de palmatória, que levam o maior crédulo a desconfiar, a pôr em causa a honestidade do homem vestido (às vezes), de preto. A dualidade de critérios aplicada e julgada de maneira diferente, em lances em tudo semelhantes, é de tal maneira gritante, que as dúvidas, para não dizer as certezas, instalam-se definitivamente. Quando um jogador é rasteirado, dentro da grande área, com o árbitro a quinze metros de distância, a apitar para a marca grande penalidade, e o mesmo não acontece (uma semana depois) num lance em tudo idêntico e com o mesmo (!) árbitro a pouco menos de dois metros da jogada, as dúvidas dissipam-se. Gostava de acreditar na honestidade dos árbitros, por muito maus que sejam. Mas, por muita boa vontade que tenha, não consigo, os factos falam por si. |