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Entrevistas
Crónica de uma viagem a Valdagno - Os nove magníficos
Nos dias que antecederam a deslocação da equipa de hóquei em patins a Itália, onde jogaria a fase final da Liga Europeia,
lançámos o desafio a Maria João Alvão de escrever uma crónica da sua deslocação a Itália para apoiar os nossos eneacampeões.
O desafio não só foi aceite como amplamente superado. A Maria João Alvão é uma portista dos sete costados, que segue o FC Porto
para todo o lado. Aqui fica o seu bonito relato...
Os nove magníficos
Tudo começou em Oliveira de Azeméis, quando o nosso FC Porto se sagrou eneacampeão em hóquei em patins.
Ouço alguém sussurrar "Vamos a Itália!" Pensei logo que também queria ir. Do pensamento à acção foi um instante. Eu e a Adelaide
falamos com o Vítor e dissemos: "Nós também vamos!!!!!!"
O sonho começava assim, a esperança de ver o nosso Porto Campeão Europeu. Foram semanas de ansiedade. É de enaltecer as pessoas
que organizaram esta viagem e alimentaram o sonho de acompanhar o nosso Porto em mais uma difícil caminhada. OBRIGADO VITOR, PEDRO
E FERNANDO...
Chegado o dia de embarcar rumo a Itália, encontramo-nos no aeroporto às 5:30 da manhã, todos unidos no mesmo objectivo - ser campeão
europeu. A nossa adrenalina já se fazia notar, começam os cânticos, a vontade de partir era grande e a ansiedade já nós ofuscava!
Finalmente e com alguns percalços, chegamos a Itália. Estava a chover mas nada nem ninguém nós detinha. A nossa força superava
qualquer obstáculo. O nosso Porto jogava as 18 horas contra o Barcelona. Seguimos viagem de carro, tentando com piadas e muito
riso disfarçar o nosso nervosismo. Estávamos ansiosos, só queríamos ver o nosso Porto a jogar.
Depois de deixarmos as malas no hotel, seguimos rapidamente para o pavilhão, em Valdano, sempre confiantes pois acreditávamos.
Chegamos felizes, unidos e bem dispostos.
O pavilhão não oferecia, no meu entender, as condições necessárias para uma competição como a Final Six, mas isso já não interessava,
só queríamos ver os nossos jogadores a lutar dentro do campo. O relógio marcava das dezoito horas, os 9 magníficos (nós) vibrávamos
com a entrada do nosso Porto em campo, gritávamos cânticos de apoio, pusemos uma faixa que dizia "Nós Acreditamos", enfim,
estávamos em êxtase.

Jogadores surpreendidos e contentes com tamanho apoio

Jogadores do FC Porto em aquecimento
O jogo começa e minutos depois o Barcelona marca. São visíveis os nossos nervos, mas em contrapartida estávamos conscientes
que os nosso jogadores iriam lutar até ao ultimo segundo e tudo era possível.
Durante o desenrolar do jogo as emoções manifestavam-se. O Fernando não parava quieto, o Pedro e o Daniel com o rosto apreensivo,
o André sempre a gritar Porto, o Vítor repetindo "nós acreditamos", "vamos lá Porto"; o Tó Zé de rosto fechado e nós as três
não parávamos quietas. Foi um misto de emoções indescritíveis.
O Porto começa a reagir, assim como nós que fizemos ouvir a nossa voz em todo o pavilhão.
Sempre que o nosso Porto marcava, era visível a alegria, o entusiasmo patente nos nossos rostos. Pulamos, abraçamo-nos, naquele
momento aqui era nosso e o sonho continuava vivo. O jogo acaba e finalmente respiramos de alívio, dado que o empate a 4 golos,
com uma das melhores equipas do mundo, era no nosso entender um bom resultado.
Saudamos os jogadores com toda a nossa força, pois a voz já nos faltava. Estivemos o jogo todo a gritar por eles. Eles mereciam.
Foram grandes os nossos jogadores.
Saímos do pavilhão contentes, sempre com um sorriso exposto na nossa face. As nossas emoções naquele momento eram totalmente
transparentes.
Valdagno é uma cidade pouco interessante, com poucos motivos de atenção, mas lá conseguimos encontrar uma pizzaria, entramos e
a recepção daquelas pessoas que lá trabalham não podia ter sido melhor.
 Três portistas
Decididamente estava tudo a correr mais que bem. Sentamo-nos e a primeira coisa que fizemos foi erguer os nossos copos e fazer
um brinde ao nosso FC Porto. Levantamos os cachecóis e começamos a cantar. O Fernando estava eufórico. O Vítor e o Tó Zé bebiam
uma cervejinha como se estivessem numa esplanada. O Daniel e o André tinham um sorriso rasgado. O Pedro ainda não estava em si.
 No restaurante
Eu, a Adelaide e a Sara completamente loucas e decididamente muito felizes por tudo o que se tinha passado. Foram momentos únicos.
No fim do jantar estávamos todos a tirar fotos com adeptos do Reus e com todo o pessoal que trabalhava no restaurante.
Não estávamos cansados mas sabíamos que tinhas de repousar porque no dia seguinte esperava-nos outro grande jogo.
O nosso segundo dia foi passado em Verona. Linda cidade que rapidamente nos conquistou. O azul estava sempre connosco, em qualquer
lado cantávamos e gritávamos pelo Porto. Mas já nesse momento não era só o Porto que nos movia, mas também a amizade pois o
nosso grupo era único. Passamos um dia maravilhoso, estávamos cheios de energia para ir apoiar de novo os nossos eneacampeões.
 Grupo em Verona
 Dragona subjugando Romanos
Entramos no pavilhão. Estava lotado. A claque do Valdagno entoava todo o tipo de cânticos. Eram hostis, mas nada nem ninguém nos
metia medo. Só importava o nosso Porto.
Este jogo quase que nos arrancou a alma. Foi um jogo de emoções muito fortes. O Valdagno marca. O pavilhão quase que vem a baixo.
Mas mesmo assim as nossas vozes continuam a fazer ouvir-se. Nos continuávamos a acreditar.
O Porto marca. Foi a loucura total. Eu não via nada nem ninguém, saltei do meu lugar e beijei o símbolo do Porto. De seguida
abracei-me à Adelaide, ao Vítor e ao André.
Mas o Valdano marca novamente, e o inferno começa com as provocações dos adeptos da casa. Nós, mostrando a nossa superioridade,
nunca baixamos os braços e continuamos a entoar os nossos cânticos dando alento aos nossos jogadores. Estávamos apreensivos.
O Vítor de joelhos, o Fernando, mais uma vez, sem conseguir estar no lugar. O André sofria como um louco, a Sara tinha as
lágrimas nos olhos, o Daniel cabisbaixo e o Pedro também, o Tó Zé andava de um lado para o outro, a Adelaide gritava Porto.
Uma verdadeira loucura. Foi então que o nosso Porto marcou. Entramos em euforia total. Emoções ao rubro. Os jogadores a darem
tudo por tudo em campo. Uns autênticos heróis.
Logo de seguida o Porto marca o 4º golo. Acho que as palavras me faltam para descrever aquele momento. Estávamos completamente
fora de nós. Não contínhamos a nossa alegria. Nós ACREDITAVAMOS.
O jogo acabou da pior maneira. Os adeptos do Valdano não souberam perder, atiraram coisas para o recinto de jogo tentando
atingir os nossos jogadores e os árbitros. Uma autêntica vergonha. E nós ali assistindo aquele triste espectáculo.
A dado momento noto que as coisas para o nosso lado estavam desfavoráveis. É de salientar que éramos apenas nove, mas já
estávamos a ser ameaçados e insultados. Enfim, tivemos que ser escoltados pela polícia italiana até aos nossos carros.
Aqui fica um agradecimento a estes polícias que foram de uma extrema simpatia.
Os 9 magníficos nunca esmoreceram, e lá fomos nos para pizzaria do António festejar. O nosso sonho estava prestes a
tornar-se realidade.
Entretanto estivemos com uns adeptos do Valdagno que envergonhados nos pediram desculpa pelo comportamento da claque. O Fernando e
o André trataram logo de trocar os cachecóis num gesto bonito de fair-play. Confraternizamos, ali todos.
Foi um dia em que todas nossas emoções e manifestações ultrapassaram o emocional e o racional. Só pensávamos na final.
Sábado, dia de folga do nosso FC Porto, mas era um dia extremamente importante pois jogava o Valdagno com o Barcelona e nós
estávamos dependentes desse resultado. O Barcelona não podia ganhar por uma diferença superior a dois golos. Decidimos
aproveitar este dia e passamo-lo em Veneza.
 Grupo em Veneza
Durante os nossos passeios, antes dos jogos, tentamos sempre esquecer o nosso nervosismo, mas, a hora do jogo aproximava.
O Vítor, o Daniel, o Fernando e o Pedro decidiram ir ver o jogo. Eu, a Sara, a Adelaide e o Tó Zé optamos por ficar no hotel,
pois o dia anterior tinha sido muito pesado e estávamos com algum receio.
Os 4 magníficos seguiram viagem para Valdado. O André foi matar saudades da irmã que nesse dia veio de propósito da Suíça
para estarem juntos. E nós os 4 fomos jantar ao centro de Vicenza.
Cada segundo começou a ser passado como uma tortura, estávamos sempre à espera de um sms, ou de um telefonema para saber o
resultado do jogo. Tudo passava pela nossa cabeça. Como estavam os nossos amigos no pavilhão, como estava a correr o jogo,
arbitrado por um dupla portuguesa. Foram momentos longos. De repente o telemóvel do To Zé recebe uma mensagem.
O Valdano está a ganhar. Foi uma euforia. Pelas ruas de Vicenza, a caminho do restaurante, a nossa alegria era notada.
Da nossa boca só saia a palavra Pooooorto.
À medida que as mensagens iam chegando e com o empate do Barcelona os nossos sentimentos esmoreceram. Algo de estranho se passava,
o jogo acaba, o Barcelona vence por 11 golos a 3. Estavam na final. Ficamos revoltados, estávamos desfeitos, o nosso sonho
tinha acabado ali.
Acabamos de jantar e seguimos para o hotel. Entretanto chegam o Vítor, o Daniel, o Pedro e o Fernando. Os seus rostos eram de
tristeza. As lágrimas nos olhos. Com tudo isto ficamos ainda mais revoltados. Acabaram com o nosso sonho!
Sentamos no sofá do hall do hotel e eles começaram a contarmos as incidências do jogo. Cada vez a revolta era maior.
A cada palavra proferida o nosso coração saltava, já só fala a emoção. Mas mesmo assim o nosso amor pelo Porto ficou
mais forte. A nossa amizade também e reconfortamo-nos uns aos outros! A vida segue... Perdemos uma batalha, mas nunca a guerra.
 Fotografia do grupo
 Um grupo unido
Foi a melhor viagem da minha vida, e daqui vai, do fundo do meu coração, o meu muito obrigado ao Vítor, ao Pedro, ao Tó Zé, ao
Fernando, ao Daniel, ao André, à Adelaide e à Sara, sem vocês nada disto teria sido possível.
Vocês são daqueles amigos que não esquecerei. E, acima de tudo, sinto um orgulho imenso em o conhecer adeptos como vocês.
Obrigado aos jogadores do hóquei do FC Porto pela luta, pela garra. Pelo esforço e determinação demonstrada em campo.
Ao treinador e seus adjuntos, aos dirigentes, obrigado. Nós estivemos lá por vossa causa.
GRITA PORTO!
Maria João Alvão
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