Testemunhos de glória

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Testemunhos sobre a 1ª final europeia (Final da Taças de 1984):

«Porto? Oh yeah! Great wine!» (29/11/04, José Carlos Carvalho)

Não era nada fácil ser adepto do FC Porto nesta altura. Já não estava sob o efeito balsâmico do bicampeonato conquistado em 78 e 79, mas eu tinha a certeza que o meu clube estava claramente a subir no panorama futebolístico nacional, era uma questão de tempo. A nível internacional recordo com tristeza algumas «cabazadas» em jogos disputados fora de casa (Anderlecht, por duas vezes, o AEK...o Grasshopers! 0-3! Lembram-se? Meu Deus!). Tínhamos acabado de perder a final da Taça de Portugal em «casa» do Benfica (Jamor) por 1-3, e íamos disputar a Taça das Taças.

Calhou-nos um primeiro adversário complicado: o Dínamo de Zagreb. Para começar uma derrota em Zagreb, por 1-2. Na 2ª volta, estava a ver que o «pressing» não ia dar em nada, mas perto do final o nosso Fernandinho Gomes lá resolveu a eliminatória. Na 2ª eliminatória, um trajecto semelhante frente ao Glasgow Rangers, derrota fora por 1-2 (golo de Jacques) e vitória nas Antas por 1-0. Uff! Tínhamos alcançado os 1/4 de final e igualado a nossa melhor performance nesta competição. Vinha daí o Schakhtior Donetsk, na altura representante da...União Soviética.

As perspectivas pareciam...óptimas! Mas começa o jogo e daí a nada estávamos a perder por 0-2. Nesta equipa Russa jogava um jogador fabuloso, o Gratchev. Mas este FC Porto já começava a ser uma equipa que acreditava em si e até final do encontro conseguimos dar a volta ao marcador, e vencer por 3-2. Para a 2ª mão estava convencido que podíamos passar. E assim foi: Mike Walsh marcou o nosso golo, num empate difícil (1-1).

Nas meias-finais jogámos com o detentor do troféu, o FC Aberdeen, da Escócia. Curiosamente estava bastante optimista. Grande exibição na 1ª mão, que podia ter dado em goleada, mas só valeu um golito do Gomes. Antes da 2ª mão queria acreditar que chegaríamos finalmente a uma final. Os meus amigos «mouros» gozavam com a nossa «fama» além-fronteiras. Os amigos Ingleses, esses, quando ouviam falar de Porto diziam «Porto? Oh yeah! Great Wine!». Sacanas, eles e mais os gozões dos «mouros». Mas quinze dias depois, Vermelhinho marcou um golo de antologia na fria noite de Aberdeen. Estávamos na grande final, frente à «galáctica» Juventus, de Michel Platini e de mais uma mão cheia de campeões do mundo italianos...e ainda Boniek.

Final em Basileia, com muitos adeptos do FC Porto, mas ainda assim em minoria comparados com os Italianos. Começamos «nervosos», à portuguesa...e Vignola inaugurou o marcador, na sequência de um inesquecível «golpe de vista» do já falecido Zé Beto. Mas o nosso Porto reagiu e Sousa marcou um golaço de raiva. Os Italianos não esperavam aquilo, mas eu só sei que dava pulos de alegria na sala!

Depois, mais uma jogada à Italiana, com Boniek a finalizar em falta. Mas contou...o FC Porto estava novamente em desvantagem. A partir daí o FC Porto acalmou e começou a jogar futebol, e até ao final do encontro quase que vulgarizou a grande Juventus de Michel Platini, mas o resultado, esse, não se alterou. Tínhamos acabado de perder a nossa 1ª final.

«Cheirava» a injustiça. Lembro-me de ter recolhido ao meu quarto, após o jogo, e de ter chorado! Felizmente, a glória não tardou a chegar para o FC Porto.