O futebol não são só estatísticas, mas as estatísticas são uma ferramenta importante para analisar coisas que muitas vezes não são tão evidentes a olho nu. Não servem para substituir o jogo nem o resultado, mas ajudam a perceber se a equipa está a criar condições para ganhar ou não.
Olhando para os números que foram o
@Roma colocou em cima:
Rio Ave
2.06 xG vs 0.25
16 remates vs 6
5 grandes oportunidades vs 1
Arouca
3.34 xG vs 0.26
20 remates vs 7
5 grandes oportunidades vs 0
Isto, em termos de análise futebolística, indica algumas coisas claras. Primeiro, o Porto controlou os jogos e os adversários não produziram praticamente nada em termos ofensivos já que valores de 0.25 ou 0.26 xG são muito baixos e normalmente correspondem a equipas que quase não criaram perigo.
Depois, há produção ofensiva. Gerar entre 2 e 3 xG num jogo é, em média, criação suficiente para marcar dois ou três golos. Além disso, cinco grandes oportunidades num jogo é um número alto e normalmente leva a vitórias confortáveis na maioria das partidas ao longo de uma época. O que os números apontam não é tanto para falta de jogo ofensivo, mas sim para falta de eficácia na finalização. A equipa criou o suficiente para resolver os jogos, mas não materializou.
E quando se comparam com os jogos do início da época que foram mencionados, a produção é praticamente a mesma. Contra o Guimarães houve 2.73 xG e contra o Casa Pia 2.63 xG, números muito semelhantes aos jogos recentes contra Rio Ave e Arouca. Ou seja, a diferença na perceção vem muito mais do resultado final do que da produção de jogo. Quando a bola entra duas ou três vezes diz-se que foi um grande jogo, quando não entra passa a ser um jogo péssimo, mesmo que as oportunidades criadas sejam semelhantes.
Ninguém ganha campeonatos com xG, isso é evidente. Mas ignorar completamente estes dados também não ajuda a perceber o que realmente aconteceu no jogo. As estatísticas não substituem o futebol, ajudam é a contextualizar o que se vê. E há aqui uma diferença importante: se o Porto estivesse a ganhar jogos por 1-0 criando pouco, com 0.7 ou 0.8 xG, aí sim podia ser preocupante, porque significaria que o processo ofensivo não está a funcionar e que a equipa tem dificuldade em criar ocasiões — e isso normalmente demora tempo a corrigir, porque implica trabalho tático, rotinas e dinâmicas ofensivas. Mas aqui está a acontecer quase o contrário: a equipa ganha curto mesmo criando muito. Quando tens jogos com 2, 3 ou mais xG e várias grandes oportunidades, o problema tende a estar muito mais na eficácia da finalização, que é algo mais localizado e muitas vezes mais momentâneo. Ou seja, os números sugerem que o processo de jogo, a forma de criar e a estratégia da equipa continuam muito semelhantes ao que eram no início da época. Não há uma quebra clara no modelo de jogo nem mudanças estruturais que justifiquem alarmes. O que há é falta de eficácia em certos momentos, e isso é um tipo de problema que em condições normais oscila muito mais ao longo de uma época. E com tudo isto em mente também temos de ter em conta quem temos de fora por lesão, o que torna a questão da falta de aproveitamento ofensivo ainda mais identificável.