Compreendo o que o
@Pombal quer dizer com “a parte mental e a estabilidade emocional são tão débeis”, mas não concordo. Vejo muitos jogos de outras ligas, sobretudo da italiana, da turca, da polaca e da brasileira, e isso não acontece por lá. Admitindo que esse fator existe, não contribuiu decisivamente para o que aconteceu ontem. Houve fatores bem mais decisivos.
Em primeiro lugar, como referiu o
@PVPC (concordo inteiramente com a análise dele), as deficiências do Miguel: por um lado, a dificuldade em compreender o que o jogo está a pedir nos diferentes momentos do jogo e a incapacidade de os gerir. Por vezes, dá a ideia de que o plano de jogo é demasiado rígido, não existem alternativas. Não é de agora, também aconteceu há dois anos, nomeadamente nos jogos da final contra o Colégio Efanor; por outro, a má gestão do plantel. Além do que já foi aqui falado, lembro, por exemplo, que, aquando da vinda da Domi, o Miguel disse que ela “seria muito importante nas fases decisivas, nomeadamente nos playoff” (foi mais ou menos isto). Até agora só jogou uns minutos contra o Efanor no último set na meia-final da taça… importância tremenda!
Outro aspeto é o timing das substituições. A título de exemplo, neste jogo, a substituição demasiado tardia da Shainah pela Mika no 5.º set, aos 7-13 e depois de a Shainah, sozinha, ter dado 4 pontos ao Benfica? A propósito, 9 dos 15 pontos do Benfica nesse set, ou seja, 60%, foram erros nossos! Nenhuma equipa ganha o que quer que seja com esta percentagem de erros…
Em segundo lugar, a falta de uma voz de comando dentro do campo (esse é o aspeto em que sinto a falta da Joana), a voz de comando que têm, por exemplo, a Dani, a Rizzo ou a Matilde, por cá, ou a De Gennaro, a Castillo, a Camilla Brait ou a Orge, lá por fora. Faz muita diferença quando as coisas não estão a correr bem.
De um modo geral, a má gestão do plantel ao longo da época também contribuiu para o que se está a passar nesta fase. No início da época, o Miguel falou em “apostar ainda mais na Ana Rui”. Alguém viu essa aposta? Eu não. Alguém viu alguma evolução significativa da Ana Rui nestes três anos? Eu não… e não estou a pôr em causa o potencial dela.
Aquando da vinda da Tarasova, lembro-me de que o Miguel disse que ela “seria muito importante nas fases decisivas, nomeadamente nos playoff” (foi mais ou menos isto). Até agora só jogou uns minutos contra o Efanor no último set na meia-final da taça… é esta a importância significativa? Já nem sequer falo da Bruna …
Uma nota ainda para a afirmação do Miguel ontem, no final do jogo: “temos um par de horas para recuperar para estarmos sóbrios quando formos a Lisboa outra vez”. Cuidado com as palavras… neste contexto, sobriedade significa que antes houve sobranceria, displicência. Não abona a favor nem dele nem das jogadoras.
Ainda acredito que vamos dar a volta a este Benfica e ir à final. Não vejo é grandes possibilidades de ganharmos ao Braga se as coisas continuarem assim.
Por último, começo a achar que o tempo do Miguel no Clube está a chegar ao fim. Mesmo que ganhe o campeonato, não compensa o peso negativo de duas derrotas consecutivas em casa (as únicas da época nas competições internas) numa fase final, ainda por cima contra o Benfica, nem o registo histórico negativo de pior resultado num set, os 12-25 no quarto set do primeiro jogo. O problema é que só vejo dois treinadores com competência para estar aqui, o Mário Martins e o Hélder Andrade, e nenhum deles está disponível. Só se for o Mário Martins, o Hélder Andrade tem contrato com o Leixões até 2027.