O que custa a muitos e o que custa ao Sérgio Conceição, em particular, é que a profecia do caos não se concretizou. A profecia que anunciava que, depois de Pinto da Costa e Conceição, seriam só trevas. O FC Porto nunca mais ganharia nada, seria uma marioneta, passaria a ser gozado por todos. Sporting e Benfica discutiam os títulos, riam-se, enquanto o FC Porto voltava ao tempo dos Andrades. Faltava a astúcia, a garra, a exigência, a paixão. Faltava lutar contra o centralismo e bater no peito, espumar, crescer para os adversários. Voltávamos a ser pequenos.
A época 2024/25 deixou-lhes água na boca. Humilhados duas vezes pelo Benfica, de recorde negativo em recorde negativo, com erros atrás de erros. E tudo parecia alinhar-se. Quais hienas, esfregavam as mãos de contentes. "Eu bem disse...". Era o caos. E o FC Porto tinha morrido. Porque já não havia Pinto da Costa, Conceição nem Pepe. Só aprendizes, só bons rapazes, só inexperientes.
Entretanto, tudo mudou. Hoje, o FC Porto é campeão, justo, meritório, a lutar muitas vezes contra mais do que adversários em campo. Tem um presidente que nos orgulha e um treinador que nos representa. E isso é o que lhes dói, que os fere, que os corrói por dentro. Ao Conceição especialmente. Porque, depois dele, veio outro que nos conquistou. Com trabalho, com as palavras certas, com ambição e exigência. Sem ter de bater no peito, de espumar, de se dizer mais portista do que os outros. Por isso, sim, Sérgio Conceição é passado. E ainda bem. Muito agradecido pelos títulos que nos deu, mas sem saudades nenhumas das novelas, dos relatórios, dos mexericos típicos de um reality show qualquer.