Há coisas que não se explicam bem. O FC Porto é uma delas.
Não é só o clube. É o que o clube representa para quem cresceu a ouvi-lo, a senti-lo, a defender o seu nome em conversas que nunca deveriam ter aquecido tanto. Mas aqueceram. E voltarão a aquecer.
Os jogadores que entram naquele relvado carregam mais do que uma camisola. Carregam memória. Carregam gente que não pode estar lá, que ouviu pelo rádio, que chorou em casa, que festejou na rua sem saber bem com quem. O amor a um clube não se escolhe com a cabeça. Vem antes disso.
Já vi o que faz a um corpo sentir que pertence a algo maior do que ele. A bioquímica não mente o sentido de pertença ativa o que o isolamento apaga. A energia de um estádio não é figura de estilo. É real, é física, chega aos atletas em campo e altera o que são capazes de fazer.
Por isso importa estar. Importa gritar. Importa não desistir no momento em que custa mais.
A equipa sente. Não é romantismo. É fisiologia.
Ao clube, aos jogadores, a quem está nas bancadas e a quem está longe e acompanha da mesma forma o amor ao Porto não precisa de justificação. Existe. Persiste. E no fim, como sempre, volta a fazer sentido.
Força Porto.