A ida do Mourinho para o Benfica foi, muito mais do que uma escolha baseada na identificação do perfil ideal para o cargo, uma decisão de autopreservação por parte de Rui Costa. Foi uma aposta que, acima de tudo, lhe garantiu a reeleição. Até o próprio formato do contrato assinado demonstrava que não existia, nem da parte de Mourinho nem da parte do clube, um verdadeiro compromisso de longo prazo com o projeto.
Neste momento, do ponto de vista do Benfica, as coisas acabaram por correr quase da pior forma possível. Não correu bem o suficiente para haver sucesso desportivo e a certeza absoluta de que ele era o homem certo para se apostar seriamente na continuidade, mas também não correu mal o suficiente para que uma nova mudança no cargo de treinador fosse óbvia e facilmente justificável.
O clube, e o próprio Rui Costa, ficaram preso num limbo estranho, em que Mourinho tanto pode ser visto como o treinador certo como o treinador errado. Nesse contexto, surgir o Real Madrid na equação é provavelmente o melhor cenário que o Rui Costa poderia esperar, porque permite libertar-se dele sem ter de assumir essa decisão, sem ter de a tomar diretamente e sem se associar ao desgaste que isso inevitavelmente traria. A decisão passa a ser de terceiros. E, tendo em conta a forma como praticamente todas as decisões dele têm sido alvo de críticas, muitas vezes por aparente falta de convicção ou habilidade política, isto acaba por ser, no fundo, o desfecho mais confortável que ele poderia desejar.