Acho que este é o momento certo para refletir sobre o plantel e perceber onde um pequeno esforço em termos de reforços pode fazer a diferença entre gerir a vantagem na Liga ou arriscar estar mais perto de deitar tudo a perder por falta de soluções. Parece-me claro que há três posições que idealmente deveriam ser reforçadas, mas também me parece importante dizer que não têm todas o mesmo grau de urgência, sobretudo tendo em conta as limitações financeiras do clube, que obrigam a escolher bem onde investir.
No caso do DE, apesar de não termos um suplente direto ao nível do Moura, ainda existem soluções adaptáveis. O Martim e o Kiwior podem cumprir nessa função, mesmo que isso possa implicar desfazer a dupla polaca no centro da defesa. Neste momento, com a chegada do Thiago, essa quebra não seria dramática e permitiria gerir a posição sem um impacto imediato demasiado pesado.
Já com o MC, suplente do Froholdt, o cenário é bastante mais delicado. Temos número, o Eustáquio, mas não temos ninguém sequer próximo do perfil do dinamarquês. O meio-campo é uma zona absolutamente fulcral em qualquer equipa e a diferença de qualidade entre o titular e o suplente é demasiado grande. Se ficarmos sem o dinamarquês num jogo decisivo, isso pode ser um golpe duro. E mesmo com ele disponível, há partidas em que faz falta ter mais alguém com a mesma capacidade física, intensidade e progressão com bola, alguém que ajude a equipa a sair de momentos em que o adversário consegue pressionar mais alto e encostar-nos atrás mais do que é habitual.
Quanto ao PL, o problema é sobretudo de número. Só temos dois jogadores para uma posição onde o ideal seriam três e onde é, provavelmente, mais difícil adaptar soluções de outras zonas do campo. Não nos vejo a jogar ali com mais ninguém para além do Samu e do Gül. A única alternativa possível seria o Mora como falso 9, mas apenas em jogos muito específicos, em que a presença constante na área não seja essencial e onde o reforço dos triângulos no meio-campo seja prioritário. Mesmo assim, nesse tipo de jogos, estamos sempre dependentes de poder haver uma mudança no jogo a qualquer momento que faça com que essa solução deixe de ser viável e nos fique a faltar uma opção mais de área.
Tendo tudo isto em conta, e sabendo que não há muito dinheiro disponível, parece-me que a opção mais viável e mais inteligente passa por priorizar um reforço para o meio-campo. Um jogador que não tenha de ser um titular absoluto, mas que se aproxime minimamente do perfil do Froholdt, reduziria um risco enorme numa fase decisiva da época. Um PL extra também faria sentido, mas é uma posição onde a qualidade costuma ser mais cara e onde o erro pode sair caro. A grande vantagem de trazer um PL é que, normalmente, a sua integração no estilo de jogo da equipa é mais simples e mais rápida do que a de um MC. Porventura, poderíamos esperar que um PL se adaptasse mais rapidamente do que um MC pelas mesmas razões que tornam o MC mais fulcral no comportamento coletivo da equipa em campo. Ficaria ao critério de quem decide. Já para DE, apesar de ser desejável termos alguém mais fiável do que o Zaidu, o contexto atual permite alguma margem de manobra.
Acima de tudo, tudo depende do mercado e das oportunidades de negócio que estejam efectivamente em cima da mesa. Mas o que também me parece é que depois de tantos meses de bom trabalho, esta equipa merece esse último esforço. Não se trata de gastar por gastar, mas de proteger o que já foi construído. Porque o futebol muda rápido e, muitas vezes, a diferença entre uma boa época e uma época verdadeiramente histórica está em antecipar os problemas antes de eles aparecerem.