Ok, mas aqui pouco interessa se tu individualmente tens possibilidades de a comprar ou não. Repara que isto é um raciocínio muito simples. Só foram lançadas 2594 camisolas e o universo de portistas que tem possibilidades de pagar o PVPR excede em muito esse número. Por cada portista na tua situação financeira há outro perfeitamente à vontade para pagar este montante. Portanto era de prever que a procura ia exceder a oferta. Se o objetivo fosse só vender camisolas a toda a gente então arranjavam um pretexto ou uma brincadeira qualquer com os números para fabricar muitas mais. Mas eles preferiram optar pela via do objecto de coleção, pelo número mais reduzido, pela selectividade e pelo simbolismo de cada camisola estar associada a 1 título. Para esgotar em apenas duas horas é porque o preço pecou largamente por defeito.
Faz-me lembrar os empréstimos obrigacionistas do capachinho. Era sempre uma festa anunciar que o empréstimo ia ser sujeito a rateio porque a procura excedeu em 4 vezes a oferta. Nunca ocorreu àquele imbecil que se calhar a taxa de juro era demasiado alta e por isso é que atraía tanta gente e tanto dinheiro. Houve triénios em que podiamos ter baixado a taxa em 0.25 ou mesmo 0.5 pontos percentais que o empréstimo teria sido emitido na sua totalidade na mesma. Mas não, era a confiança dos investidores que nos enchia de orgulho. Enfim...
O preço desta camisola deveria ter rondado os 500 euros, com o objetivo de vender todas as unidades até ao final desta época. Não era para colocar um preço que desse para as despachar todas em 2 horas. A genialidade desta campanha só se igualou na vista curta de quem definiu o preço.
Vista curta, dizes tu. Na minha opinião, seria um absurdo, com implicações na imagem.
Nem tudo tem de obedecer à lei bruta da oferta e da procura. Vender camisolas a 500 euros com a imagem do ex-Presidente teria tudo para ser visto como elitista, em primeiro lugar, e como chulice e aproveitamento, em segundo.
Certamente, quem pensou nisto, pensou num equilíbrio entre o razoável, a exclusividade e o premium. Não pensou em encher os cofres do clube, no caso da fundação, à custa de uma homenagem a Pinto da Costa, principalmente quando a família seria sempre contra todas estas iniciativas.
E acho que esse equilíbrio foi conseguido. Eu não comprei, mas ponderei e poderia ter comprado. Por 500 euros, continuaria a poder comprar, com mais esforço, mas nem sequer iria ponderar, por ser exagero. Não diria insultuoso para a massa adepta que temos e que gostava de Pinto da Costa, mas quase. Apenas os meus 2594 cêntimos sobre isto.