Não posso é pedir a quem chega e está de breve passagem pelo Clube que assimile isso. Não é justo nem é exequível.Compreendo o que dizes, só que não ajuda nem deixa de ajudar, é irrelevante, pura e simplesmente. E não percebo onde é que é falta de profissionalismo ou de respeito pelos adversários (sim, falo nos dois géneros, masculino e feminino; a dança da comemoração dos ases até começou no masculino). Primeiro, não o fazem voltados para os adversários, não podem, são penalizados. Segundo, muitas das vezes, os adversários fazem o mesmo.
Quanto ao que significa o FCPorto, sim, só nós, adeptos (incluo os atletas que são adeptos), sabemos o que é isso. Mas isso aprende-se, inculca-se e entranha-se com o tempo. Não posso é pedir a quem chega e está de breve passagem pelo Clube que assimile isso. Não é justo nem é exequível.
Percebo bem o ponto. Equipas que mudam metade (ou mais) do plantel todos os anos dificilmente criam identidade, química e consistência competitiva. Isso não é exclusivo do volei feminino nem de um clube específico. É um problema estrutural em várias modalidades em Portugal.
1) Excesso de rotatividade mata identidade
Quando se troca constantemente de jogadoras, a equipa está sempre “em pré-época”. Não há tempo para automatismos, liderança interna nem ligação com adeptos. Mesmo que haja talento individual, falta coesão. E isso paga-se sobretudo em jogos equilibrados.
2) Estrangeiras: quantidade vs qualidade
Não é uma questão de nacionalidade, é de critério. Ter muitas estrangeiras medianas raramente eleva o nível. Ter poucas, mas claramente acima da média e com compromisso de médio prazo, costuma resultar melhor, tanto no rendimento como no desenvolvimento das mais jovens.
3) Desenvolvimento nacional não acontece por acaso
Se as portuguesas estão no plantel só para “cumprir”, o nível interno nunca sobe. E depois a seleção e as competições europeias refletem isso. O exemplo do andebol é pertinente, a evolução só veio quando se combinou qualidade estrangeira com aposta real no talento nacional.
Há, também um lado menos visível:
- Limitações financeiras: contratos curtos e rotatividade muitas vezes não são opção estratégica, são consequência de orçamentos apertados. Jogadoras de qualidade e com estabilidade custam mais — e nem sempre querem ficar numa liga menos competitiva.
- Objetivo imediato vs projeto: subir de divisão (como no caso do futebol feminino) cria pressão para “garantir já” competitividade, o que leva a soluções rápidas em vez de construção a médio prazo.
- Manter um núcleo duro 2–3 épocas (mesmo que não sejam estrelas absolutas)
- Integrar 2–4 estrangeiras diferenciadoras, não apenas “mais uma opção”
- Dar minutos reais a jogadoras portuguesas com potencial, não só presença simbólica
- Ter uma linha de continuidade técnica (modelo de jogo e staff)