Os obreiros do 31!
Este texto poderia ser colocado em vários tópicos, pois este título foi, obvia e necessariamente, o resultado de um enorme esforço coletivo, onde algumas figuras se destacaram com particular evidência. Sem desprimor para toda a gente que contribuiu para o Regresso do Campeão, não posso deixar de destacar alguns nomes, pelo papel decisivo que tiveram ao longo desta época.
AVB – depois de um annus horribilis, o NGP provou bem a sua estirpe! Quando, após o desastre que foi o Campeonato do Mundo de Clubes, em Junho passado, o André veio falar murro na mesa e mudanças imediatas, poucos acreditaram (eu, inclusive, assumo!) que essa transformação pudesse acontecer tão depressa. A escolha do Farioli foi cirúrgica e uma jogada de mestre, mesmo comportando um sério risco. Desde o início se sentiu uma sintonia perfeita entre o Presidente e o Treinador, na definição dos objetivos e naquilo que é a defesa dos valores-Porto. Cirúrgicas foram também as contratações e as dispensas que, num cenário de aperto financeiro, tinham de ser quase perfeitas. E, se a perfeição não existe, pelo menos o André conseguiu chegar bem perto disso, elevando de uma forma brutal a qualidade do plantel, com meia dúzia de movimentos no mercado.
Jorge Costa #2 – esteve na génese do planeamento desta época e, infelizmente, ficará para sempre com o seu nome associado a ela. Deixou-nos cedo demais, o nosso Bicho – só que, na verdade, nunca nos deixou! Esteve sempre presente, em todos os jogos, em todos os jogadores, em todos os adeptos. Não tenho dúvidas de que o seu espírito conduziu e orientou esta equipa, enchendo-a de vontade e determinação. O Eterno Capitão nunca nos deixará, mas, este ano, ainda conseguiu estar mais presente do que nunca! Não deixa de ser sintomático, ou era mesmo uma imposição do Destino, que este Campeonato ficasse selado num dia 2. Jorge, este título é Teu! E é a maior de todas as tuas inúmeras conquistas!
Farioli – era muito fácil desconfiar de um treinador jovem, com uma experiência ainda relativamente curta, cuja única passagem por um clube que disputa títulos tinha acabado de redundar num final de época desastroso e fiasco total. No momento em que se encontrava o NGC, após duas apostas falhadas para treinador principal, o nome de Farioli estava longe de ser consensual e dar garantias à maioria dos adeptos. Porém, desde o primeiro dia, o seu discurso, tranquilo mas confiante, começou a conquistar o plantel e os adeptos. O seu nível de compromisso com o clube e seus valores revelaram-se, desde logo, inabaláveis. O futebol apresentado nem sempre satisfez a chamada “nota artística”, sobretudo para quem aprecia um futebol mais ofensivo. Porém, a consistência defensiva que conseguiu implementar – depois de uma época onde a nossa defesa tinha sido tenebrosa – a solidez de processos e a personalidade que conseguiu implementar numa equipa com muita juventude, revelam um trabalho de excelência. A que se junta uma brilhante gestão de ativos ao longo da época, mesmo nas maiores dificuldades.
Lucho González – toda a vasta equipa técnica de Farioli tem indubitavelmente um grande mérito no trabalho realizado com o plantel. Porém, a presença do Lucho é um condimento especial. A recuperação da “mística Porto” no balneário era de vital importância e essa foi claramente a principal razão da contratação do Comandante. Ele percebeu muito bem a importância da missão, adiando a sua já iniciada carreira como treinador principal. Um exemplo máximo de amor e dedicação ao Clube, que devia envergonhar alguns que por cá foram formados!
Diogo Costa – imagino que não tenha sido nada fácil ser Capitão do FC Porto na época 2024/25. Muita gente colocou em causa o seu estilo mais tranquilo de liderança e até as suas capacidades enquanto GR. Esta época, o Diogo voltou a exibir-se ao seu mais alto nível, sendo determinante em vários jogos e assumindo-se definitivamente como um dos melhores do mundo na sua posição. Como alguém que sente imenso o clube, mesmo que a sua forma de ser e comunicar não seja, se calhar, tão expansiva, ele merecia imenso este título e o estatuto de Capitão de uma equipa Campeã. A sua forma de liderança também se tornou um esteio emocional de uma equipa que precisava muito de estabilidade mental.
Bednarek – o discreto gigante que veio de uma ainda mais discreta equipa inglesa que, por sinal, tinha sido a mais batida da Premier League da época anterior. O facto de não ser já um jovem e não ter experiência em clubes de topo levantou imensas dúvidas iniciais. Até parecia mais uma opção de preenchimento do que uma primeira escolha. Mas rapidamente as dúvidas se dissiparam. Desde a pré-época que se assumiu como o indisputado Patrão da defesa. Nem a chegada de uma figura como Thiago Silva beliscou esse estatuto. E, mesmo sem braçadeira, liderou a nossa melhor defesa dos últimos largos anos, tornando-se talvez no único intocável no eixo defensivo.
Froholdt – não tenho qualquer dúvida que foi a principal figura deste Campeonato! Que revelação! Que jogador! O motor sempre ligado que mete a equipa em movimento. Um verdadeiro achado, que nem precisa de grandes comentários. É um jogador que muda o jogo, que muda totalmente uma equipa. Não será fácil segurá-lo por cá muito tempo, mas desejo imenso (como todos nós, acredito!) que fique pelo menos mais uma época. Quero muito ver o “Frodo” com as nossas cores, a brilhar na Champions!
Pablo Rosario – talvez o mais discreto dos reforços iniciais, de quem não se esperava grande coisa. Foi um verdadeiro tapa-buracos, cumprindo sempre que chamado a intervir, nas mais variadas funções. Sempre com uma qualidade e entrega muito acima daquilo que era suposto. Para mim é, indubitavelmente, uma das grandes figuras desta equipa, ao longo desta época. E é um conforto enorme para os colegas saber que têm aqui um jogador que pode fazer qualquer coisa que lhe peçam, sem baixar o nível.
Kiwior, Gabri e Alberto – três reforços a sério, que elevaram muito a qualidade nas respetivas posições. Talvez não tenham sido, individualmente, os maiores destaques. Mas os 3 elevaram imenso o nível médio da equipa, um ajudando de forma decisiva na muralha defensiva, outro oferecendo profundidade e segurança no flanco direito e outro contribuindo com muitas assistências e um perigo constante nas bolas paradas.
Varela, Pepê, Martim e… Zaidu! – alguns dos jogadores com mais anos de casa, que vinham de épocas em que o seu valor tinha sido seriamente posto em causa, e cuja saída no passado defeso não teria sido sequer uma grande surpresa. Todos melhoraram muito em relação à época anterior, mostrando as qualidades que lhes eram reconhecidas, mas que pareciam demorar a aparecer, sobretudo nos casos do Varela e Martim. Pepê, não sendo nenhum prodígio e muitas vezes levando os adeptos ao desespero com a habitual má definição, teve um papel importante no balneário e é um extremo que dá um contributo inexcedível à coesão defensiva. Já o Zaidu, que parecia definitivamente afastado de todo e qualquer protagonismo, teve um ressurgimento espetacular na segunda volta, trazendo de volta a consistência que a equipa parecia começar a perder.
Reforços de Inverno – escolhidos a dedo, para colmatar necessidades urgentes da equipa, acabaram por ser decisivos para este desfecho. Thiago, Fofana e, claro, o miúdo-maravilha Oskar tiveram um papel fundamental para manter os índices físicos da equipa no máximo, acrescentado ainda atributos como experiência, capacidade de finalização, criatividade e drible. Moffi ficou aquém do esperado, mas mesmo assim foi importante, após a lesão do Samu. Teria sido terrível ficarmos apenas com Gul para o que restava da época. Além de permitirem uma rotação maior do núcleo duro, e o descanso de jogadores fundamentais, Fofana e Oskar, em particular, melhoraram substancialmente a capacidade de definição no último terço.
Não quero com isto desvalorizar o importantíssimo contributo de todos os outros jogadores, staff técnico e Direção, mas estes são os nomes que me sinto na obrigação de salientar, neste momento. Conseguimos o principal objetivo da época e só podemos estar otimistas para o futuro. As bases de um novo Porto dominador estão lançadas. Não só na equipa sénior como nas camadas jovens. Temos de estar otimistas para o futuro. Obrigado por isso, André! Há um ano, não esperava estar agora a dizer isto.
O CAMPEÃO VOLTOU, CARAGO!!!!
