José Maria Pedroto

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hast

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José Maria Pedroto treinador e ex-jogador de futebol, nasceu no dia 21 de Outubrode 1928 em Almacave, Lamego, Portugal. Grande jogador do F.C.Porto, da equipa que foi campeã nacional com Yustrich em 1955/56 e em 1958/1959 com o Bella Guttman.
Jogou nos infantis do FC Porto, e no Leixões já em idade de júnior. Pedroto compensava a falta de físico com um enorme talento. O serviço militar levou-o ao Lusitano de VRSA, onde começou a despertar o interesse dos grandes.
Em 1950 tranfere-se para o Belenenses. Pedroto cedo se afirmou como um dos melhores médios do futebol Português. Em 1951 estreia-se pela selecção nacional, em Paris. Em 1952 a sua transferência para o FC Porto envolveu verbas recorde para a altura. O FC Porto estava a construir uma grande equipa que viria finalmente a quebrar um jejum de muitos anos...Em 1956, comandada por Dorival Yustrich, a equipa do FC Porto conquista o Campeonato e a Taça de Portugal. Pedroto foi uma das principais figuras da equipa.
No dia 29 de Março de 1959 o FC Porto venceu os alemães do Furth EV, nas Antas, por 4-1, na festa de homenagem a José Maria Pedroto, prestes a colocar um ponto final na sua carreira de jogador.
Em 1959, Pedroto é novamente campeão nacional, apesar das artimanhas de um tal de Calabote... Em 1960, Pedroto torna-se o primeiro treinador Português com curso superior. Foi um treinador com excelentes capacidades técnicas associadas a um discurso agressivo, na onda Mourinho numa época diferente.
Enquanto treinador, Continuou a evidenciar-se nos \"estudos\", obtendo uma brilhante classificação num curso de treinadores efectuado em França. Estes resultados, aliados ao bom trabalho nas camadas jovens do FC Porto, levaram-no ao posto de treinador da selecção nacional de juniores. Com Pedroto ao \"leme\", Portugal conquista o seu primeiro título Europeu!
Pedroto abandona o futebol jovem do FC Porto para ir treinar a Académica. Forjou grandes talentos nessa época, sendo reconhecido por todos a qualidade do futebol apresentado pela equipa de Coimbra. Depois treinou o Leixões, onde foi vitíma da única chicotada psicológica da sua carreira, traído pela falta de condições oferecidas pelo clube. Treinou depois o Varzim, que estava no seu 2º ano na primeira divisão... o Varzim foi a sensação desse campeonato.
Em 1966 realizou um sonho: tornar-se treinador principal do FC Porto, fica até 1969 e vence uma Taça de Portugal. Depois ruma até Setúbal, altura em que o Vitória obtém alguns dos melhores resultados da sua história, sendo uma vez vice-campeão, uma vez finalista da Taça, e obtendo excelentes prestações nas competições Europeias.
Em 1974, mudou-se para o Boavista...em dois anos obtem um excelente 2º lugar no campeonato e vence 2 Taças de Portugal.
Volta às Antas para vencer dois Campeonatos e uma Taça de Portugal.
Falha o «tri» e sai na confusão do \"verão quente\". Passa a treinar o Vitória de Guimarães, onde esteve 2 épocas, obtendo um 4º e um 5º lugar. Com ele esteve Artur Jorge.
Pedroto escolhe Pinto da Costa para Presidente do Futebol Clube do Porto. Sucesendo assim ao ultimo verdadeiro Presidente do Clube Dr. Americo de Sá. Nesse período ainda venceu uma Taça de Portugal e foi finalista da Taça das Taças. Pedroto, usando Pinto da Costa, criou as bases para a série de grandes êxitos que se seguiram e que culminaram com a vitória na Taça dos Campeões Europeus. Ao \"leme\" estava o seu discípulo Artur Jorge, um dos dois treinadores portugueses campeões europeus de clubes, a par de José Mourinho, em 2003/04, também ao serviço do FC Porto.
Palmarés: Como jogador: - 2 Campeonatos Nacionais - 1 Taça de Portugal - 17 internacionalizações
Como treinador: - 2 Campeonatos Nacionais - 5 Taças de Portugal - 4 vezes finalista da Taça de Portugal. - Seleccionador nacional (17 jogos, 03/04/74-30/03/77).

Algumas frases do Pedroto:

\"O verdadeiro calcanhar de Aquiles do nosso futebol reside no simples facto de quase todos pensarmos que, quando saímos dos estádios, já não somos profissionais de futebol\".
\"Estamos na mediania no conceito europeu. Relativamente ao futebol de alta competição, temos meia dúzia de jogadores com grande classe\".
As gentes do Porto são ordeiras porque, se não fossem, há muitos anos teriam recorrido à violência perante os enganos dos árbitros que têm decidido da perda de muitos campeonatos e Taças de Portugal.\"
\"No FC PORTO, os problemas não se levantam porque nunca chegam a existir.\"
\"O FC PORTO cada vez mais aparece como potência do nosso futebol, capaz de conseguir a hegemonia e é claro que isto preocupa o Benfica e o Sporting.\"
\"É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes da capital.\"
\"No FC Porto não há contestatários maricas, nem os problemas se levantam, porque nunca chegam a existir\".
\"Jorge Nuno Pinto da Costa, para além de ser um cidadão respeitável, afirmou-se como um competentíssimo dirigente. A ele se deve, em grande parte, a projecção que o FC Porto atingiu, a nível nacional e europeu. O tempo há-de fazer-lhe justiça.\"
\"O verdadeiro calcanhar de Aquiles do nosso futebol reside no simples facto de quase todos pensarmos que, quando saímos dos estádios, já não somos profissionais de futebol\".
\"Estamos na mediania no conceito europeu. Relativamente ao futebol de alta competição, temos meia dúzia de jogadores com grande classe\".
\"Oliveira é um dos melhores jogadores de todos os tempos\".
\"Não tenho dúvidas de qualquer espécie de que ao Artur Jorge não faltará onde trabalhar e que, em qualquer parte, triunfará. Mas também acredito que vai ser no FC Porto que ele acabará por ser revelar como um homem predestinado para a direcção e comando de equipas de futebol\".

Obtido em \"http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedroto\"
 
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hast

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Foi , salvo erro, José Maria Pedroto o primeiro a traduzir em palavras o que toda a gente por cá sentia para ganhar campeonatos aos seus rivais de Lisboa, o F.C. Porto tem de ser muito mais forte do que eles. Não lhe basta ser melhor. Tem de ser muito melhor. Porquê? Porque, na dúvida, os árbitros são contra o FCP.
 
H

hast

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O Adeus a Pedroto.

A época de 1984/1985 começara com um Benfica bi-campeão, a ver partir o seu treinador Eriksson, e com ele Stromberg e Fernando Chalana, estrela do Euro 1984. A sucessão de Svennis foi complicada, apesar do sueco ter indicado Toni para seu sucessor, mas Fernando Martins demorou a tomar uma decisão, que começou por passar por Tomislav Ivic, que depois de assinar contrato, despediu-se, prometendo \"voltar um dia\", acabando por ser contratado Pal Csernai, conhecido por ser um dos treinadores mais duros do Mundo, o verdadeiro \"treinador de chicote na mão\". No FC Porto também havia novidades: Artur Jorge era o escolhido para suceder a Pedroto ; Fernando Gomes é impedido de se transferir para o AC Milan ; Jaime Pacheco e Sousa rumavam a Alvalade, alegando salários em atraso ; Pinto da Costa, em manobra vingativa, \"rouba\" Futre ao Sporting, que rescinde por \"falta de condições psicológicas\", depois de conhecer a vontade dos dirigentes do seu anterior clube em emprestarem-no à Académica.
Depois de uma derrota no Bessa, a contestação à opção por Artur Jorge para substituir Pedroto começava a sentir-se, só que a resposta do treinador portista foi dada em campo, numa vitória por 2-0 frente ao Benfica, na semana seguinte, com Fernando Gomes, aos 16 e 18 minutos, a apontar os dois golos frente a um conjunto encarnado decepcionante, numa antevisão do que viria a ser o Benfica de Csernai.
O técnico húngaro, no final do jogo, queixou-se de falta de sorte: \"O Benfica teve algum azar. O Veloso teve que ser substituido muito cedo, o que me obrigou a uma alteração no sistema de jogo. Foi nessa altura que o FC Porto apontou os dois golos. Admirei a vontade de vencer dos nossos adversários, mas os seus jogadores abusam, por vezes, da agressividade, que chegou a ser violência\". Artur Jorge, bem diferente dos dias de hoje, não se refugiou em lugares-comuns: \"Foi um bom jogo de futebol, com o FC Porto a vencer com inteira justiça. Dominamos o jogo totalmente, criamos inúmeras oportunidades para dilatar o marcador e o Benfica não criou uma única oportunidade de golo. Penso que está tudo dito.\"
Um mês depois o FC Porto acabaria por ser eliminado da Taça das Taças pelo modestíssimo Wrexham, um conjunto galês, que actuava na 4ªdivisão inglesa. A partir daí, o caminho foi feito de êxitos, mas, pelo meio, a perda de José Maria Pedroto, que, em Janeiro de 1985, morre, em casa, vítima de cancro. Este FC Porto-Benfica acabou por ter o significado de ser o último com Pedroto vivo. E acabou com a vitória do seu clube contra o clube que odiava, mas que teve perto de orientar, em 1981, depois de ter sido \"corrido\" do FC Porto, no Verão de 1980, por Américo de Sá. O seu nome foi \"vetado\" por alguns dirigentes \"encarnados\" e acabou no Vitória de Guimarães, onde Pinto da Costa era conselheiro do jovem António Pimenta Machado, depois de rejeitar um convite do Sporting, que virar-se-ia para o britânico Malcolm \"Big Mal\" Allison. Baroti, que acabara de se sagrear campeão, ficava mais um ano na Luz, que viria a ser dominado pelos leões de \"Big Mal\", que conquistavam Campeonato e Taça. Pedroto regressaria em 1982, com Pinto da Costa, às Antas, mas acabou por não voltar a ser campeão.
José Maria Pedroto, segundo se sabe, terá indicado Artur Jorge para seu sucessor, e foi ele que acabou por criar as bases do FC Porto que viria a ganhar tudo - a nível interno e externo - ainda na década de 80. Triunfos que não chegou a viver, pois faleceu a 8 de Janeiro de 1985, depois de fazer três pedidos: um cálice de whisky, que bebeu com o auxílio de uma colher; um cigarro, que não conseguiu fumar ; e, por fim, um sumo de laranja, que não chegou a beber. Morria assim, o homem que Fernando Vaz definiu como \"a figura mais fascinante que conheci entre os homens do futebol do nosso tempo, apesar de ser amado por uns e detestado por outros\".
Detestado por Mário Wilson, que dois dias antes da morte de Pedroto, ainda disparou: \"Os lacaios que me fazem guerra são maus discipulos de um grande mestre, que procurou sempre guerras, mas quando o fez, avançou sempre na primeira linha, nunca buscou a rectaguarda, nunca deu homem por si. Pedroto é um sacarneirista, um verdadeiro mestre na arte da actuação em conflito\". Pinto da Costa é que não gostou do que ouviu, e após a morte de Pedroto, em Assembleia-geral do clube das Antas, decretou a proibição de entrada nas instalações do clube de Wilson, ainda acrescentando: \"Pedroto, para o fim, não era mais do que um leão moribundo. Pena foi que tenha levado um coice de um burro, que se aproveitou da sua incapacidade definitiva. Mas Pedroto, mesmo longe de nós, era grande de mais para ser atingindo por um coice de um burro qualquer\".
 
K

Kostadi9

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hast:

\"Pedroto escolhe Pinto da Costa para Presidente do Futebol Clube do Porto. Sucesendo assim ao ultimo verdadeiro Presidente do Clube Dr. Americo de Sá.\"

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Que queres dizer com isto?
 
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hast

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Como é evidente há aqui uma gralha que até eu gostaria de explicar . Na altura não a detectei e por esse motivo peço desculpa a todos.
Obrigado pelo reparo, Kostadi9.
 
H

hast

Guest
O pai era um muito espartano capitão do Exército. Com extensa prole de 11 filhos. José Maria foi o último. Nascera quando Alfredo Pedroto já dobrara os 50 anos e Quitéria do Carmo perfizera 43. Até aos sete anos viveu em Lamego, sonhando ser militar ou futebolista. Por essa altura, seu pai foi colocado num quartel do Porto, levando, naturalmente, toda a família com ele. Morreria pouco depois, pelo que José Maria seria internado no Colégio Araújo Lima, a 200 metros do Campo da Constituição. Mais lhe ferveu nas veias a paixão do futebol. Pinga era, por esse tempo, o seu ídolo. Mas já tinha, então, dois amores: o F. C. Porto e o Belenenses.
Com 10 anos deixou o colégio. A família mudara-se para Pedras Rubras, a Constituição passou a ser miragem... Se já não havia quem lhe regateasse génio para o jogo da bola, depressa se lhe exaltaram outros talentos — sobretudo de liderança. Com amigos e amigos dos amigos, José Maria fundou um clube ao qual pôs o nome de Futebol Clube de Pedras Rubras. Os sócios fundadores eram todos rapazes entre os 12 e 16 anos, obrigados a pagar quota mensal de cinco tostões para as despesas do futebol. Pedroto tomou, naturalmente, os cargos de capitão de equipa e de... presidente, estatuto que lhe permitia o privilégio de guardar a bola na sua própria casa! Quem quisesse jogar contra outras associações de rapazes teria de depositar nas mãos do presidente um escudo. Se o F. C. Pedras Rubras ganhasse, o dinheiro era restituído; se perdesse engrossava os cofres do clube. Era ideia de Pedroto, pois claro — e, obviamente, o melhor acicate que o rapazio poderia ter, porque, entretanto, um escudo sempre era um escudo!
Em 1946, com 18 anos, ingressou no Leixões, para, assim, poupar dinheiro com as viagens para os treinos. Senão teria ido para o F. C. Porto. Deslumbrou. Até que... «No final de um jogo disputado no Bessa, a certa altura pedi a bola ao guarda-redes, driblei quantos adversários me apareceram pela frente, incluindo o guarda-redes contrário e, sozinho, parei a bola em cima do risco da baliza. Ufano, puxei os calções, alisei o cabelo e, cheio de sobranceria, toquei o esférico com o calcanhar para dentro da baliza. No fim do desafio os colegas levaram-me aos ombros para as cabinas. Mas o treinador Armando Martins pregou-me um sermão que até me fez chorar. Nunca mais esqueci essa lição de que um futebolista deve jogar para a sua equipa e não para a galeria», desvendaria, muitos anos volvidos, quando já era futebolista de créditos altos.
Alinhava umas vezes a interior-direito, outras a interior-esquerdo. O serviço militar enviá-lo-ia para Tavira, para a escola de sargentos milicianos. Foi, com mágoa do Olhanense, jogar para o Lusitano de Vila Real de Santo António, então na I Divisão, tendo como companheiros Caldeira, Faustino, Isaurindo, Hélder e Calvinho. Logo nessa temporada contribuiria para que o Lusitano, ao bater o Sporting, com o Campeonato em fase decisiva, entregasse, em bandeja de prata, o título de 1950 ao Benfica. Foi de Pedroto o primeiro golo, batendo Azevedo com tiraço de 30 metros. Pela vida fora consideraria esse um dos seus golos mais arrebatantes. Esse golo mais lhe retocou a aura. O Belenenses lançou-lhe o canto de sereia, oferecendo-lhe 25 contos de luvas e mais 25 ao Lusitano pela carta de desobrigação. Já depois do acordo selado, um director do F. C. Porto colocou-lhe nas mãos um cheque de 80 contos. Bastaria apenas dar o dito por não dito ao Belenenses. Mas não quis voltar com a palavra atrás e para as Salésias partiu.
No Belenenses passou Pedroto de avançado a médio, porque, em jogo com o Sporting, em que o defesa Henrique Silva fracturou uma perna e o médio Castela sofreu entorse que o deixou em campo apenas em ofício de corpo presente, Fernando Vaz, em desespero de causa, mandou-o marcar Travaços. Com tal eficácia o fez que o Belenenses resistiu, empatando a zero. No jogo de desempate, Vaz manteve Pedroto a médio e o Belenenses ganhou por 2-1 e nos jornais do dia seguinte quase toda a Crítica comparou aquele Pedroto a Mariano Amaro. Médio ficaria até dependurar as chuteiras...
No final da temporada de 1952, reinsistiram os portistas no convite a Pedroto, que, como se sentia bem em Belém, disse aos emissários do Porto que correram a aliciá-lo que só se mudaria se lhe dessem a (astronómica) verba de 150 contos. Para além de futebolista estava empregado na Hidro-Eléctrica do Zêzere, muito bem pago para o ofício de escriturário, e o Belenenses também não lhe pagava mal. Por isso...

Transferência «record» com dinheiro em... quotas!

Conversações em turbilhão, regateio aqui, aquiescência acolá e, de súbito, os dirigentes portistas predispuseram-se a gastar 500 contos pela contratação de Pedroto. Embasbacou o País inteiro. Era transferência record no futebol português. E como o Belenenses se satisfez com 335 contos, Pedroto arrecadou mais que os 150 que ele exigira. Mas, porque era preciso manter algum pudor, mesmo que postiço, a maior maquia seria dada a Pedroto, através de uma... sociedade comercial, para a qual contribuíram, com quotas entre os mil e os três mil escudos, todos os notáveis do F. C. Porto e, até, uma senhora com... 11 nomes.

Quando Pedroto foi impedido de entrar nas Antas

Pedroto nasceu na freguesia de Almacave, onde D. Afonso Henriques realizou as primeiras Cortes para a fundação de Portugal. Talvez disso lhe tenha ficado, simbolicamente, o destino de conquistador. Como o outro, afinal. Em 1960, tornou-se treinador de juniores do F. C. Porto. Estava fadado para a glória e, logo no ano seguinte, com uma equipa formada por, entre outros, António Simões, Fernando Peres, Carriço e Serafim, ganhou o Torneio Internacional de Juniores da UEFA, que era, então, um não oficial campeonato europeu. A façanha fê-lo treinador da Académica. Passaria ainda por Leixões e Varzim. Em meados de 1966 foi contratado, já com aura messiânica, para treinador do F. C. Porto.
Ganhar era a sua sina. Venceu a Taça de Portugal e, no ano seguinte, o F. C. Porto voltou à luta pelo título. Antes de um jogo na Luz, para a Taça de Portugal, caldo entornado. Pedroto haveria de denunciar: «Telefonou-me o presidente a dizer que a viagem de avião ficava mais cara sete mil escudos e não compreendia a razão por que queríamos utilizar o avião. Não podia, disse eu, fazer a guerra e poupar balas e gasolina. Fomos de avião para o jogo com o Benfica, mas regressámos de comboio, em virtude de não se ter marcações de regresso ao Porto!» Os portistas baquearam e Pedroto obrigou todos os pupilos a permanecer em estágio até à partida seguinte, no Lar do Jogador. Em regime de clausura. Custódio Pinto, Américo, Gomes e Alberto desobedeceram, dizendo que não podiam deixar os seus negócios tantos dias ao abandono, porque patrão fora, dia santo na loja... A sorrir o disseram. Pedroto levou a recusa à conta de afronta. E, no dia seguinte, Pinto, Gomes e Alberto treinaram-se com a equipa de reservas, enquanto Américo era sujeito a exames médicos.
De fora ficaram no dia em que a maré negra submergia as Antas e a Académica ganhou por 1-0. E, oito dias depois, o empate fatal, outra vez nas Antas, com o União de Tomar, que deixaria o título hipotecado e praticamente sem hipótese de resgate. Pelo que, a 11 de Abril, a Direcção do F. C. Porto decidiu, unilateralmente, afastar José Maria Pedroto do comando técnico da equipa, sendo substituído por António Morais. O treinador despedido exigiu 452 contos, sendo 52 de ordenado de quatro meses (ainda por saldar), 100 contos pela conquista do Campeonato (que com ele no comando seria uma possibilidade...) e 300 contos por danos morais. Em Assembleia Geral, Afonso Pinto de Magalhães faria aprovar moção que impedia Pedroto de voltar às Antas...

A amnistia e o regresso do herói

Durante o tempo em que esteve proscrito nas Antas, Pedroto foi espalhando o perfume da sua glória por Vitória de Setúbal e Boavista. O F. C. Porto continuava, dolorosamente, em travessia do deserto. Por isso, um grupo de associados do F. C. Porto decidiu convocar, para 21 de Março de 1975, uma Assembleia Geral que amnistiasse Pedroto. Sebastião Ribeiro, que fora o autor da proposta que visava que Pedroto nunca mais fosse funcionário do F. C. Porto, ainda tentou a sua defesa. «Os insultos soezes, sem qualificação, não impediram nem impedem aquilo que o coração e a razão determinam que eu diga. Nunca me pautei senão pela única razão de me guiar pelos interesses do F. C. Porto. Fui eu que apresentei a moção que impedia que determinado treinador servisse o F. C. Porto. Moção aprovada, por unanimidade, por milhares...». Dito isso, teve de calar-se, ante a vozearia. O sinal estava dado. Sem surpresa — e até com o voto em jeito de catarse de Setastião Ribeiro — a proposta apresentada por Joaquim Carvalho, tendo como poderosíssima quinta coluna Jorge Nuno Pinto da Costa, Fernando Cabral, Neiva dos Santos, Pôncio Monteiro, Artur Santos Silva, Augusto Silva, José Alcino, José Maria dos Santos, Luís Mota de Freitas e Vítor Cardoso foi aprovada por... unanimidade. Pedroto estava perdoado. E podia regressar.

Desabafo de Pinto da Costa à mesa da pastelaria

Logo após a sua amnistia, Américo de Sá mandou emissários a Pedroto, mas, subitamente, a 31 de Março, o Zé do Boné renovava o contrato com o Boavista. Fê-lo por uma questão moral, mas não era, claramente, esse o desejo do seu coração: «Muito me custa contrariar todos aqueles bons amigos portistas que tanto fizeram pelo meu regresso ao F. C. Porto, mas há um compromisso de ordem moral que me faz continuar onde estou.»
Ao serviço do Boavista, Pedroto mantivera quase até à última jornada acesa a chama do título. O Benfica acabou por ganhar ao sprint. Mas Pedroto venceu a Taça de Portugal. Na Pastelaria Petúlia, a euforia dos boavisteiros atingia o clímax. Pinto da Costa estava entre amigos, à mesa do café, jogando cartas até de madrugada, mas era portista e sofria. Naquele dia as piadas e os remoques deixaram-no em dorido silêncio horas a fio. Hernâni Gonçalves estranhou e perguntou-lhe o que se passava. Pinto da Costa disse apenas que «largos dias tem 100 anos», levantou-se, saiu e prometeu que, no dia seguinte, falaria com Américo de Sá. Falou e recebeu luz verde para tentar convencer Pedroto. Convenceu. Com uma condição imposta pelo técnico: que ele fosse o director de futebol. Foi. E, na casa de Pinto da Costa, Pedroto assinou contrato, batido à máquina ali mesmo por Álvaro Clemente. Depois da histórica assinatura, simbolicamente Pedroto deixou-se fotografar com Alexandre Pinto da Costa. E não escondeu o caminho que era preciso trilhar, custasse o que custasse: «Chegou a altura de estarmos de sobreaviso e verificar que a infelicidade dos árbitros já ultrapassou os limites e que, eventualmente, teremos de adoptar medidas de autodefesa, mas que possam definitivamente acabar com o gozo a que vamos estar sujeitos por aqueles que, não sendo do F. C. Porto, gozam, semana a semana, com as grandes penalidades que nos são sonegadas e os golos irregulares que nos são marcados. Trata-se, realmente, de um gozo até humilhante e que em defesa da nossa dignidade não poderemos deixar que continue.»
O F. C. Porto haveria de ser campeão. Graças à estratégia de afrontação imposta por Pedroto e alimentada por Pinto da Costa. Um tempo haveria em que a fogueira que atearam os chamuscaria. Foi o Verão quente das Antas, quando Américo de Sá afastou Pedroto. Que foi para o V. Guimarães. Regressaria com Pinto da Costa presidente, para lançar o F. C. Porto de dimensão europeia. Com o rosto demudado pela doença que o minava, José Maria Pedroto foi internado, em Janeiro de 1984, num hospital de Londres. O velho lobo sentia-se, enfim, à beira do abismo, cuidando já que aquele era desafio que não conseguiria vencer. Ultrapassando, sempre com classe e drama, obstáculos vários, o F. C. Porto chegou à final da Taça das Taças, cabendo-lhe terçar armas com os multimilionários da Juventus. Em Basileia, Pedroto só estaria em espírito. O F. C. Porto perdeu por 1-2, mas teve o orgulho de cair de pé. Na mágoa da derrota imerecida. Tramada por um árbitro da RDA, chamado Adolf Prokop, que por apitos espúrios evitou que, no toque da taça, Pedroto pudesse protrair a vida ao menos mais alguns dias. A sua última noite foi muito agitada. Mal conseguia já sussurrar. Pelas duas da manhã pediu à sua filha Isabel um cálice de uísque. Bebeu por uma colher. Pouco depois, quis um cigarro. Mãos trementes, não o conseguiu fumar. Deixou-se cair no leito. E às quatro da manhã suplicou um sumo de laranja que mal sorveu. Foram os derradeiros desejos da vida que se esvaía. Morreu pela manhã. No dia 8 de Janeiro de 1985. Ficou sepultado no cemitério de Agramonte, no mausoléu do F. C. Porto.
 
H

hast

Guest
José Maria Pedroto foi uma das figuras ilustres do futebol português. Começou a jogar no Leixões, a tropa levou-o a Vila Real de Santo António. Ao abrigo da lei militar, representou o Lusitano, nessa altura com uma equipa interessante. De tal modo que ao bater, surpreendentemente o Sporting com o Campeonato em fase decisiva, acabou por entregar, em bandeja de prata, o título ao Benfica. Foi de Pedroto o primeiro golo, batendo Azevedo com um tiro de 30 metros, que considerou, pela vida fora, um dos seus golos mais arrebatantes. Por isso recebeu 100 escudos. Era, aliás, o que arrecadava sempre que o Lusitano ganhava. Se empatasse, embolsava 60; se perdesse, 20. E mais nada... O golo a Azevedo retocou-lhe a aura. O Belenenses lançou-lhe o canto de sereia, como o Sporting lançaria a Caldeira. Os dirigentes do clube da «Cruz de Cristo» ofereceram-lhe 25 contos de luvas e mais 25 deram ao Lusitano. Consumou-se a transferência.

Já depois do acordo selado, um director do F. C. Porto colocou-lhe nas mãos um cheque de 80 contos. Bastaria apenas dar o dito por não dito ao Belenenses. Mas não quis voltar com a palavra atrás e para as Salésias partiu. Reinsistiram os portistas, no final de 1952. Como se sentia bem, disse aos emissários que correram a aliciá-lo que só se mudaria se lhe dessem a astronómica verba de 150 contos. Estava empregado na Hidro-Eléctrica do Zêzere, muito bem pago para empregado de escritório, o Belenenses também não pagava mal, por isso... Os dirigentes do F. C. Porto correram às Salésias, oferecendo 500 contos. Embasbacaram os outros. E assim se fez a transferência-record do futebol português. Para o Belenenses, 335 contos; para Pedroto, mais que os 150 que ele exigira.
 

jsm

Tribuna
29 Abril 2007
3,318
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Obrigado hast pelas belas páginas dedicadas ao Pedroto! A primeira pessoa que me falou dele foi o meu pai. Na altura ele disse-me: \"O Porto foi grande com grandes jogadores, havendo quem diga que o Hernâni foi o maior, mas para mim o maior de todos foi o Pedroto!\"
 
H

hast

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A 9 de Julho de 1960, José Maria Pedroto, foi o primeiro classificado estrangeiro, no curso de treinadores da Federação Francesa de Futebol.
 

admin

Tribuna Presidencial
14 Julho 2006
38,239
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Cascais, 1966
> hast Comentou:

Obtido em \"http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedroto\"

....que foi elaborador com base num arquivo histórico do Portal dos Dragões :)
 
H

hast

Guest
Algumas histórias de Pedroto

1974
Era o outro grande desafio de Pedroto — a Selecção. No sonho do apuramento para o «Europeu». Mas desabaram os Alpes sobre uma casinha de cristal! Que decepção! E Portugal foi desfeiteado, em Berna, pela Suíça: 0-3. A Selecção contou com Damas; Artur, Humberto, Barros e Osvaldinho; Vítor Martins, Octávio e João Alves; Nené, Romeu e Oliveira. Pedroto considerou que os seus pupilos até estavam de... parabéns! Por terem lutado com muita dignidade. Sob maus auspícios se estreou, pois, João Alves, que desejou que depois disso passasse a ser apenas o João e não conhecido por ser neto de... Carlos Alves.
Os ingleses chacotearam: «que a Selecção portuguesa funcionava pior que os seus serviços telefónicos» e que os espectadores que se deslocassem a Wembley «levassem bloco de notas e lápis para não perderem os golos». Houve logo quem aguçasse as garras ou quem pedisse a cabeça do técnico. E oito dias depois preparado estava o ambiente para a humilhação ainda mais cruel. Em Londres. Enganaram-se. Em Wembley houve Portugal de... coragem. Depois do desastre de Berna, Pedroto, num arrojado voto de confiança, manteve a equipa. Não se arrependeu. O empate a zero valeu a cada jogador 20 contos.
Os ingleses nem queriam acreditar: Pedroto recusou-se a dar-lhes os nomes dos jogadores que lançaria para a batalha de Londres, atirando, de orgulho ferido mas espírito de... magriço: «Se vocês mandam os espectadores levar muitas folhas de papel para o estádio, o que lhes interessa saber os nomes dos nossos jogadores? Devem é levar os nomes dos vossos e fazer um risquinho à frente deles por cada golinho marcado... Isto é para ficarem a saber que eu não colaboro em brincadeiras de mau gosto. O futebol é, para mim, uma coisa muito séria. E eu detesto palhaçadas!» Vingada a afronta, após a partida, Pedroto emocionado, desabafou: «Os rapazes foram 11 irmãos a lutar e a jogar.»

1975
Antes da «Revolução dos Cravos», vivia o Vitória de Setúbal, sob o signo de Pedroto, num «mar de rosas». Mas antes mesmo da marcha triunfal dos «capitães de Abril», o treinador bateu com a porta, num gesto de coragem, em nome da... liberdade e do direito de os jogadores serem homens de pleno direito, contestando um regulamento interno que exigia que, para darem entrevistas e casarem, tivessem de ter autorização dos... directores.

1976
Com o ano à beira do fim, o F. C. Porto de Pedroto, apesar de um ou outro tropeção e de sete pontos de atraso em relação ao Sporting, aquecia-se no fogo ténue da esperança. Mas, no Bonfim, um final em sururu. O F. C. Porto ganhara por 1-0, golo de Cubillas, mas Pedroto, intempestivo, dirigiu-se, em jeito de ferrabrás, a um dos fiscais de linha do lisboeta Adelino Antunes.
Altercação e nervos à flor da pele, do treinador se abeirou Diamantino (esse mesmo que haveria de brilhar como jogador do Benfica), disse ele com o intuito de acalmar Pedroto, confusão ainda mais grossa, bancadas em ebulição e... uma bofetada do técnico portista no jogador sadino! Um vulcão. Os adeptos do Vitória montaram o cerco à cabina do F. C. Porto. Deixaram que os seus jogadores saíssem sem os incomodar, mas Pedroto. esse, pressentindo a borrasca, ficou retido na cabina, não fosse o Diabo tecê-las... Muito tempo depois, o treinador do F. C. Porto acabaria por abandonar o Bonfim disfarçado de polícia! E certo foi que o polícia que lhe cedeu a farda não saiu disfarçado de Pedroto...
 
T

Timofte 2-3

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O melhor treinador da história do Futebol Clube do Porto. A frase dele que mais me marcou é esta: \"daqui a muitos anos as pessoas vão questionar-se se o FCP não se cansa de ganhar\". Um homem visionário tal como Pdc, muito à frante do seu tempo.
 
F

fcporto87

Guest
\"Daqui a 20, 30, 40 ou 50 anos, se houver alguma revolução, poderemos aspirar à tal descentralização que nunca veio, e que leva a que tudo se faça para que o título de campeão fique em Lisboa\".

José Maria Pedroto - Jornal de Notícias
 

Henri

Bancada central
25 Abril 2007
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Faz hoje 24 anos: José Maria Pedroto, talvez o treinador português mais reconhecido de sempre, é vencido por um cancro e acaba por falecer.

Grande mestre, o dragão derrama lágrimas douradas pela sua ausência !
 

fcporto56

Tribuna Presidencial
26 Julho 2006
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Sacramento
Um grande treinador e um grande lutador com uma visao extraordinaria.Infelizmente morreu antes do tempo.Ainda tinha muito que fazer.