Recordando Hernâni

fcporto56

Tribuna Presidencial
26 Julho 2006
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Sacramento
Nome Hernâni Ferreira da Silva
Nacionalidade Portugal
Data de Nascimento 1931-09-01
Naturalidade Águeda - Portugal
Posição Avançado
Altura -
Peso -
Web
Clube Falecido

CARACTERÍSTICAS
Foi um dos mais famosos jogadores de futebol da História do Futebol Clube do Porto. Em 277 jogos para o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, marcou 136 golos, alguns deles a revelar a arte e a superior capacidade com que driblava em velocidade, sempre em direcção à baliza.

Interior direito, no começo, armador de jogo na segunda parte da sua carreira, exímio nos passes certos, Hernâni jogava com a «inteligência toda».

Num Académica-Porto, em 1956/57, marcou um dos mais belos golos do seu historial. Apoderara-se da bola, ainda no meio campo portista, ultrapassa os médios da Académica, sempre em alta velocidade, saem-lhe os defesas a caminho, também eles a falhar nos argumentos...

Ramin vê o perigo, sai da baliza, mas quando dá o segundo passo, Hernâni, descaído sobre a esquerda, remata forte, com a parte de fora do pé direito, ainda fora da área, e coloca-lhe a bola no fundo da baliza.

Na bancada central estava o saudoso médico da Mealhada, Dr. Dias dos Santos, um fervoroso adepto academista. Ao ver a facilidade e a velocidade com que Hernâni se aproximava da baliza da sua Académica, levanta-se aos gritos: «Querem ver que o cavalo mete golo, querem ver que o cavalo mete golo!»

E é que meteu mesmo.

O próprio Hernâni considerou-o um dos golos mais bonitos do seu historial de jogador.

Essa facilidade com que driblava, em zig-zagues curtos e em velocidade, foi um dia realçada por Alves dos Santos no seu programa televisivo «Domingo Desportivo».

Disse Alves dos Santos aos «Senhores telespectadores» que reparassem na magistral jogada de Hernâni a construir e depois a oferecer o golo, quase feito, ao seu colega António Teixeira.

Foi no Barreiro. Hernâni em jogada semelhante a do Académica-Porto, também ele partiu uns metros à frente da sua área, foi driblando um a um, todos quantos encontrou, quase sempre em linha recta, e já dentro da área adversária, toca a bola para Teixeira que seguia à sua direita para fazer o golo.

Poucos meses antes de morrer Hernâni ouviu de um amigo e fidelíssimo dragão palavras de grande elogio. Hernâni ouviu a recordação de alguns dos seus melhores golos.

Orgulhoso (para quê a falsa modéstia?) Hernâni rematou:
-Sabe, até Eusébio tinha grande admiração por mim, tratava-me por «Sr. Hernâni».

(O «Rei» Eusébio estava no princípio do seu reinado, quando o jogador portista preparava a sua despedida do Futebol).

Hernâni viva desafogadamente quando a morte o levou, a 5 de Abril de 2001.
Inteligente na arte do futebol, inteligente na sua conduta como homem, como industrial, como comerciante.

Teve sempre os seus magníficos pés no presente, e os olhos bem abertos no futuro.


copyright © zerozero.pt
Posição
 
C

Costinha

Guest
O meu falecido avô dizia-me que se o Hernâni jogasse num dos clubes da capital iria ser transformado em herói nacional tal e qual como o Eusébio...
 

Drakonyaz

Tribuna
18 Julho 2006
2,557
1
Câmara de Lobos, 1975
Para grande pena minha, não tive oportunidade de vê-lo jogar, pois nasci uma decada depois dele ter terminado a carreira, mas pelo que li, foi um dos grandes jogadores portugueses, havendo quem afirme mesmo que ele foi o melhor de todos.

HERNANI Ferreira da Silva – 01-09-1931 – Rec. Águeda (…-50) – FC PORTO (50-51) – Estoril (51-52) – FC PORTO (52-64)

FORÇA FC PORTO!!!
 

admin

Tribuna Presidencial
14 Julho 2006
38,239
5
Cascais, 1966
> Costinha Comentou:

> O meu falecido avô dizia-me que se o Hernâni jogasse num dos clubes da capital iria ser transformado em herói nacional tal e qual como o Eusébio...


Pois é Costinha. O Hernâni e mais uns quantos que constam da nossa galeria de ilustres.
 
O

olduser-1

Guest
Fantástico Mário Faria. É preciso ter mesmo muitos anos de Porto para descrever com clareza os pontos fracos e fortes do nosso clube e dos nossos jogadores a tempos tão distantes. Estas intervenções são importantes para os mais novos, fartos de ouvir falar nos 5 violinos ou no pantera negra, mas nunca em Carlos Duarte ou Hernâni. Só entre portistas, devido a uma comunicação social essencialmente míope, é que podemos recordar muitas das nossas glórias. Estes testemunhos são valiosos. Era bom que um dia os pudéssemos ligar a um album fotográfico (e, quem sabe, fonográfico também).

Obrigado.
Um abraço,
Bom ano Novo
 

COTADRAGÃO

Tribuna Presidencial
25 Novembro 2006
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119
Porto
> Gaspar Santos Comentou:

> Há coisas da breca!

Um dia destes ao passar na Rua Antero de Quental deparei na montra de uma casa de molduras com uma foto da equipa Campeã Nacional de 1958-59 numa moldura. Não resisti, entrei e comprei-a.
Naqueles tempos não havia fotos a cores, mas a partir duma foto a preto e branco havia quem a colorisse numa espécie de fotomontagem. É desta forma que a foto aparece com os jogadores com as faixas de campeão e o equipamento azul e branco.
Lá estão os heróis: Acúrcio, Luís Roberto, Miguel Arcanjo, Monteiro da Costa, Barbosa, Virgílio, Carlos Duarte, Hernâni, Noé, Teixeira e Osvaldo Silva.


Deve ter sido na Moldurava(?). Um enorme portista esse senhor.
 

COTADRAGÃO

Tribuna Presidencial
25 Novembro 2006
8,227
119
Porto
Caro Gaspar Santos:

Tenho duvidas no nome da casa Moldurama ou Moldurava. Mas o senhor, grande portista, è um poeta azul e branco.
 

admin

Tribuna Presidencial
14 Julho 2006
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Cascais, 1966
Gaspar,
um dia que vá ao Porto tens de me dizer onde são essas lojas...vou andar à procura de coisas antigas sobre o FCP! Vale a pena!
 

fcporto56

Tribuna Presidencial
26 Julho 2006
7,173
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Sacramento
> Tripeiro4ever Comentou:

> Gaspar

O meu muito obrigado pela tua atenção. Claro que eu queria mais 92 anos para o meu avô. principalmente estando ele ainda com vida (gosto pela vida) sóbrio e em bom estado físico considerando a idade. Acredita que é fascinante escutar as enumeras peripécias que ele me conta acerca da cidade e do FCPorto. Quando leio alguns dos nossos amigos do fórum a descrever as enumeras injustiças, medos e complexos que tivemos de enfrentar durante décadas confirmo tudo isso com o que sempre escutei do meu avô e pai. Por isso muito aprecio todas os comentários que falam da Historial do nosso Clube.

Das coisas que mais aprecio na minha cidade é a história que ela guarda ao virar de cada esquina. Ai se s paralelipipedos das ruas falassem. As Igrejas , as Ordens Religiosas. As balas dos canhões napoleónicas embutidas nas paredes das igrejas na Sé. Enfim o nosso Porto transpira e respira a história que ajudou a construir o nosso Portugal. As revoluções o nosso espírito revolucionário! O nosso inconformismo! Onde estará tudo isso?

Será que teremos de nos manter inócuos? Será que a nossa voz não se fará mais ouvir? É por isso que se o FCPorto assume para mim um valor desportivo absoluto também assume uma forma de resposta a todo este Porto que sinto perdido.

PS: Desculpem o off topic ... foi a alma a libertar-se...

............................................................
O teu avo viu jogar o Pinga,Valdemar Mota,Araujo?Quais sao as recordacoes dele sobre esses jogadores?
 

rpsc

Bancada lateral
29 Agosto 2006
964
0
Vila Nova de Gaia
> COTADRAGÃO Comentou:

> Caro Gaspar Santos:

Tenho duvidas no nome da casa Moldurama ou Moldurava. Mas o senhor, grande portista, è um poeta azul e branco.

A casa chama-se Moldurama. A minha mãe trabalha lá perto e hoje fui almoçar com ela e comprovei. De facto, volta e meia(nas vitórias do nosso clube e nas festas da cidade, S.João, etc) eles enfeitam a montra de tal forma que muitas pessoas ao passarem ficam especadas a olhar para tal beleza e inclusivé chegam mesmo a tirar fotos.
São portistas a 100%!
 

leonel castro

Arquibancada
22 Fevereiro 2007
442
16
Mirandela 1971
Estou confunso porque há dois meses atrás estive a jantar com uma pessoa que se dizia
fiho de Hernâni; e eram naturais de Vale Frexoso-Vila Flor- Tras os montes.
 

admin

Tribuna Presidencial
14 Julho 2006
38,239
5
Cascais, 1966
> fcporto56 Comentou:

Será que teremos de nos manter inócuos? Será que a nossa voz não se fará mais ouvir? É por isso que se o FCPorto assume para mim um valor desportivo absoluto também assume uma forma de resposta a todo este Porto que sinto perdido.

Tentei, no Portal dos Dragões, incluir na galeria de famosos alguns dos jogadores anteriores às decadas de 60. Faltarão ainda alguns, mas foi feito um esforço. E que tal recolhermos entre nós esta informação, com a ajuda de pessoas que conhecemos e que ainda se lembram desses símbolos passados.

Está certo que o clube conheceu o seu auge nos últimos 25 anos, mas...temos mais de um século de história.
 
H

hast

Guest
Não era jogador enleante, capaz de se perder a desenhar figuras geométricas com a bola sobre o terreno. Antes pelo contrário. Toda a sua acção se destacava pelo ardor, pela agressividade característica de um aguçado temperamento latino. Dominando muito bem a bola, tinha o sentido do ataque e, quer a extremo quer mesmo a
interior-direito ou a avançado-centro, era sempre de uma utilidade pouco vulgar. Por isso se dizia que era, no seu tempo, a estrela polar do F. C. Porto.
Mal começou a dar os primeiros passos, seu pai, jogador de basquetebol no Recreio de Águeda, levava-o, garboso, a assistir a todos os seus treinos, a todos os seus jogos. Mas para o basquetebol não mostrava nenhuma inclinação — e ainda menor sedução. Do pai recebera, contudo, paixão quente pelo Benfica, de tal forma que, catraio ainda, mal sabendo articular as palavras, dizia, com pompa, do alto dos seus botões, a quem o quisesse ouvir, que era «benfiquista até à medula». Foi crescendo. Com uma obsessão, ser jogador de futebol, para imitar os seus ídolos, Francisco Albino, Francisco Ferreira e Pinga, de quem, dizia sempre só ter um defeito, não jogar no Benfica.
O destino tem coisas assim. Hernâni começou a jogar à bola no Futebol Clube de Águeda — dizendo que a sua carreira começara com um desgosto, jogar de azul e branco. Se era desgosto, não era empeço. As notícias do seu talento depressa alastraram. Um dia chegou a Águeda, com aquele secretismo que sempre acompanhava, então, os primeiros contactos com jogadores promissores, Soares dos Reis, que fora guarda-redes do F. C. Porto nos anos 30. Perguntou onde era a casa de um tal Hernâni. Alguém lho disse. À porta surgiu a mãe, D. Aurora, que já sabia ao que vinha o emissário. Disse-lhe que fora engano, que não tinha nenhum filho chamado Hernâni e muito menos jogador de bola. E ao filho proibiu-o de sair de casa durante dois dias, não fosse o Diabo tecê-las...
Tinha 16 anos. Pouco depois, dois emissários do Benfica, sabedores já da investida portista, procuraram o pai de Hernâni, que ficou até com dinheiro para as passagens de comboio, em primeira classe, de Águeda para Lisboa. Ao saber que o filho estava de abalada para o Benfica, a mãe entrou em depressão e Hernâni, vendo-a assim, desistiu da aventura, pedindo ao pai que devolvesse o dinheiro que tinha ficado para as passagens. Assim fez.

O desvelo da mãe e o privilégio da tropa

Dois anos se passaram. O F. C. Porto não desistiu. Alberto Augusto — o célebre batatinha, que jogara no Benfica e era irmão de Artur Augusto, o primeiro internacional portista, em jogo contra a Espanha, em que também alinharam Cândido de Oliveira e Ribeiro dos Reis — era o treinador portista. Decidiu, ele próprio, ir a Águeda falar com D. Aurora, pedindo-lhe que não permitisse que o seu desvelo de mãe destruísse o destino do filho, fadado para altos voos. A senhora impressionou-se e aquiesceu, mas com uma condição: que Hernâni, então com 18 anos, continuasse a viver em casa, em Águeda.
Com uma emoção confusa, feita de medo e ilusão de glória, Hernâni estreou-se, pelo F. C. Porto, contra o Estoril, substituindo Araújo. Como se houvesse nisso, simbolicamente, passagem de testemunho. Marcou um golo e ficou lançado. Com pábulo para o sonho. E prazer no sofrimento de ter de fazer, duas vezes por semana, 150 quilómetros de automóvel para ir treinar-se à Constituição.
Numa manhã de 1952, o carteiro deixou na casinha do bairro da Venda Nova, em Águeda, uma carta que sobressaltou toda a família — Hernâni estava convocado para o Regimento de Cavalaria 7, em Lisboa. Teve de partir. E foi jogar para o Estoril. No final dessa época transferiram-no para Santa Margarida, pelo que regressou, naturalmente, ao F. C. Porto. Apenas poderia treinar-se uma vez por semana, na Constituição, estando obrigado a entrar no quartel logo após os jogos para que fosse dispensado, mesmo que madrugada dentro. Era um pequenino privilégio que agradecia muito...
Quando ainda estava no Estoril, o Sporting convidou Hernâni a integrar-se na sua equipa numa histórica digressão ao Brasil. Nessa viagem fez amizade forte com Mário Wilson. Mas, por vezes, no calor da luta, há sentimentos que se apagam. Foi o que aconteceu numa tarde em que os deuses pareciam querer evitar que Hernâni ganhasse o seu primeiro Campeonato Nacional da I Divisão, durante dramático jogo entre o F. C. Porto e a Académica, então treinada por Cândido de Oliveira. Ramin, o guarda-redes conimbricense, defendia tudo, de súbito o árbitro assinalou uma grande penalidade. Houve jogadores do F. C. Porto que viraram as costas. Ninguém queria apontar. A espinhosa missão coube a Hernâni. Que não se fez rogado. «Foi o penalty mais fácil de marcar na minha vida. Quando o árbitro assinalou a grande penalidade gerou-se a habitual confusão, eu fugi do barulho para não me enervar. Mário Wilson, com aquela habitual calma, veio junto de mim e, num tom de chalaça, disse-me que iria atirar a bola para fora. Repetiu a frase e quando se preparava para a lançar pela terceira vez, respondi-lhe com meia-dúzia de asneiras, agastado com ele. Retirou-se. No final do jogo, naquele momento emocionante de festa indescritível, abraçou-me e, comovido, disse-me que não sabia que eu era tão malcriado...»

Hernâni e Yustrich ao soco...

Era uma tarde fria e cinzenta de 1958. O F. C. Porto acabara de golear o Oriental por 5-0. Yustrich mandou os seus pupilos agradecer ao público o apoio que lhes tinha sido dado. Todos cumpriram a ordem menos Hernâni, que não estava para alimentar as palhaçadas do treinador, com quem mantinha, havia muito, relações frias e fricções ardentes. E, só, encaminhou-se para o túnel. Yustrich, furibundo, foi no seu encalço. Trocaram palavras azedas, o treinador replicou a soco. Hernâni reagiu à... canelada. E, depois, com um murro, feriu-o no sobrolho. Já na cabina, Yustrich pegou numa balança para a arremessar contra o jogador que se rebelara contra os seus caprichos, contra o seu nepotismo. O episódio dividiu o Porto. Um mês após a natural suspensão de ambos, tentando que o F. C. Porto não perdesse o Campeonato, até porque a própria equipa se dividira, com reflexos imediatos nos resultados, a Direcção levantou as penas. Mas já não seria a tempo. O F. C. Porto entregara o ouro ao bandido. E se Yustrich nada mais ganharia no clube, Hernâni ainda teria uma mão-cheia de glórias à sua espera...

Fugir da prisão

No arranque para a temporada de 1966/67, o F. C. Porto convidou José Maria Pedroto para seu treinador. Aceitou, mas exigiu que Hernâni fosse o seu director de futebol. Hernâni aquiesceu. Pôs a sua actividade de comerciante em banho-maria e arrancou, empolgado, para o desafio, como lugar-tenente do seu grande amigo. O fito era recolocar o F. C. Porto na senda da vitória. O sonho só se perdeu na praia. Num jogo na Luz. Derrota por 0-3 e os portistas bradando contra o árbitro, que disseram ter sido, nessa tarde, o... «Eusébio do Benfica».
De escaramuças várias se fez o jogo. Ao intervalo, o juiz da partida, Samuel Abreu, solicitou a um polícia de serviço que o acompanhasse à cabina do F. C. Porto para identificar o delegado ao jogo. Lá foi um subchefe, procurando pelo sr. Hernâni, mas em vão. Alguém lhe disse que o homem que procurava deixara já o Estádio da Luz, correndo para Santa Apolónia para apanhar o primeiro comboio para Águeda. O agente correu para a estação. O comboio acabara de partir. Hernâni livrou-se da ordem de prisão. Mas não da justiça exemplar da FPF, que fazendo fé no relatório do árbitro, o suspendeu por um ano. Tão injustiçado se julgou que nunca mais quis nada com futebóis. Comerciante ficou. Apenas.
 

fcporto56

Tribuna Presidencial
26 Julho 2006
7,173
0
Sacramento
Hmmm,nao sabia de todos esses detalhes de como o meu primeiro idolo no futebol foi ter ao FCPorto.Tambem nao sabia da historia ,(embora nao me surpreenda,ja que foi sempre um fdp) do Mario Wilson tentar distrailo,para que o Hernani falhace um penalty crucial,para a primeira conquista do titulo,depois de um jejum de 16 anos.Tambem ja li que o Hernani quando foi fazer tropa para Lisboa se recusou a jogar pelo Sporting,Benfica e Belenenses de ai a razao de ter ido para o Estoril.
 

Kelvin87

Tribuna Presidencial
7 Maio 2007
21,952
362
O meu avô diz que foi dos jogadores mais completos de sempre do futebol português, um craque que hoje dia andaria pelo barcelona ou real madrid.
 
H

hast

Guest
O melhor jogador português de sempre!

Hernani terá sido um dos jogadores mais completos do futebol português. É, ainda hoje, um dos mais emblemáticos do FC Porto. De seu nome completo Hernâni Ferreira da Silva, nasceu em Águeda em 1930 e ali se manteve até aos 19 anos. Veio então para o Porto e aqui ficou para sempre. Foi um jogador fantástico, talvez o melhor da sua geração. Há até quem diga que, a par de Pinga, o melhor de sempre. Polivalente, fazia quase todos os lugares do meio-campo e até do ataque, na direita, no centro ou na esquerda. Era sobretudo um construtor de jogo, exímio no passe, no lançamento longo, na finta e no cruzamento, mas também finalizava com assiduidade - marcou mais de 100 golos ao longo da sua carreira, dos quais 26 numa só época. Jogava no Recreio de Águeda quando o FC Porto reparou nele. Daí até à Constituição, foi um pequeno passo. O jogo de estreia ocorreu a 10 de Setembro de 1950, contra o Estoril, que a equipa \"azul-e-branca\" venceu por 4-3. Começou bem, pois logo nesse encontro marcou um golo. A partir daí e ao longo de 15 anos, Hernâni foi uma das figuras mais preponderantes da equipa. Ao lado de Pedroto, fazia uma \"dupla\" que se conhecia quase \"de olhos fechados\", num \"onze\" em que sobressaíam grandes nomes da história do clube, como Perdigão, Miguel Arcanjo, Gastâo, Monteiro da Costa ou Jaburu. Foi um período em que o FC Porto quebrou o ciclo de vitórias das equipas de Lisboa. Venceu dois Campeonatos Nacionais, em 55/56 com Yustrich e em 58/59 com Bela Guttmann, Hernâni marcou 10 golos no primeiro título e 15 no segundo. Para além das suas qualidades como jogador, destacava-se também por ter um carácter forte, baseado em fortes princípios morais. Não admitia ser ofendido e respondia de imediato aquem o pusesse em causa. Ficaram célebres os problemas com o treinador Yustrich, que incluíram confrontos físicos, mas a sua influência no esquema de jogo era tão grande que nunca saiu da equipa. Célebre ainda foi um Sporting vs FC Porto em que marcou um grande golo, anulado pelo árbitro, um tal Inocêncio Calabote, por já ter apitado para o intervalo (!). Hernâni, de cabeça perdida, chamou-lhe de tudo, mas a intervenção de Pedroto e o peso na consciência do árbitro do famoso Benfica-Cuf dos 7-1, fizeram com que não fosse expulso. Ao longo da sua carreira e depois de chegar ao FC Porto, nunca abandonou a cidade invicta. Teve apenas uma curta passagem pelo Estoril, por causa da tropa, mas mesmo aí estabeleceu como condição não jogar contra o seu clube de sempre. Hernâni deixou de jogar em 1964. Na última época, já não foi o titular indiscutível dos anos anteriores, mas ainda foi convocado para a Selecção Nacional, na qual se estreava em 1953 contra a África do Sul (28 internacionalizações). Depois de abandonar a carreira, aos 34 anos, continuou a dedicar-se ao clube. Jogou na equipa das \"velhas guardas\" desde 1967 e exerceu funções directivas no departamento de futebol.

in «TribunadoFutebol»
 

Jim

Bancada lateral
24 Julho 2006
644
3
Paz a sua alma e à do seu compadre Domingos Eugénio Guimarães que um dia no restaurante a tia matilde, em lisboa, viu entrar o Eusébio, gritou: viva o melhor jogador português de todos os tempos..... (aplausos)... a seguir ao Hernâni!!!!!
 

fcporto56

Tribuna Presidencial
26 Julho 2006
7,173
0
Sacramento
Ja ouvi essa historia do Hernani e Calabote.Segundo consta o Hernani chamou fdp ao Calabote e o Pedroto sentindo que o amigo Hernani ia ser expulso disse\"e pa, nao fales assim da minha mae\"altura em que o Calabote interrompeu e disse,voces do norte julgam-se muito espertos, mas acabou por nao expulsar o Hernani.
Falando do Hernani e Eusebio, nos anos 60 pouco tempo depois do Benfica ter perdido uma final da Taca dos Campeoes contra o Manchester United fui ver um amigavel jogo entre o Benfica e o Boca Juniores em San Francisco.No fim do jogo toda a gente queria cumprimentar o Eusebio eu incluido.Quando tive a minha oportunidade disse-lhe que o admirava muito, mas que era adepto do FCPorto e de que o Hernani tinha sido o meu primeiro idolo.Ele respondeu que o Senhor Hernani tinha sido um grande jogador!Nunca me esqueci disto.
 
H

hast

Guest
Em 277 jogos para o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, marcou 136 golos, alguns deles a revelarem a forma como driblava em velocidade, sempre em direcção à baliza. Um avançado temível, considerado por muitos o mais completo jogador de sempre do FC Porto. Um esteio da equipa que dominou a segunda metade da década de 50, conquistando dois títulos nacionais (55/56 e 58/59) e uma Taça de Portugal. Os \"Campeões de Yustrich\" tinham em Hernâni a sua maior referência.
Hernâni ouvia constantemente a recordação de alguns dos seus melhores golos. Orgulhoso, dizia: \"Sabe, até Eusébio tinha grande admiração por mim, tratava-me por Sr. Hernâni\" (Eusébio estava no início da carreira quando Hernâni preparava a sua despedida do futebol).