Hoje o nome de Mateus Mide é conhecido no universo do futebol, mas no início de 2022 o jogador eleito o melhor do Mundial sub-17, conquistado por Portugal esta quinta-feira no Qatar, era apenas um miúdo em evidência nos sub-14 do FC Porto. Um escalão acima, Nuno Pimentel orientava os jovens dragões dos sub-15 e, em dias frios daquele janeiro, decidiu promover Mateus Mide e um colega, Tomás Peixoto.
O atual adjunto de Pedro Emanuel no Al Fayha, na Arábia Saudita, que também orienta os sub-21 do clube, observava aquela geração de sub-14 e, “em função do potencial e qualidade que já demonstrava”, entendeu, juntamente com o clube, que era tempo de elevar Mateus Mide a um novo nível. “Ele passou a integrar o nosso plantel e foi conquistando o seu espaço. Nós jogávamos sobretudo em 4x4x2 e ele fazia um papel de segundo avançado, jogador móvel… Ele tem de ver o jogo de frente. Num 4x3x3, para mim, não será ele o ponta-de-lança”, começou por contextualizar, justificando a promoção: “Ele precisava de sentir mais dificuldades, a atacar e a defender. Nessa altura ainda não tinha dado o salto maturacional, quase que dava pelo umbigo de alguns adversários. Ganhou agressividade, ganhou intensidade e dava uso à sua inteligência.”
O treinador, que em Portugal também foi adjunto no V. Setúbal, no Belenenses e no Santa Clara, integrou Mide numa equipa que já incluía outra promessa dos azuis e brancos, um ano mais velho, Rodrigo Mora. “Já sobressaía também. Alguns outros jogadores dos atuais juniores também, como o Léo Fajardo, o Tiago Silva, Filipe Sousa e, talvez dos jogadores que mais tenha crescido, o André Miranda”, destacou Nuno Pimentel, que não via problema em alinhar Mide e Mora no mesmo onze: “Como jogávamos em 4x4x2, o Mora atuava mais sobre a esquerda, de fora para dentro, e o Mide fazia dupla com outro avançado. Mas coabitavam naturalmente, faziam algumas permutas… Eles falam a mesma linguagem.”
Essa sintonia, assegura o técnico, reflete-se em traços comuns no plano técnico, pessoal e até familiar entre os jovens. Em termos de jogo, Mide reúne um perfil capaz de proporcionar variadas soluções à sua equipa. “O Mateus tem uma grande capacidade de encontrar os espaços e tem outra coisa diferenciadora, que é a capacidade de pensar rápido e bem. Parece que as coisas são fáceis, porque ele tem uma grande velocidade de execução. Também o vejo a jogar sobre uma ala, mas sinceramente é mais alguém que tem de ter liberdade para encontrar o jogo. Tem grande capacidade de definição e finalização, mas, na minha opinião, não para jogar como ponta-de-lança”, afirmou.

