FC Porto

“Clássico com o Benfica? Quem tem muito a perder é o Benfica”

Domingo promete ser uma tarde intensa em Lisboa: o Estádio da Luz acolhe o Clássico entre o Benfica e o FC Porto, referente à 25.ª jornada da I Liga, um encontro que poderá revelar-se determinante na luta pelo título.

De um lado está a formação que lidera o campeonato; do outro, uma equipa que ocupa o terceiro lugar, a sete pontos do primeiro posto, e para a qual o campeonato é, neste momento, a principal oportunidade de redenção numa época aquém das expectativas.

Em declarações exclusivas ao Desporto ao Minuto, Jorge Amaral, antigo jogador dos azuis e brancos, antecipou o Clássico e afirmou esperar um duelo distinto daquele disputado na quarta-feira em Alvalade, pela Taça de Portugal, onde o FC Porto saiu derrotado por uma margem mínima frente ao Sporting.

O antigo internacional português prevê que o Benfica assumirá protagonismo e frisou que uma derrota dos dragões não seria motivo de vergonha, lembrando que o campeonato ainda tem muito por decidir.

“O Sporting-FC Porto para a I Liga e este para a Taça distam mais de seis meses. O Sporting já sabe como é que o FC Porto joga, e vice-versa. Há seis meses, aquilo que o FC Porto tinha de pôr em campo era um pouco ainda desconhecido. A frescura dos jogadores também era diferente, tudo era diferente. Hoje, se nos lembrarmos, esse foi um jogo repartido, houve balizas. Neste jogo houve muito pouca baliza de ambos. Agora, e para o jogo do Benfica, temos de ver que o FC Porto tem uma maneira que eu penso que está identificada. O FC Porto entra para ganhar e consegue, por norma, fazer um primeiro golo. São raras as vezes em que isso não aconteceu, durante a época. Depois, tenta ir fazer o segundo, não de uma forma sôfrega. Se não o consegue fazer, fecha-se e tenta segurar o 1-0”, referiu Amaral.

“Eu penso que é essa estratégia que vai passar no jogo da Luz. Quem tem muito a perder é o Benfica. O Benfica é que tem que ser o protagonista do jogo. Eu penso que o Farioli não vai mudar muito a estratégia do jogo. Se calhar em vez de jogar com o Alan Varela no meio dos centrais, como jogou em Alvalade sem bola e, depois, o Varela com bola subia ao meio campo, vai apostar num 4-3-3 habitual, com e sem bola”, destacou ainda.

“É muito prematuro pensarmos no que é que vai acontecer. Há formas de se perder. Há formas como se perde e, às vezes, são aproveitadas em termos futuros. Perder o jogo na Luz não é desprestigiante. Para o campeonato, o FC Porto empatou um jogo em que o Benfica não saiu do seu meio-campo, jogou só para defender a sua baliza. Depois, no jogo da Taça, o Benfica foi eliminado no Dragão, onde só começou a jogar, aparentemente, quando estava a perder. Um bocadinho à imagem do que o Sporting fez também para a Taça”, retorquiu.

Amaral recordou ainda que alguns reforços do FC Porto continuam a aclimatar-se ao modelo de Francesco Farioli e apontou o Sporting de Braga como potencial interveniente na disputa pelo título.

“Há jogadores que estão a entrar na equipa e que jogaram em Alvalade, por exemplo, e que ainda estão apalpar terreno no FC Porto que são o Moffi e o Fofana. São dois jogadores que podem vir a acrescentar alguma coisa à equipa e que não estão totalmente com a ideia que se pretende, talvez mais o ponta de lança do que o médio, que tem entrado bem. Vai ser um jogo de cada vez, porque é um mês de março muito complicado. Farioli vai ter de fazer uma gestão muito grande”, sustentou o ex-jogador dos dragões.

“Ainda há muito campeonato, porque há jogos dos nossos adversários muito difíceis. O Sporting de Braga é capaz de ter um papel muito importante nisto tudo. E ainda há um Sporting-Benfica. Tudo é muito prematuro ainda. Se, eventualmente, o FC Porto não perder no próximo domingo, acredito que dá um passo muito grande para que se possa manter este primeiro lugar até ao fim do campeonato”, alvitrou.

O antigo internacional comentou também a nomeação de João Pinheiro para arbitrar o Clássico na Luz, observando que Cláudio Pereira evidenciou alguma nervosidade no encontro da Taça em Alvalade.

“O João Pinheiro é um árbitro com muita experiência. A nível nacional não tem andado em grandes jogos este ano, mas tem feito competições europeias. É um árbitro que, se quiser vai conseguir fazer uma boa arbitragem. Agora, vamos ver o que é que o jogo dá. Os jogadores também têm muitas vezes de ajudarem os árbitros. Não podem enganar tanto os árbitros. Muitas vezes, eles são enganados. O caso do Cláudio Pereira, em Alvalade, é diferente. Foi inexperiência, foi uma pressão muito grande para cima de um jogo que já se previa, muito pesado. Não soube gerir o jogo e não foi bem ajudado pelo VAR”, finalizou.