Ao passarem a eliminatória ganham cerca de 12 milhões de euros e há uma ligeira valorização do plantel. Mas sejamos claros, eliminaram o Bodø/Glimt, que por muito que estivesse a fazer uma Champions histórica, não é propriamente um clube cuja eliminação cause grande impacto ou mude a forma como o resto da Europa já olhava para os jogadores do Sporting. Não foi por termos goleado o Basel por 4-0 em 2015, também nos oitavos, que o nosso plantel passou a ser muito mais valorizado. Agora, mesmo reconhecendo que há ganhos, também há espaço para olhar para isto e perceber onde é que podemos sair beneficiados.
O adiamento do jogo com o Tondela mostrou bem a prioridade que estão a dar à Champions. No imediato, isso ajudou-os claramente nesta eliminatória, porque tiveram mais tempo de preparação e recuperação, mas na teoria pode acabar por prejudicá-los no campeonato. Isto porque transformaram três semanas limpas em três semanas com jogos a meio da semana. O desgaste que evitaram agora vai aparecer mais à frente, numa fase potencialmente decisiva e onde o cansaço tende a pesar mais do que agora devido ao acumular da época.
O calendário que têm em Abril não é nada leve, muito por causa desta qualificação. Olhando de forma concreta para a sequência de jogos, têm a ida a Londres para a Champions, depois recebem o Benfica e poucos dias depois jogam no Dragão para a Taça. Na prática, vão ter um ciclo muito semelhante ao nosso início de março com Alvalade, Luz e Estugarda, mas concentrado em abril com Londres, Benfica e Dragão. Há no entanto diferenças importantes: recebem o Benfica em vez de irem à Luz o que os ajuda, mas têm um jogo decisivo connosco no fim da sequência e não no início e, algo que não é de menosprezar, o jogo do campeonato entre as duas mãos da eliminatória europeia é fora, na Amoreira, ao contrário do nosso que foi em casa. Tudo isto aumenta a probabilidade de desgaste acumulado, perda de pontos e uma eventual quebra de rendimento no jogo do Dragão.
Relativamente à eliminatória com o Arsenal, a ordem dos jogos também pode jogar a nosso favor. Com a primeira mão em Alvalade, é natural que entrem com tudo para tentar levar uma vantagem para Londres, sendo complicado que a eliminatória fique fechada para o Arsenal em Lisboa. Isso deve tornar os dois jogos obrigatoriamente muito intensos pois, se fosse ao contrário, com a primeira mão em Londres e um resultado negativo pesado, poderiam encarar o jogo em casa de forma mais controlada. Assim, o mais provável é termos dois jogos de altíssima exigência física e emocional. Além disso, o contexto do Arsenal na liga inglesa também pode influenciar já que se mantiverem o City à distância, é natural que o Arteta dê ainda mais importância à Champions, apresentando melhores onzes na Europa, gerindo ligeiramente no campeonato.
Resumindo, o percurso europeu deles pode parecer só positivo à superfície, mas o efeito no calendário e no desgaste pode abrir uma janela real para nosso benefício nas competições internas.