Uma eliminação da Final Four da Taça da Liga custa sempre. Não há volta a dar. Um clube como o nosso quer ganhar tudo e os adeptos querem ver a equipa a discutir títulos, ainda por cima contra os maiores rivais, em jogos intensos e que dizem muito a todos nós.
Mas há um outro lado desta história que não deve ser ignorado. Em vez de dois jogos de altíssima exigência física e mental, a equipa vai fazer um estágio de quatro dias, com as famílias presentes, pensado para reabastecer energias, corrigir pormenores, integrar o Thiago, o Oskar, os campeões do Mundo de sub17 e preparar a segunda metade da época com o chip renovado. Num contexto em que estamos em primeiro lugar no campeonato, com alguma margem, esta paragem pode ser tudo menos negativa.
Às vezes é como na vida familiar. Os pais adoram estar com os filhos, adoram brincar com eles, estar presentes, viver tudo intensamente. Mas isso não invalida que, de vez em quando, precisem de sair desse ambiente, descansar, ganhar espaço mental e físico para depois voltar ainda melhores, mais pacientes e mais disponíveis. Esse afastamento momentâneo não significa falta de amor. Significa gestão, equilíbrio e visão a longo prazo.
No futebol é semelhante. Perder um jogo, que claramente não levamos tão a sério como outros, não significa abdicar de ganhar. Significa, em certos momentos, aceitar uma pausa que pode tornar a equipa mais forte no que realmente importa. Menos desgaste, mais tempo de trabalho, mais foco no grande objetivo da época. Este é um clube que joga sempre para ganhar e vai continuar a fazê-lo. Mas nem todas as batalhas perdidas comprometem a estratégia maior. Se esta paragem ajudar a equipa a chegar mais fresca, mais sólida e mais confiante à fase decisiva da temporada, então poderá muito bem revelar-se um daqueles momentos que só mais tarde percebemos como decisivos.