Por isso é que dei de barato a taça da liga e a liga Europa. Pela importância do campeonato e até da taça, porque neste clube nada se dá de barato nem se podem desprezar competições. No entanto o contexto é único! Por isso temos mesmo que ser campeões! Não há volta a dar. E juntar a taça seria muito, muito importante, porque seriam logo mais dois títulos praticamente garantidos.
Eu acho que devemos ser os dois que mais "maluquinhos" parecemos com esta lenga-lenga de fazer a dobradinha desde Dezembro.
O FC Porto está num momento de reconstrução profunda e, nestes contextos, não há atalhos, primeiro é preciso ganhar dentro de portas. Não é uma questão de romantismo ou de querer tudo já, é mesmo uma questão estrutural do futebol português.
Neste campeonato, quem ganha de forma consistente não ganha só pontos, ganha influência. E essa influência traduz-se em tudo, na forma como os adversários te abordam, na forma como o ruído mediático se constrói, na pressão que existe à volta dos jogos, na margem que o próprio clube passa a ter para trabalhar com mais estabilidade. Isto pode não ser bonito de dizer, mas quem anda no futebol sabe que é assim que o sistema funciona.
Ao mesmo tempo, há a dimensão financeira, que é indissociável disto tudo. O acesso direto à Champions não é um prémio desportivo, é quase uma necessidade estrutural. Dá-te receita, dá-te capacidade de retenção de jogadores, evita vendas precipitadas e permite planear com outro tipo de ambição. E depois há um efeito imediato, um plantel campeão valoriza-se automaticamente. Não é só o rendimento em campo, é a perceção de mercado. Jogadores em equipas que ganham vendem melhor, são mais desejados e colocam o clube numa posição negocial completamente diferente.
Por isso, quando se fala em dominar internamente, não é só uma questão de ego ou de rivalidade. É criar uma base sólida que permita equilibrar o sistema, estabilizar o projeto e dar continuidade ao trabalho. Sem isso, qualquer tentativa de afirmação europeia acaba por ser episódica. Pode haver um bom resultado aqui ou ali, mas não há consistência.
O FC Porto sempre foi mais forte na Europa quando era dominante em Portugal. Primeiro constróis a casa, depois é que vais mostrar ao mundo o que tens. Neste momento, o foco tem mesmo de ser esse, ganhar, estabilizar, recuperar força interna e, a partir daí, crescer de forma sustentada.