Dorival Kneepel Yustrich

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hast

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Natural de Belo Horizonte (Brasil) - 1918 a 16 de Fevereiro de 1990
Modéstia era virtude que não tinha. Quando, um dia, alguém lhe sugeriu que se definisse numa frase Yustrich não fez a coisa por menos: «Sou um homem sensacional!» Talvez fosse. De onde quer que viesse, para onde quer que fosse, em torno de Dorival Kneepel criava-se uma aura de sensacionalismo. Foi assim que chegou, pela primeira vez, em Julho de 1955, para substituir Fernando Vaz como treinador do F. C. Porto. Yustrich era alcunha que ficara dos seus tempos de afamado guarda-redes. Descendente de imigrantes alemães, foi descoberto, ninguém sabe bem como nem porquê, por Afonso Pinto de Magalhães. Por essa altura tinha a carreira (ainda sem grande sucesso) de treinador em stand-by. Ganhava a vida vendendo automóveis, em Minas Gerais. Mas nem por isso deixou de exigir ao F. C. Porto 150 contos de luvas, 15 contos de ordenado e garantia de um prémio especial de 100 contos se se sagrasse campeão.

Parar o treino para falar de sexo...
Chegou às Antas e fez... limpeza de balneário. Primeiro afastou Carvalho e Porcel do grupo de trabalho, por eles ousarem questionar o seu trabalho e os seus métodos ditatoriais. Depois fez o mesmo a Barrigana, por essa altura ainda o mais popular jogador portista. Trazia como missão assumida revolucionar o futebol portista. Que (sobre)vivia à míngua de resultados. E de glórias. Na nostalgia do passado. Desde 1940 que os portistas nada ganhavam no futebol português.
Nunca pela cidade se tinha visto métodos de treino assim. Com os treinos duríssimos, piores que a recruta militar. Com pequenos intervalos para descanso e... moralização. Era nesses interstícios de trabalho corporal que Yustrich dava aulas de motivação e... não só. Às vezes dissertava sobre o comportamento sexual do atleta, apontando, invariavelmente, a continência como única maneira de resolver o problema! De outras vezes dizia coisas assim: «Nossa vida de profissionais é efémera. Somos verdadeiros ídolos de barro. Precisamos guardar-nos de todas as tentações, guardar-nos de tudo, menos de galhardia, menos de pensar que temos de destruir os adversários como se o futebol fosse uma guerra...»
Depois dos treinos Yustrich obrigava os pupilos a tomarem sumo de laranja. Antes de chegarem ao balneário tinham de cumprir outra obrigação: descalçar as botas. Chegou ao F. C. Porto e descobriu o caminho do sucesso. E da fortuna. Pelo título de campeão, em vez dos combinados 100 contos de prémio exigiu que o F. C. Porto lhe comprasse, secretamente, um automóvel no valor de... 170. Nos últimos meses o ordenado passou de 15 para 20 contos.
Campeões partiram os portistas para uma digressão pela América Latina. Na Venezuela, porque o presidente explicava a um jogador que não estava a ser justo ao criticar a qualidade do hotel, Yustrich, saindo do quarto, redarguiu: «O senhor não tem o direito de se dirigir aos jogadores. Está a exorbitar das suas funções. Procedeu como um moleque.» Quando Cesário Bonito lhe pediu que se calasse, para não agravar mais a sua situação, Yustrich retorquiu, aos gritos: «Não tenho nada que lhe obedecer, não sou seu filho nem sou seu empregado.» No dia seguinte, porque o tesoureiro do F. C. Porto não lhe passou cheque de 250 contos de luvas para a época que se seguiria, Yustrich, irado, de punhos cerrados, avançou para Zagalo de Lima, chamou-lhe estúpido, cavalo, filho da p... E mais lhe disse que, se fosse mais homem, o jogaria pela janela do hotel abaixo! Foi, por isso, naturalmente, despedido.
A 16 de Junho de 1957, Paulo Pombo tomou posse como presidente do F. C. Porto. Ao seu gabinete chegou um telegrama, assinado por 100 sócios, suplicando pela contratação de Yustrich. Nos dias que se seguiram choveram milhares de outras mensagens. Com o mesmo defeso e a mesma frase-chave: «Queremos que a felicidade volte ao F. C. Porto.» Quinze dias depois do despedimento de Flávio Costa, a 25 de Julho, Yustrich retornou ao F. C. Porto...

O terror e as rezas...

Chamavam-lhe napoleão. Nunca gostou muito do apodo, apesar do seu intransigente (e tantas vezes anacrónico) jeito de comandante com coração de chumbo. «Uma ocasião apanhei vários jogadores jogando baralho. Na mesa estavam mais de três contos de réis. Meti o dinheiro no bolso, virei a mesa e acabei o jogo. E se pegasse qualquer jogador a beber cerveja tais coisas lhe dizia que ele até vomitava.» Era assim.
Quando se apresentava aos novos pupilos Yustrich dizia, sempre, mais ou menos as mesmas palavras: «Não tenham receio nem acreditem no que por aí se espalha a meu respeito. Mas lembrem-se de que tudo que for criado para o mal eu destruo e destruo com todas as minhas forças. Venho trabalhar, não venho implantar terror. Farei tudo para ser amigo de vocês todos, mas não abrirei mão da hierarquia, da ordem e do respeito. Só vos peço que trabalhem para fazer disto um... país de Deus.»
Rezava sempre antes de todos os jogos. Mal chegou ao Porto exigiu que o F. C. Porto abrisse a Casa do Jogador, onde passariam a viver, a tempo inteiro, todos os jogadores solteiros e os casados também durante todo o fim-de-semana. Um dia entrou de sopetão no lar, investigou, carrancudo, a cama dos jogadores e... exigiu que se queimassem os colchões todos, porque não eram dignos de grandes futebolistas, por não darem um bom descanso!

Boxe e má fama...
No Brasil ganhou tudo o que havia para ganhar. Depois de ter feito o mesmo no F. C. Porto. Até no América foi campeão. Para motivar os jogadores pô-los a treinar boxe e luta livre. Manteve-se igual a si próprio: polémico, desconcertante. Por isso, em 1959, o jornal Globo publicava o seguinte comunicado: «O Sindicato dos Bandeirinhas reuniu-se e depois de várias horas baixou a seguinte portaria: nós, os coadjuvantes, só entraremos em campo nas partidas em que o América tomar parte se o senhor Yustrich ficar preso numa jaula.»
Intocável estava a fama que levara do Porto, de esmurrar os jogadores que não o respeitassem como um... pai tirano. Aquiesceu: «Só bato nos jogadores indisciplinados. Não pensem que vivo obcecado por implantar o terror ou que sou uma bomba atómica que cai nos estádios onde trabalho. Em Portugal minhas brigas foram quase sempre por defender os jogadores. Serei sempre assim: o que houver de melhor eu peço para vocês e fiquem certos de que não sou só pai, porque sou pai e mãe. Mas se alguém fizer bobagem...»

Socos e prisão

Não foi feliz Yustrich no regresso ao Porto. Com o Campeonato de 1957/58 ao rubro, envolveu-se em cena de pancadaria com Hernâni, a caminho dos balneários, após partida com o Oriental. Jogador e treinador foram suspensos de funções mas, pouco depois, na tentativa de não prejudicar o clube, indultados. Yustrich não se emendou e oito dias após a despenalização da sua Direcção ensarilhou-se em desaguisado com um chefe de polícia, em Coimbra, sendo preso. Entre grades esteve três horas. Só não esteve mais porque Cândido de Oliveira, usando do seu prestígio, conseguiu que o libertassem... O F. C. Porto acabou por perder o Campeonato de 1957/58 para o Sporting. A perda do título serviu de pretexto para novo despedimento de Yustrich, que, entre Agosto de 1957 e Março de 1958, recebeu 717 contos. Nem sequer o deixaram orientar a equipa na final da Taça de Portugal. A missão coube ao novo técnico, que, assim, poucos dias depois de se tornar treinador do F. C. Porto ganhou a Taça de Portugal de 1958, batendo o Benfica de Otto Glória. A Portugal nunca mais voltaria Yustrich. Apesar de ter estado, já nos anos 70, com um pé no Sporting...
 

Kelvin87

Tribuna Presidencial
7 Maio 2007
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362
Esttá ligado à história do Porto para todo o sempre, foi campeão no tempo do calabote.
 
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hast

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Dorival Knipel nasceu em Corumbá a 28 de Setembro de 1918 e ganhou o apelido de Yustrich pelas semelhanças físicas com Juan Elias Yustrich, famoso guarda redes argentino do Boca Juniors. Dorival Yustrich notabilizou-se por ser um técnico exigente, disciplinador e arrogante. Na década de 1950, já como treinador com fama de disciplinador, não permitia que os seus atletas fumassem, deixassem a barba por fazer e usassem cabelo comprido. Não tolerava atrasos e falta de empenho nos treinos. No Brasil, ganhou a alcunha de \"Durão\" porque, além da arrogância que exibia, tinha uma compleição física que impunha respeito. Envolvia-se em constantes atritos com jogadores, colegas, dirigentes e até com a imprensa. Ainda no Brasil, em 1953, foi expulso do Atlético Mineiro pelos próprios jogadores, descontentes pela forma como Yustrich tratava alguns atletas.
Completamente surrealista a foto em cima, publicada no jornal A BOLA em 1958, em que Yustrich, já como treinador do FC Porto, salta do banco para insultar um árbitro acabando por espezinhar Hernâni (um ídolo do FC Porto na altura) que tinha acabado de ser expulso. Mas os atritos entre Yustrich e Hernâni já vinham de longe. Em 1958, o FC Porto goleou o Oriental por 5-0 e Yustrich mandou os jogadores agradecerem ao público o apoio que lhes tinha sido dado. Hernâni foi o único a não cumprir a ordem porque não estava para \"alimentar as palhaçadas do treinador\", foi o suficiente para se iniciar uma discussão que culminou com um troca de socos. No final da temporada Yustrich foi dispensado.
Apesar do mau feitio, foi Dorival Yustrich que levou o FC Porto ao título nacional (1955/56) após um jejum de 16 anos.\"O FC Porto é um elefante adormecido que não sabe a força que tem\" comentou Yustrich depois de ser campeão.
Yustrich terminou no Cruzeiro a sua carreira de treinador. Retirou-se para o mais completo anonimato e só foi notícia novamente em 1990, ano do seu falecimento.
A verdade é que para o FC Porto voltar aos êxitos, depois de um jejum de 16 anos, foi necessário contratar...um louco!!!
 
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hast

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Yustrich, que fora um dos mais afamados guarda-redes do Brasil e que, antes de ser treinador em Minas Gerais, era vendedor de automóveis... Chegou ao Porto a 4 de Julho de 1955 com um «contrato fabuloso»: 150 contos de luvas, 15 contos de ordenado mensal e a garantia de um prémio especial de 100 contos, se se sagrasse campeão.
Antes ainda do arranque do «Nacional», Yustrich começou a impor o seu estilo de ferrabrás, decidindo afastar Carvalho e Porcel do grupo, por ousarem questionar o seu trabalho e os seus métodos assumidamente ditatoriais.