FC Porto Tetracampeão - Memórias que jamais se apagarão

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A conquista do “TRI” significou o derrubar de uma barreira histórica para o FC Porto. O feito da época 1996/97 abriu ainda mais as portas do sonho Azul e Branco, e já não havia PORTISTA que não pensasse que, afinal, o TETRA era uma passagem para a outra margem, a do até então inatingível PENTA. Saibamos tudo sobre os quatro títulos do FC Porto e quem os ganhou. Isto será um documento para guardar como memória futura.
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O CÉU COMO HORIZONTE
A entrada do FC Porto para o clube dos TETRACAMPEÕES nacionais, que acabou de formar com o Sporting, o único clube que detinha este título desde os anos 50, não constituiu novidade para quem prestava alguma atenção às questões do futebol doméstico. A superioridade demonstrada pelos PORTISTAS na conquista do “TRI” prenunciara o “TETRA”,que aconteceu normalmente, ainda que com alguns acidentes de percurso, depois da ameaça de um domínio esmagador.
Com poucas alterações no plantel, António Oliveira atacou o “TETRA” com uma preparação deficiente, mas rapidamente o FC Porto conseguiu um avanço tal que quase tirava o interesse ao campeonato. Só mesmo a sina lisboeta da temporada – quatro jogos, quatro derrotas – animou a competição. É que a concorrência, incapaz de potenciar os seus recursos, nunca chegou a pôr em perigo o objectivo do FC Porto.
Devido aos compromissos do final da época anterior – digressão à Tailândia e a Macau, onde se disputou o Torneio Cidade do Porto -, a pré-época de 1997/98 foi a possível. Em meia dúzia de dias, o trabalho considerado indispensável foi feito numa pressinha, na Suécia, assim como quem dá um recado. Isto depois de os jogadores nem sequer terem pododo gozar os habituais 30 dias de férias.

A LEI DO “TRI”
Começar a época sem os índices físicos desejados – grande parte do trabalho de pré-campanha teve de ser feito já depois do início da competição – revelou-se complicado para os DRAGÕES, cujo bom início de Campeonato escondeu carências que a Supertaça pusera a nu e que a decepcionante carreira na Liga dos Campeões (lá iremos) confirmou cabalmente. À medida que foram melhorando as suas capacidades físicas, o FC Porto impôs com naturalidade a lei do mais forte.
Sem surpresas, a lei do “TRI”valeu para o “TETRA”. Feitas as contas, que só são válidas depois de todos terem jogado contra todos duas vezes, não houve dúvidas ou mal-entendidos: ganhou quem tinha de ganhar, porque quando a lógica prevalece vencem os melhores.

VINTE ANOS, 12 TÍTULOS
Vinte Anos após a travessia do deserto, que durou 19 (58/59 a 77/78), o FC Porto festejou o seu 12º título desde que reaprendeu a ganhar. Doze campeonatos ganhos em 20 possíveis (60%!) significaram o ultrapassar de objectivos inimagináveis mesmo quando há três décadas José Maria Pedroto conduziu a equipa à quebra de um jejum histórico. Nos últimos tempos, já por mais de uma vez se tinha ouvido Pinto da Costa dizer que tinha por meta, quando se tornou presidente em Abril de 1982, ganhar um título cada três épocas, porque isso permitir-lhe-ia equiparar o FC Porto aos grandes de Lisboa. Em 1998, depois de nos últimos ter ganho quatro em quatro, o presidente do clube também é presidente da SAD para o futebol e fala no PENTA, sorri e diz que a meta, agora, é vencer o campeonato seguinte. A dinâmica de vitória do FC Porto, aliada ás novas formas de gestão, permite a Pinto da Costa voltar a sonhar com o título europeu, que tinha ficado para trás, havia 11 anos e foi determinante na maneira como o clube passou a encarar os desafios seguintes. Apóa a conquista da Taça dos Campeões Europeus, a 27 de Maio de 1987, o clube rasgou definitivamente os seus horizontes. Desde então que o crescimento não parou. Mais e mais são as palavras de ordem. Então depois do “TRI”, o facto de ter sido ultrapassada a barreira mítica do “TETRA”provou que só mesmo o céu pode ser o limite.
 
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MOMENTOS DA ÉPOCA
Numa época de emoções, as conquistas e os desaires não têm grau de importância idêntico. Há momentos ditos chave, que podem ser caracterizados na caminhada como decisivos, para o melhor e para o pior, mas sempre marcantes. Na época do “TETRA”, houve um pouco de tudo nas Antas. Desde uma importante manifestação de força financeira da SAD, que comprou o passe de Carlos Secretário e de Doriva, este a pronto, até à habitual crise de Março, passando pela incontornável vitória em Guimarães, o pontapé decisivo para a conquista do “TETRACAMPEONATO”, como já tinha acontecido no “TRI”.

Contratações de Secretário e de Doriva (Dezembro/1997)
As dificuldades económicas eram tema presente em cada conversa sobre o futebol português, desde a profunda crise benfiquista às incertezas em Alvalade. No meio deste cepticismo, a SAD PORTISTA dá uma demonstração de pujança financeira que assombra tudo e todos: readquire Secretário ao todo-poderoso R. Madrid e contrata, a pronto, o internacional brasileiro Doriva, conseguindo um desconto de quase cem mil contos ( 500 mil €) nos 700 mil contos (1 milhão e 400 mil €) que o Atlético Mineiro pedia. Pinto da Costa mostrava desta forma a robustez financeira que conseguira com a dinâmica empreendida com a criação da SAD para gerir o futebol.

Vitória sobre o Benfica (15ª Jornada)
Vale e Azevedo já era presidente do Benfica e prometera, com Graeme Souness à frente do plantel, uma equipa ambiciosa, capaz de, apesar da diferença para o líder FC Porto, lutar pelo título. Na semana do jogo, chegaram à Luz, de uma assentada, três jogadores, que o técnico britânico lançou de imediato, contra os campeões nacionais, criando um ambiente de grande expectativa. Os benfiquistas começaram bem, mas seriam os portistas, após a entrada de Artur em campo, quem resolveriam o desafio. Dois golos do brasileiro colocaram o FC Porto a 15 pontos de distância do Benfica. O jogo seria quezilento e faria duas vítimas: João Pinto e Paulinho Santos. Os dois foram expulsos e, enquanto o benfiquista era operado ao maxilar, o PORTISTA era suspenso pela Comissão Disciplinar da Liga até que João Pinto estivesse em condições de regressar aos relvados. O FC Porto perdia, praticamente por dois meses, uma das suas unidades fundamentais.

Derrota com o Belenenses (19ª Jornada)
Estava a chegar o malfadado mês de Março e os sinais de crise pressentiam-se, ainda camuflados pelos resultados, que davam grande margem de segurança aos PORTISTAS. A visita a Belém nem parecia de alto risco, tão baixo andava o moral do Belenenses , depois de uma primeira desastrosa. A realidade, contudo, tornar-se-ia num pesadelo para os “DRAGÕES”, incapazes de responderem a um único golo do adversário, marcado nos primeiros minutos. A crise emergiu e, oito dias depois, aconteceu novo desaire, na Amadora, sobrevalorizado por declarações de Jardel, contestando as decisões de António Oliveira, que o substituíra quando o FC Porto precisava de marcar golos. O ambiente em torno do plantel entrou em ebulição.

Vitória na Académica (24ª Jornada)
Responsáveis técnicos e dirigentes tentaram desvalorizar os contornos de uma crise indisfarçável, que se alastrara, inclusive à equipa técnica, com desentendimentos entre o técnico e o seu “braço-direito”, Joaquim Teixeira. O Benfica aproximara-se ameaçador, fazendo com que a viagem a Coimbra fosse encarada como praticamente decisiva para os PORTISTAS. A exibição não foi a melhor, a ânsia fazia com que a bola “queimasse”os pés aos jogadores, mas sobrou espírito de equipa e união para arrancar uma vitória a ferros, sentida como o arranque final para a conquista do “TETRA”.

Sérgio Conceição diz não ao Corunha (Março)
António Oliveira tomou medidas profilácticas e, de uma assentada, afastou do “onze” Sérgio Conceição, Jardel, Drulovic e Zahovic, musculando o meio-campo com Paulinho, Doriva e Chippo. Os primeiros dois chegaram mesmo a ser afastados dos convocados. A tranquilidade demorava a chegar ao balneário PORTISTA, muito por culpa das propostas de transferência que iam chegando aos jogadores, com destaque para Sérgio Conceição: o Corunha apertou o cerco e o negócio parecia concluir-se, até que o jogador deu um grito de revolta, recusando-se a sair antes do final da temporada. A decisão foi como um lenitivo para o plantel, que se reencontrou, apenas permitindo um”desvio2 (derrota em Alvalade) antes de garantir o título.

Vitória em Guimarães (30ª Jornada)
A deslocação a Guimarães era a mais arriscada de quantas se colocavam no caminho da grande conquista. Um ano antes, fora naquele estádio que o FC Porto conquistara, matematicamente, o título. Desta vez, não era matemático, mas o triunfo permitiria que os DRAGÕES festejassem oito dias depois nas Antas. A história repetiu-se, com pormenores diferentes, desta vez com Artur como herói, por ter marcado o único golo da partida. O FC Porto não vestiu logo ali o fato de campeão, mas deixou a encomenda para estrear o novo equipamento uma semana depois.
 
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O CLUBE DO TETRA

Foram 59 os jogadores que ganharam o direito a faixa(s) de campeão durante os quatro títulos do FC Porto, mas SÓ SETE são verdadeiros tetracampeões. Aloísio, Rui Barros, Jorge Costa, Rui Jorge, Paulinho Santos, Drulovic e Folha estiveram em todos os títulos. Uns mais utilizados do que outros, fizeram sempre parte das opções. Aloísio foi o mais utilizado e era também, na altura, o PORTISTA em actividade com maior número de títulos (6), ao passo que Rui Barros ganhou sempre que vestiu de Azul e Branco: para além do “TETRA” foi campeão em 1987/88, o outro ano em que esteve no clube. Drulovic ganhou quatro e Jorge Costa, Rui Jorge, Paulinho Santos e Folha venceram cinco, sendo que o “extra” de Folha (91/92) não é coincidente com o dos companheiros (92/93).

ALOÍSIO – O eterno
Se é correcto dizer-se que uma equipa de futebol começa a construir-se pela defesa, pode-se afirmar que Aloísio foi um dos alicerces do “TETRA”. A dupla de centrais, ao longo dos quatro anos, teve como denominador comum Aloísio. De José Carlos a Gaspar, passando por Jorge Costa, João M. Pinto ou Lula, em algumas circunstâncias, até Barroso ou Paulinho, o brasileiro esteve normalmente presente, garantindo a continuidade da segurança, mesmo quando, a certa altura, lhe começaram a chamar velho para o posto. Reagiu aumentando o aprumo da sua forma e respondendo no relvado de forma irrepreensível. Chegou ao final da época 96/97 quase no pleno das suas capacidades e com inteligência suficiente para, com a sua experiência, suprir as dificuldades que a sua menor velocidade lhe pudesse colocar.
Senhor de uma personalidade forte e de uma forma de estar no futebol muito própria, Aloísio ganhou estatuto de jogador de classe, tanto dentro como fora dos relvados, sendo um dos atletas mais respeitados e ouvidos no balneário PORTISTA. A postura foi igual nos campeonatos do “TETRA”, como já tinha sido nos quatro anos anteriores que já somava nas Antas, ganhando o merecido respeito não só dos companheiros como dos sucessivos técnicos que conheceu no FC Porto. Estava, em princípio, a um ano do final de carreira (foi ele quem o anunciou quando renovou por mais uma época), que terminaria como uma das figuras carismáticas do FC Porto da década de 90. O seu nome ficará gravado na história do clube como um dos jogadores que melhor imagem do FC Porto transmitiu para o exterior.
Total de jogos: 116. Completos: 102. Incompletos: 14
Tempo de jogo: 1063’. Média por jogo: 92’
Golos: 5
Cartões: 22 amarelos, 0 duplo amarelo e 3 vermelhos
Melhor posição no ranking: Defesa-central Mais Valioso: 2º em 96/97; 3º em 95/96; 10º em 97/98 e 10º defesa mais valioso em 94/95
Dados relativos às últimas 4 épocas

JORGE COSTA – Raça contra os azares
Viu-se em problemas na ingrata tarefa de substituir, enquanto português, o carismático Fernando Couto no eixo da defesa, já depois do brasileiro José Carlos ter protagonizado uma época de sucesso, fazendo dupla com Aloísio, o omnipresente da caminhada. De jovem pouco experiente passou a figura carismática, não só do onze como do próprio plantel. Com a saída de Vítor Baía e, mais tarde de Domingos, prefigurou-se como o sucessor natural de João Pinto no comando do balneário, sucessão que aceitou sem reservas numa cerimónia simbólica, aquando da apresentação do plantel para a época da conquista de “TETRA”. Mas o azar, que já o rondara em momentos anteriores da sua carreira (uma rotura de ligamentos afastou do Europeu de Inglaterra), voltou a bater-lhe à porta, na pré-temporada, não deixando que cumprisse integralmente as funções de capitão, que começou por exercer no balneário, sendo obrigado a “delegar” poderes para os jogos, onde não participava. A gravidade da lesão impediu-o, inclusive, que fosse inscrito na primeira fase da Liga dos Campeões, e, como o FC Porto não passou aos quartos-de-final, não chegou a participar nesta competição. Lutou contra o infortúnio e, em tempo recorde, estaria em condições de regressar aos relvados, mas, pouco depois, novo problema surgiria e a necessidade de uma artroscopia afastá-lo-ia de parte substancial da segunda volta do campeonato.
Jorge Costa tem espírito de vencedor e ganharia mais esta batalha, recuperando a tempo de jogar ainda antes do final da prova, tendo participado no último jogo oficial da época, nas Antas, na goleada (7-2) ao Salgueiros. Depois de três épocas esplendorosas, o azar surgiu-lhe em dose dupla, mas não em porção suficiente para que desistisse, porque esse foi um sentimento que o “Bicho” sempre desconheceu.
Total de jogos: 73. Completos: 63. Incompletos: 10.
Tempo de jogo: 6409’. Média: 87’
Golos: 6
Cartões: 29 amarelos, 0 duplo amarelo e 1 vermelho
Melhor posição no ranking: 4º Defesa-central Mais Valioso em 96/97
Dados relativos às últimas 4 épocas

PAULINHO SANTOS – O duro
Paulinho simboliz(a)ou a garra e o crer de um “DRAGÃO” insaciável e, mesmo nos momentos de maior tensão, os sócios e adeptos sabiam que o médio PORTISTA fazia isto ou aquilo na defesa intransigente do clube. Era a vantagem de ser “mauzão”, duro, irascível, às vezes, mas, ao mesmo tempo, defensor de um templo sagrado, de uma instituição que defendeu até à última gota de suor. Paulinho voltou a ter uma época recheada de momentos difíceis, tornando a envolver-se com João Vieira Pinto, numa rixa muitas vezes repetida, entre dois oficiais do mesmo ofício, e nem sempre com final feliz.
Paulinho passou por momentos complicados, mas nunca deixou de ter a grande maioria dos PORTISTAS do seu lado. A guerra do jogo, a ânsia de ajudar, a obsessão de empurrar a equipa para ganhar, ganhar sempre, tornaram Paulinho um caso raro no futebol nacional. A importância de Paulinho no rendimento da equipa foi inquestionável, porque o médio PORTISTA – lateral, sempre que era preciso, até na selecção – soube empurrar os companheiros, contagiava-os com a sua agressividade, porque era preciso, sempre, ganhar, nem que para isso fosse necessário deixar sangue no campo.
Apesar desta impetuosidade, uma constante ao longo dos quatro anos, mostrou, na época do “TETRA”, uma outra virtude, que se pode considerar quase paradoxal, tendo em conta o que já ficou escrito: nervos de aço na marcação de grandes penalidades. Quando foi a doer, quando era proibido falar, como contra o Farense ou o Boavista, disse presente e, de forma fria e eficaz, deu o último empurrão aos DRAGÕES para a conquista do ambicionado “TETRA”.
Total de jogos: 111. Jogos completos: 103. Incompletos: 8
Tempo de jogo: 10301’. Média por jogo93’
Golos: 4
Cartões: 24 amarelos, 1 duplo amarelo e 2 vermelhos
Melhor posição no ranking: 2º Médio-defensivo Mais Valioso em 96/97 e 97/98, 11º Jogador Mais Valioso em 97/98, 6º Defesa-lateral em 95/96
Dados relativos às últimas 4 épocas

DRULOVIC – O assistente
Em boa forma física, Drulovic era um jogador especial, até porque era um canhoto por excelência e os pés esquerdos (de qualidade) não abundam. Sabia, como poucos, ler o jogo, era rápido nas opções que tomava para solucionar questões pontuais do próprio jogo, era directo na forma como caminhava para a baliza e tinha poder e colocação no remate de longa distância, para além de ser um especialista na marcação de livres. Jogador completo não era, porque, por vezes “escondia-se” e passava ao lado do jogo, porque, talvez, o primeiro passe não lhe saía bem, ou cruzamento fácil ia parar à bancada. Mas, nos quatro campeonatos consecutivos conquistados pelo FC porto, Drulovic foi, claramente, um elemento nuclear e uma referência importante na forma como o DRAGÃO se impôs à concorrência. Não acabou a sua segunda época ao serviço do Gil Vicente (1993/94), porque, a meio, o FC Porto foi contratá-lo a Barcelos. Drulovic chegou às Antas, adaptou-se facilmente porque teve sempre a virtude de ser um homem respeitável e respeitado, e daí para a frente foi uma das peças chave do futebol ofensivo PORTISTA. Quando Drulovic estava bem a equipa compreendia que tinha mais hipóteses de ganhar, porque o internacional jugoslavo – que ansiava, com toda a legitimidade, estar presente na fase final do Mundial (França/98) – mexia com todos, porque os seus passes eram milimétricos e as suas assistências brilhantes, os seus cruzamentos tensos e colocados. A irregularidade patenteada na época de 1997/98 acabou por pesar e a equipa ressentiu-se, mas, mesmo assim, Drulovic foi, de forma inquestionável, uma das figuras mais interventivas na supremacia dos PORTISTAS no futebol português.
Total de jogos: 108. Jogos completos: 50. Incompletos: 64
Tempo de jogo: 8029’. Média por jogo: 74’
Golos: 18
Cartões: 9 amarelos; 0 duplo amarelo; 0 vermelho
Melhor posição no ranking: Médio-ala Mais Valioso em 95/96, 2º em 97/98 e 3º em 96/97
Dados relativos às últimas 4 épocas

RUI JORGE - Profissional
Um jogador cresce no profissionalismo pelos jogos que faz, mas também pelo seu comportamento fora das quatro linhas, pelos valores que defende e pela força anímica que tenta transmitir aos companheiros. Rui Jorge, nos 16 anos de trabalho ao serviço do FC Porto, foi tudo isso: profissional exemplar, personagem respeitada e um pólo gerador de interesses envolvendo o clube que lhe atribuiu o “Dragão de Ouro”. Jogador de forte personalidade, esteve de alma e coração nos quatro títulos, mas a época mais produtiva foi a de 1995/96 quando realizou 22 jogos, marcando dois golos. Disciplinado, corajoso, com bom sentido de corte e de antecipação, sempre compenetrado no jogo, procurou ser preferencialmente um bom defesa para só depois se aventurar no apoio ao ataque, nunca procurou o sucesso individual, antes se integrando no espírito de grupo, porque a educação desportiva que teve – no futebol juvenil PORTISTA – sempre colocou a equipa e o seu sucesso, como objectivo primeiro. A catadupa de êxitos do futebol PORTISTA assenta em bases claras, e por elas Rui Jorge sempre se bateu. Chegou a internacional A, foi titular nos Jogos Olímpicos de Atlanta – 4º lugar e melhor selecção europeia -, mas a época de 1997/98 acabou por lhe ser difícil. As questões relacionadas com o seu processo de renovação não foram resolvidas a contento das partes interessadas e acabou por se romper uma ligação que teve momentos inesquecíveis. O Sporting foi o seu destino.
Total de jogos: 54. Jogos completos: 38. Incompletos: 16
Tempo de jogo: 4303’. Média por jogo: 80’
Golos: 2
Cartões: 10 amarelos; 1 duplo amarelo; 1 vermelho
Dados relativos às últimas 4 épocas

RUI BARROS – Sempre disponível
Um caso raro de êxito: em cinco épocas como sénior do FC Porto, ganhou outros tantos campeonatos, quatro dos quais consecutivo, ou seja, é obreiro da materialização do”TETRA”. Curiosa a sua ligação ao FC Porto, porque, tendo jogado nas camadas jovens do clube, antes do regresso do estrangeiro, já no tempo de Bobby Robson, apenas tinha feito uma época como sénior dos DRAGÕES. É preciso recuar a essa temporada para se perceber o porquê da popularidade de Rui Barros nas Antas. Estávamos na época de 1987/88, na ressaca da conquista da Taça dos Campeões Europeus. Rui Barros, que jogara emprestado ao Varzim, regressou e Tomislav Ivic, que sucedera a Artur Jorge, apaixonou-se pelas suas características e deu-lhe o protagonismo. O pequeno génio agarrou a oportunidade e brilhou intensamente, tanto nacional como internacionalmente. Foi chave na conquista da Supertaça Europeia, quando, em Amesterdam, se deu a conhecer ao mundo do futebol, marcando ao Ajax (1ª Mão) o tento que deu triunfo PORTISTA. Foi gigante em Tóquio, frente aos uruguaios do Peñarol, batendo-se de igual para igual num relvado coberto de neve, ajudando à conquista da Taça Intercontinental. Toda a época foi de sucessos (vitória, também, no campeonato e na Taça de Portugal), com Rui Barros como a estrela mais reluzente.
Partiu, então, para Itália, à conquista do mercado internacional, que cativou, tanto em Turim como, mais tarde, no Mónaco. Os PORTISTAS, considerando-o “da família”, nunca lhe perderam o rasto e saudaram o seu regresso à casa-mãe. Rui Barros agradeceu como sabe, entregando-se à profissão, dando tudo em favor da equipa. É a sua maneira de ser, disponível a tempo inteiro.
Total de jogos: 102. Jogos completos: 18. Incompletos: 84
Tempo de jogo: 5865’. Média por jogo: 58’
Golos: 21
Cartões: 13 amarelos; 0 duplo amarelo; 0 vermelho
Melhor posição no ranking: 10º Médio-ofensivo Mais Valioso em 95/96, 15º em 96/97 e 18º Médio Mais Valioso em 94/95
Dados relativos às últimas 4 épocas

FOLHA – Alternativa a postos

Aqui e ali assumia o protagonismo, fixando no seu álbum momentos mágicos que o tornava um jogador que, mesmo não sendo utilizado com regularidade, pode dizer que num determinado jogo foi decisivo. É o caso, por exemplo, do Marítimo-FC Porto, da época anterior, onde saiu do banco para resolver, a favor da sua equipa, um problema que parecia insolúvel.
Foi um coleccionador de momentos, muito por culpa da sua irregularidade, que vivia momentos de forma, que alternavam o excelente com o medíocre, muitas vezes por culpa de lesões, outros porque não correspondia aos anseios do técnico. Ainda assim, foi alternativa que Artur Jorge e Bobby Robson não dispensaram, porque, nos momentos exactos, souberam aproveitar as suas características de extremo-esquerdo à moda antiga, que pega na bola e desce pelo seu corredor, até que ganha a linha de fundo e centra. Tudo isto em velocidade, que era suprema na sua forma de jogar quando se encontrava na plenitude das suas capacidades. Eternizou o estatuto de suplente, por vezes adulterado por uma utilização mais regular, sem que esse período se prolongasse muito. Mas foi ao longo desses quatro anos, um dos jogadores regularmente chamado ao lote de convocados, uma alternativa de algum carisma que lhe advinha não só das suas qualidades como futebolista mas também do facto de ser produto da escola PORTISTA. E, na sua forma de estar, foi um dos exemplos que encarna a filosofia dos DRAGÕES, nunca se tendo ouvido, publicamente, da sua boca qualquer queixa pelo facto de não ser utilizado como, certamente, gostaria.
Total de jogos: 87. Jogos completos: 16. Incompletos: 71
Tempo de jogo: 4254’. Média por jogo: 52’
Golos: 13
Cartões: 9 amarelos; 0 duplo amarelo; 0 vermelho
Melhor posição no ranking: 2º Médio Mais Valioso em 94/95, 5º Médio-ala Mais Valioso em 95/96 e 96/97
Dados relativos às últimas 4 épocas
 

HEXAI

Tribuna
15 Setembro 2006
2,717
1
> hast Comentou:

> O CLUBE DO TETRA
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ALOÍSIO – O eterno
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Total de jogos: 116. Completos: 102. Incompletos: 14
Tempo de jogo: 1063’. Média por jogo: 92’
Golos: 5
Cartões: 22 amarelos, 0 duplo amarelo e 3 vermelhos
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Um grandíssimo profissional!

E, naquele tempo em que, para as galinhas-e-restante-cambada (...), não é que levou 3 da-cor-da-galinha?

E esses burros não sabem que o Aloísio foi o Jogador mais correcto que se viu a evoluir nos campos de futebol, na década de 90?

Chamem a Polícia e... INVESTIGUEM!, suas-bestas!
 
H

hast

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SENHORES DO INSTANTE FINAL

Seja quais forem as opções, os esquemas ou qualquer outro pormenor pelo qual se queira analisar o futebol, jamais se consegue contornar o objectivo deste desporto: o golo. Em todos os momentos, uma equipa procura atingi-lo e outra evitá-lo. E o maior estrelato atinge-o quem marca…
Outras razões poderão explicar a popularidade dos avançados, mas esta chega para justificar o protagonismo exacerbado conseguido por essa casta muito especial, a dos goleadores. Mesmo as equipas de ataque puro, por mais espectaculares que se exibam, tornam-se eficazes se no seu seio não emergir um concretizador, seja ele tosco no toque de bola ou verdadeiro artista, desde que, no instante final faça a diferença com o ultimo toque. Diz-se que não há regras sem excepção, mas o tetracampeonato PORTISTA não serve para ilustrar esta máxima. Em cada uma das quatro épocas, a equipa revelou-se uma máquina de fazer golos e em cada uma teve um protagonista, ou melhor, nas quatro houve dois, que repartiram os louros de forma igual: Domingos e Jardel.
Tratou-se de dois goleadores com estilos tão díspares como semelhantes na eficácia. No reinado de Bobby Robson, e após uma fase algo renitente do técnico, que demorou a acreditar nas faculdades do jogador, Domingos foi rei e senhor do golo, entusiasmando os adeptos PORTISTAS – e todos quantos apreciam este desporto – com o seu futebol feito de arte, de imprevistos, de remates mortíferos. As suas escolhas surpreendiam em muitos momentos, porque optava pelo aparentemente mais difícil – lances que, nos seus pés, até pareciam fáceis, menos para os adversários, que não se entendiam com a genialidade de Domingos, capaz de adulterar a lógica e assombrar o mais avisado. Duas épocas, duas vezes o goleador-mor…
À terceira, com António Oliveira no comando, dois fados prostrara Domingos: uma lesão na selecção nacional, depois de disputada a 1ª jornada, e Jardel, que iniciara a época como seu suplente. O brasileiro foi em quase tudo diferente do português, mas, tal como ele marcava que se fartava.
Foi, até à altura, a mais cara contratação da história do FC Porto e rentabilizou o investimento. Foi um ponta-de-lança à moda antiga, que percebeu que nas Antas, tal como na Europa, o espaço de um avançado vai de uma área à outra e que não basta ficar na frente à espera que a bola lhe chegue. Aprendeu a lutar pela posse e não alterou a eficiência no remate final. A reconhecida capacidade invulgar para o jogo de cabeça não limitou a sua eficácia a jogadas aéreas. Houvesse um espaçozinho livre na área adversária, viesse a bola pelo ar ou pelo chão, estando Jardel presente, era caso para se dizer que havia perigo eminente. Surpreendeu mais em 1996/97, quando os adversários ainda não o conheciam, mas renovou novamente o título de “artilheiro” do campeonato, em 1997/98. Mais difícil se tornaria para o FC Porto mantê-lo nos seus quadros.
No final do ano anterior, 1996/97, Domingos partia para Tenerife, Jardel poderia sair com ambições ainda maiores. Afinal, nunca foi fácil a um clube português segurar jóias de tão preciosa qualidade.

Como marcou Jardel os golos:
Pé esquerdo – 8
Pé direito – 23
De cabeça – 25
De penalti - 2

Como marcou Domingos os golos:
Pé esquerdo – 8
Pé direito – 30
De cabeça – 8
De penalti - 3
 
H

hast

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1º GOLO DO TETRA – RUI FILIPE

Quando no início da época 1994/95, o FC Porto deu o pontapé de saída para o TETRAcampeonato, frente ao Sp. Braga, a primeira grande manifestação de alegria, foi obra de Rui Filipe, que marcou o 1º golo da época e da série de quatro títulos consecutivos. Sete dias depois (28 de Agosto de 1994), Rui Filipe era vítima mortal de acidente de viação, enlutando não só os PORTISTAS como todo o futebol português. Tinha então 26 anos e tudo para dar ao futebol, porque os seus recursos eram inegáveis. Centrocampista de talento – revelava agressividade, lucidez, boa leitura de jogo e razoável potência de remate -, Rui Filipe afirmara-se como herdeiro de André e preparava-se para comandar o meio-campo PORTISTA na luta pela conquista do primeiro campeonato de Bobby Robson. Mas a modesta contribuição no relvado – um golo e uma boa exibição, no triunfo, por 2-0, sobre os bracarenses – aumentaria na proporção na saudade que deixou entre os companheiros, que passaram toda a época a afirmar que queriam ganhar o título para o dedicar à memória de Rui Filipe.
Um incentivo que também terá sido um contributo para a conquista de um campeonato que, tal como tinham prometido, todos os jogadores dedicaram a Rui Filipe, cuja imagem perdurará por muito tempo na memória de todos os PORTISTAS.

Outros goleadores:
1994/1995
Total Casa Fora GP
Domingos 19 10 9 2
Rui Barros 9 3 6 0
José Carlos 8 5 3 0
Folha 6 5 1 0
Emerson 5 0 5 0
Secretário 5 3 2 0
Drulovic 5 4 1 0
Aloísio 5 5 0 3
Iuran 4 2 2 0
Kulkov 2 0 2 0
Latapy 1 0 1 0
J. Costa 1 1 0 0
Rui Filipe 1 1 0 0
Baroni 1 1 0 0
Kostadinov 1 1 0 0

1995/96
Total Casa Fora GP
Domingos 25 13 12 2
Edmilson 13 9 4 1
Drulovic 8 5 3 0
Lipcsei 6 4 2 0
Latapy 5 4 1 0
Rui Barros 4 1 3 0
Emerson 4 3 1 0
Folha 4 3 1 0
João M. Pinto 3 2 1 0
Jorge Couto 3 2 1 0
Bino 2 1 1 0
Mielcarski 2 1 1 0
Quinzinho 2 2 0 0
Rui Jorge 2 2 0 0
Jorge Costa 1 1 0 0

1996/97
Total Casa Fora GP
Jardel 30 14 16 0
Edmilson 10 3 7 3
Zahovic 7 4 3 0
Artur 5 0 5 0
Jorge Costa 4 2 1 0
Barroso 4 4 0 0
F. Mendes 3 1 2 0
Rui Barros 3 1 2 0
João M. Pinto 3 2 1 0
Folha 3 2 1 0
Domingos 2 1 1 0
Costa 1 0 1 0
Drulovic 1 0 1 0
Wetl 1 0 1 0
S. Conceição 1 1 0 0
Mielcarski 1 1 0 0

1997/98
Total Casa Fora GP
Jardel 26 15 11 2
S. Conceição 8 6 2 0
Artur 6 4 2 0
Zahovic 6 5 1 0
Rui Barros 5 4 1 0
Capucho 4 2 2 0
P. Santos 4 3 1 0
Drulovic 4 3 1 0
Mielcarski 3 1 2 0
Chippo 2 2 0 0
Barroso 1 0 1 0
Doriva 1 1 0 0
João M. Pinto 1 1 0 0
F. Mendes 1 1 0 0
 
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hast

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ALOÍSIO E DRULOVIC OMNIPRESENTES

O “TETRA” quase pode ser dividido em duas partes, seja porque foi conquistado, em partes iguais, por dois técnicos, seja porque muitos jogadores brilharam em pares de anos, deixando o protagonismo para outros nos dois restantes. Dois nomes, contudo, sobressaem dos demais, pela regularidade e porque foram omnipresentes nos quatro campeonatos: Aloísio e Drulovic. Um no eixo da defesa, dando consistência a um sector que foi a base de parte substancial dos triunfos, outro no ataque, não concretizando em série, mas multiplicando os lances em que ofereceu o golo aos companheiros. Foi, também, obreiro de muitas vitórias.
Mas os quatro anos de glórias tiveram outras particularidades e de todas elas destaca-se a substituição de Vítor Baía, que, para os adeptos, nunca chegou a sê-lo de facto, continuando a suspirar de saudade pelo ex-nº 1. Bobby Robson com ele nos dois anos do seu reinado, cabendo a António Oliveira a difícil tarefa de conseguir um substituto. Wozniak chegou com estatuto mas cedo cedeu o lugar a Hilário, que não resistiu à juventude; no segundo ano, Oliveira contratou Rui Correia, que tinha sido seu pupilo em Braga, mas também vacilou e Hilário teve nova oportunidade, que não conseguiria agarrar…. A questão do guarda-redes estava ainda por resolver.
A linha de continuidade, que sempre dera bons frutos nas Antas, valorizando jogadores, como Emerson, o”diamante” que Robson lapidou, foi alvo de uma mini-revolução aquando da entrada de António Oliveira. De uma assentada, o FC Porto perdera Baía e Emerson, além de outros jogadores menos utilizados pelo técnico inglês, e Lipcsei demorava a recuperar de uma lesão grave. O novo treinador patrocinou, então, a entrada de 14 atletas, dos quais seis iriam impor-se, de forma categórica, na primeira equipa. Sérgio Conceição, produto da escola PORTISTA que dera nas vistas em Felgueiras, “explodiu”, formando uma dupla produtiva com Edmilson na direita. Zahovic entrou para o meio-campo, impondo o seu virtuosismo, realizando-se como o par ideal para Drulovic. Na frente, em substituição de Domingos (que no início da época sofrera um grave le são)), Jardel comprovava o currículo e as muitas centenas de milhar de contos que o FC Porto pagara pela sua transferência. Mantendo a mesma dupla de centrais, Jorge Costa e Aloísio, juntando-lhe a experiência de Fernando Mendes como defesa-esquerdo, Oliveira construiu a base de uma equipa que se prolongou na temporada 97/98, remodelada pela ausência de Edmilson (substituído por Capucho) e pela categoria de Doriva, a mais recente contratação. O brasileiro mostrou que era craque e justificou nas Antas a razão porque Mário Zagallo o convocou para o Mundial de França.


1994/95 (Bobby Robson)
Resultados:
Sp. Braga: (c) 2-0 – (f) 4-1 * B.Mar: 3-0 – 2-0 * U. Madeira: 3-0 – 0-0 * V. Setúbal: 2-0 – 3-2 * U.Leiria: 2-0 – 2-0 * Benfica: 2-1 – 1-1 * Marítimo: 4-1 – 1-2 * G. Vicente: 1-0 – 1-0 * D. Chaves: 2-0 – 4-0 * V. Guimarães: 3-0 – 1-0 * Farense: 2-0 – 3-0 * Belenenses: 1-0 – 2-0 * E. Amadora: 0-0 – 1-0 * Sporting: 1-1 – 1-0 * Boavista: 4-2 – 2-1 * Salgueiros: 5-2 – 2-1 * Tirsense: 4-0 – 2-0

34 Jogos - 62 Pontos - 29 vitórias – 4 empates – 1 derrota - 73 golos marcados(média de remates por jogo: 19,7) – 15 sofridos

Equipa tipo: V. Baía; J. Pinto, Aloísio, J. Costa R. Jorge; Emerson, Kulkov; Secretário Domingos, Drulovic; Iuran
A primeira equipa formada por Robson, após meio ano com os jogadores escolhidos por Ivic. Perdera, de maneira trágica, Rui Filipe, enquanto Emerson e os russos Kulkov e Iuran foram apostas ganhas, no ano em que Jorge Costa emergia, substituindo Fernando Couto no eixo da defesa. Drulovic também impôs o seu génio, passando a indiscutível no onze.


1995/96 (Bobby Robson)
Resultados:
Sporting: (c) 2-1 – (f) 2-0 * G. Vicente: 2-1 – 2-0 * D. Chaves: 2-0 – 3-2 * Leça: 2-0 – 2-0 * Felgueiras: 6-2 – 1-1 * Boavista: 1-0 – 1-1 * Sp. Braga: 6-3 – 3-0 * Campomaiorense: 5-0 – 1-0 * Farense: 2-0 – 2-0 * Benfica: 3-0 – 1-2 * U. Leiria: 1-0 – 0-0 * Marítimo: 6-0 – 1-1 * Salgueiros: 2-0 – 4-0 * Tirsense: 5-0 – 4-2 * V. Guimarães: 2-3 – 2-0 * E. Amadora: 6-0 – 1-1 * Belenenses: 1-0 – 1-1

34 Jogos-84 pontos – 26 vitórias – 6 empates – 2 derrotas - 84 golos marcados(média de remates: por jogo 21,8) – 20 sofridos

Equipa tipo: V. Baía; Secretário, Aloísio, J. Costa, P. Santos; Emerson, Lipcsei; Edmilson, R. Barros, Drulovic; Domingos
Chegam às Antas e impõem-se de imediato Edmilson e Lipcsei. Mais o brasileiro, que se tornou numa das peças-chave da equipa. Paulinho “explode” como uma espécie de 115, acudindo a todas as necessidades. Jogou grande parte da época como lateral-esquerdo. Rui Barros, que regressara um ano antes, reencontrou-se e torna-se num dos indiscutíveis, mas o verdadeiro craque foi Domingos, que conquista o troféu de melhor goleador do campeonato.


1996/97 (António Oliveira)
Resultados:
V. Setúbal: (c) 2-2 – (f) 3-1 * U. Leiria: 2-0 – 3-0 * D. Chaves: 2-0 – 4-2 * Salgueiros: 1-2 – 1-0 * E. Amadora: 0-0 – 2-2 * Sporting: 2-1 – 1-0 * Boavista: 1-0 – 2-0 * Sp. Espinho: 3-0 – 5-0 * Farense: 2-0 – 2-1 * Rio Ave: 2-2 – 1-0 * Marítimo: 4-1 – 2-0 * Leça: 2-1 – 4-2 * Belenenses: 2-1 – 0-2 * V. Guimarães: 3-1 – 4-0 * Benfica: 3-1 – 2-1 * Sp. Braga: 5-0 – 1-2 * G. Vicente: 3-0 – 3-0

34 Jogos – 82 pontos -26 vitórias – 4 empates – 3 derrotas - 77 golos marcados(média de remates por jogo: 21,7) – 24 sofridos

Equipa tipo: Hilário; Sérgio Conceição, Aloísio, J. Costa, F. Mendes; Barroso, P. Santos; Edmilson, Zahovic, Drulovic; Jardel
António Oliveira construiu uma nova equipa, solidificando-a com alguns “veteranos”, como Jorge Costa, Aloísio, Paulinho e Edmilson. Sem V. Baía, deu oportunidade a Hilário depois de ter experimentado o polaco Wozniak; patrocinou a afirmação de S. Conceição, explorou as características de Zahovic e criou um sistema que jogava na perfeição para Jardel,um goleador que chegou às Antas, treinou e triunfou.

1997/98 (António Oliveira)
Resultados:
Varzim: 4-3 – 2-0 * Belenenses: 2-0 – 0-1 * E. Amadora: 4-0 – 1-2 * Leça: 3-1 – 3-2 * Campomaiorense3-0 – 2-2 * V. Setúbal: 1-0 – 1-1 * Académica: 2-1 – 1-0 * Rio Ave: 2-0 – 0-0 * Sporting: 1-1 -0-2 *
Sp. Braga: 4-0 – 2-1 * Farense5-2 – 2-1 * D Chaves: 3-1 – 2-2 * V. Guimarães: 1-0 – 1-0 * Boavista 3-2 – 4-3 * Benfica: 2-0 – 0-3 * Salgueiros: 7-2 – 3-1 * Marítimo: 2-1 – 2-3

34 Jogos – 77 pontos – 24 vitórias – 5 empates – 5 derrotas - 75 golos marcados(média de remates por jogo: 19,4) – 38 sofridos

Equipa tipo: Rui Correia; Secretário, Aloísio, João M. Pinto, F. Mendes; Doriva, P. santos; S. Conceição, Capucho, Drulovic, Jardel
A aposta foi na continuidade, de esquemas e de nomes, ainda que houvesse necessidade de substituir o “desertor” edmilson. Entrou Capucho, e bem. Mais Tarde, já em Dezembro, chegaram Secretário e Doriva, para entrarem directamente para o onze, onde se fixaram até final da temporada. S. Conceição também se “transferiu”, mas da defesa para o ataque, ocupando a tempo inteiro o lugar de Edmilson.
 
H

hast

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4 ÉPOCAS – 4 ASES
Os quatro títulos do FC Porto, conseguidos sem dificuldades de maior, pelo menos atendendo às diferenças pontuais com que foram conseguidos, tiveram protagonistas, independentemente das inegáveis e indesmentíveis capacidades do grupo de trabalho. A época do “TETRA” acabava de consagrar Sérgio Conceição como primeira figura de um colectivo que na temporada anterior teve Jardel como rei Midas do golo. Bola em que o brasileiro tocasse, transformava-se em jogada de perigo, em lance de pesadelo para os adversários. Eles foram os heróis do reinado de António Oliveira. Bonny Robson, condutor da equipa nas duas primeiras campanhas teve em Domingos e Vítor Baía os seus chefes de orquestra. O técnico inglês chegou mesmo a comparar o seu ponta-de-lança a supercraques como Alan Shearer, Weah ou Kluivert. Sobre o guarda-redes nada teve a dizer. Ofereceu-lhe um contrato de oito anos quando se transferiu para o Barcelona.

SÉRGIO CONCEIÇÃO
Chegou Às Antas em 1996/97 oriundo do Felgueiras, onde tinha cumprido um ano de empréstimo, após passagens por Leça e Penafiel. Num abrir e fechar de olhos tornou-se indispensável, ainda que como defesa-direito, uma vez que a presença de Edmilson no corredor direito permitia a António Oliveira utilizar dois jogadores de características ofensivas. Na época do “TETRA”, Sérgio Conceição, foi extremo, estratega, municiador, fundamental na orgânica da equipa, que girou em volta dele vezes sem conta. Um arrufo por ter ficado ficado de fora dos 16 em Leiria, para a Taça de Portugal, foi compensado com a recusa ao Corunha e um final de época fabuloso.

JARDEL
Custou 700 mil contos (3 milhões e 500 mil €), verba impensável para o futebol português e muito menos para o FC Porto, habituado a comprar barato e a vender caro, deja produção própria ou matéria-prima “reciclada”. Com Domingos saído de uma temporada extraordinária, nem sequer se percebia muito bem onde poderia entrar o brasileiro, mas uma lesão do português (rotura de ligamentos cruzados de um joelho) e a capacidade goleadora do brasileiro acabaram com as dúvidas. Aquele ponta-de-lança longilíneo e de fraco toque de bola era mesmo o homem de que o FC Porto precisava. Inigualável a jogar de cabeça, melhorou de tal forma as suas capacidades que os responsáveis PORTISTAS se viram atrapalhados para o conseguirem segurar, uma vez que no final da época não lhe faltaram propostas de transferência. A custo, o FC Porto conseguiu renovar com a sua jóia da coroa até 2002. Mais uma vez valeu a pena o esforço.

DOMINGOS
Demorou metade da época de 1994/95 a convencer Robson das suas capacidades como goleador, jogando como ponta-de-lança ou de trás para a frente, nas costas de Iuran. No ano seguinte, depois de 19 golos marcados durante o “part time” da época anterior, Domingos saltou para a ribalta e confirmou a veia goleadora mortífera que havia demonstrado anos antes quando Artur Jorge o havia lançado na alta-roda. No ano do Bicampeonato, do FC Porto podia dizer-se que era Domingos e mais 10. Quanto mais jogava mais refinava os seus dotes de finalizador genial, optando vezes sem conta por soluções “impossíveis”, fazendo golos de levantar estádios. Outra vezes , como em Alvalde, comportou-se como um “matador” inglês: bola na área, golo. O futebol português tem saudades dele.

VÍTOR BAÍA
Numa equipa com tradições defensivas, Vítor Baía comportava-se como o verdadeiro chefe de segurança. Assinando defesas de outro mundo ou com um simples grito a orientar os companheiros do sector, o guarda-redes do FC Porto foi determinante na conquista do primeiro título da era Bobby Robson. Frio e concentrado, impôs de tal forma a sua classe que se tornou uma ameaça para qualquer avançado. Se por um lado se tornou desafio suplementar e uma motivação extra marcar-lhe um golo, por outro a sua presença inibiu adversários vezes sem conta. Com um “monstro” daqueles pela frente, a maior parte dos dianteiros ficavam pequeninos, às vezes até as balizas encolhiam.
 
H

hast

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> sdvaladares Comentou:

> Mais um tópico fabuloso. Esta parte do Fórum é fantástica. Pena que muito boa gente que por aqui passa não imagine sequer que este tópico existe. É muito mais interessante falar sobre a permanência ou não do Quaresma...

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Infelizmente é assim, caro sdvaladares. Mas o mais importante é o registo dos momentos fabulosos da NOSSA história. Alguns deles (poucos) estão aqui para que a memória colectiva permaneça viva e eterna. Obrigado pela atenção que tens dedicado a este espaço.

Cumprimentos.
 

Number8

Tribuna
6 Setembro 2006
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Eu também passo sempre por aqui e acho fantástico... mas já é certo e sabido que não são estes assuntos que, infelizmente, interessam à maioria e fazem participar num fórum.