Hugo Laurentino

Pedrix77

Tribuna Presidencial
6 Outubro 2016
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Porto
Obrigado por todos os momentos que proporcionastes a todos os que gostam do FC Porto, do nosso FC Porto.

Nunca mais me irei esquecer da grande dupla que o Laurentino e o Quintana fizeram a defender o nosso FC Porto.

Decerto que gostarias de terminar a carreira de outra forma, mas esse joelho não deixou.

Que continues a servir o nosso Porto como sempre fizeste!
 

K92

Tribuna
4 Junho 2014
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475
Um atleta, em qualquer modalidade, distingue-se em primeiro lugar pela sua qualidade.
Isso foi notório desde sempre no Tino e ficará para sempre dentro do nós como um elemento fundamental de um feito histórico no FC Porto!

Para além disso, como se pouco fosse, distinguiu-se por um comportamento exemplar e uma simpatia e respeito por colegas, adversários e adeptos que facilmente se viu serem genuínos!

Um Senhor a quem desejo tudo de bom na sua vida e que continue a contribuir para o engrandecimento do Nosso Clube, um Clube que se distingue verdadeiramente dos seus principais rivais um bom bocado por isto mesmo:
um clube que tem nas suas fileiras Homens deste calibre!
 

DeepBlue

Tribuna Presidencial
27 Maio 2015
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Grande entrevista do grande Tino ao Mais Futebol:

    https://maisfutebol.iol.pt/andebol/modalidades/hugo-laurentino-team-manager-e-contabilista-do-fc-porto

    https://maisfutebol.iol.pt/andebol/fc-porto/laurentino-queria-voltar-a-jogar-mas-ate-tive-de-reaprender-a-andar

    https://maisfutebol.iol.pt/hugo-laurentino/fc-porto/daqui-a-10-anos-havera-gente-a-lembrar-se-de-como-eu-defendia

    https://maisfutebol.iol.pt/andebol/modalidades/hugo-laurentino-merecia-um-espaco-na-selecao-que-nunca-tive
 

afpdias

Bancada central
22 Outubro 2015
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DeepBlue disse:
Grande entrevista do grande Tino ao Mais Futebol:

    https://maisfutebol.iol.pt/andebol/modalidades/hugo-laurentino-team-manager-e-contabilista-do-fc-porto

    https://maisfutebol.iol.pt/andebol/fc-porto/laurentino-queria-voltar-a-jogar-mas-ate-tive-de-reaprender-a-andar

    https://maisfutebol.iol.pt/hugo-laurentino/fc-porto/daqui-a-10-anos-havera-gente-a-lembrar-se-de-como-eu-defendia

    https://maisfutebol.iol.pt/andebol/modalidades/hugo-laurentino-merecia-um-espaco-na-selecao-que-nunca-tive
Leitura obrigatória. Muito muito interessante.
 

lucho

Tribuna Presidencial
11 Abril 2008
12,558
859
Vila do Conde, 1974
A17Hugo Laurentino: Merecia um espaço na seleção que nunca tive
Tipo Meio: Internet Data Publicação: 21/11/2019
Meio: Mais Futebol Online Autores: Adérito Esteves
URL: http://www.pt.cision.com/s/?l=f837233e
Guarda-redes acredita que não foi tratado da forma que merecia na seleção
Tendo em conta o sucesso que alcançou no FC Porto e os prémios individuais de melhor guarda-redes
que foi acumulando, parecem demasiado curtas as 55 internacionalizações A de Hugo Laurentino.
A partir de determinada altura, a cada nova convocatória, a ausência do guarda-redes do FC Porto era
notada.
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Agora, com o capítulo de jogador arrumado, esse foi um dos temas que Laurentino abordou na
conversa com o Maisfutebol.
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E foi o assunto que, claramente, o deixou mais desconfortável, durante as quase duas horas de
entrevista.
Laurentino assume ter ficado com muita mágoa em relação à seleção , mas não deixou de enaltecer o
excelente momento que o andebol português vive.
MF: A carreira na seleção A fica como o ponto menos feliz num percurso de tanto sucesso?
HL: Muita gente pergunta sobre esse tema da seleção A. É uma questão um pouco delicada de se
falar. Mas deixem-me começar por dizer que não se trata de tirar mérito ao Hugo Figueira. Pelo
contrário, o Hugo é um excelente guarda-redes. Mas eu senti-me sempre um pouco injustiçado.
Porque eu era o melhor guarda-redes do campeonato, estava sempre milhas à frente nas estatísticas,
era o guarda-redes da equipa campeã nacional... Mas chegava à seleção e nunca jogava. Só entrava
quando estávamos a perder, ou contra uma seleção fácil.
MF: Sentia-se desvalorizado?
HL: Achava que não era tratado de uma forma justa. Quando [em 2012] muda o selecionador
[Rolando Freitas substitui Mats Olsson], continuei eu e Figueira nos convocados. E há um jogo de
apuramento em Espinho, contra a Macedónia. Eu joguei só a segunda parte, fiz um grande jogo, dos
melhores que fiz na seleção A, e ganhámos a uma seleção que nunca tínhamos vencido. No jogo
seguinte, vamos fora e eu não jogo. Fiquei 60 minutos sentado no banco. E isso... Tu sentes que és o
melhor, provas isso, e não jogas...
MF: O que traz o sentimento de injustiça...
HL: Começas a sentir-te mal. Parece que estava ali só por favor. E não tinham coragem de me falar de
frente. Mas passou. Na época seguinte, o Figueira não fica no Sporting, vem para o ISMAI e
continuamos os dois na convocatória. O primeiro jogo de qualificação [para o Mundial 2015] foi com a
Letónia, na Nazaré. Fui eu o titular, jogando o Figueira na segunda parte, e perdemos o jogo. Uns dias
depois vamos à Bósnia, perdemos também e eu só joguei os últimos minutos, quando já estávamos a
perder por muitos. E na convocatória seguinte não fui chamado.
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MF: Estranhou a opção?
HL: Eu não tenho de interferir em convocatórias. Mas acho que todos podemos ter um jogo mau. E
criticarem-me após um jogo a titular... Nesses 55 jogos, eu fiz quatro ou cinco a titular. Acho que não
me deram margem de erro. E como não me convocaram para o estágio seguinte, eu decidi que ia
dedicar-me a 100 por cento ao FC Porto e aos estudos. E foi isso que fiz.
MF: Abdicou da seleção?
HL: Foquei-me totalmente ao FC Porto. Muitas vezes eu vinha da seleção triste e chateado, e quem ia
pagar era o clube. Eu estava amuado nos treinos porque vinha com os sentimentos negativos da
seleção.
MF: Não voltou a ser contactado?
HL: Tentaram convocar-me várias vezes, mas sempre para torneios, nunca para apuramentos. E
desde aquele momento, falei sempre com as pessoas que tinha de falar e recusei o regresso à
seleção. Se fosse útil, se não houvesse mais guarda-redes e a minha convocatória fosse para um
apuramento, eu iria ajudar. Disse isso às pessoas. Mas para fazer torneios de chacha - quando eram
chamados os jogadores que nunca eram convocados ou que jogavam menos - disse para não
contarem comigo. Acho que tratarem-me assim era uma falta de respeito.
MF: Fica um amargo de boca por tudo isso?
HL: Fico com muita mágoa em relação à seleção. Fico com mágoa por nunca ter conseguido ter o
espaço que deveria ter tido. Acho que merecia ter tido um espaço na seleção que nunca tive. Mas os
tempos passam e temos de seguir em frente.
MF: Essa sua decisão foi comunicada à Federação, mas nunca foi divulgada publicamente pela
Federação?
HL: Nunca foi comunicado à Federação. Foi sempre comunicado aos selecionadores. Quando eles me
ligavam a perguntar a minha disponibilidade, eu dizia sempre que não estava disponível para torneios
e jogos amigáveis. E se me convocassem, eu ia - porque sou obrigado -, mas iria contrariado. E ao
saberem essa minha posição, nunca me convocavam.
MF: Nunca sentiu a necessidade de clarificar a situação?
HL: Aquilo que eu estou a dizer aqui, não podia ter dito enquanto jogador. Não podia dizer isso
abertamente porque ia estar a influenciar os jogadores mais jovens. Eu defendo que um jogador tem
de trabalhar não só para ser o melhor na sua posição, mas também para chegar à seleção. Acho que
qualquer jogador deve ter a ambição de chegar à seleção. Por isso, eu não podia falar disso. Não podia
entrar nessas guerras.
MF: Não voltou a ser chamado nem após a entrada de Paulo Jorge Pereira para o cargo?
HL: O professor Paulo Jorge Pereira convocou-me uma vez, quando o Quintana estava lesionado, para
fazer um jogo de apuramento. Mas iam três guarda-redes. E eu disse ao professor que não ia para ser
a terceira opção. Porque sabia que ia chegar lá e não ia jogar, mesmo que fizesse os melhores treinos.
Fomos falando os dois e chegámos à conclusão que a melhor opção era eu não ir.
MF: Mas como viu o apuramento de Portugal para uma fase final, 14 anos depois da última presença?
HL: Acho que finalmente, Portugal está onde devia estar: de volta aos grandes palcos internacionais.
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Agora no campeonato da Europa, e espero que no próximo ano, no Mundial. E que no futuro possamos
chegar a uns Jogos Olímpicos, porque isso seria muito bom para o andebol português.
MF: Acha isso possível a médio-prazo?
HL: Acho que estamos no bom caminho. O Paulo Jorge Pereira está a fazer um excelente trabalho, ao
conseguir adaptar as ideias de vários clubes, aproveitando as qualidades de cada jogador. Acho que
está a ser uma boa estratégia e está a dar frutos.
MF: Um dos bons sinais recentes do andebol português.
HL: Sim, podemos ver que o andebol português está a crescer. A seleção voltou a uma grande
competição, temos duas equipas na Liga dos Campeões - o FC Porto e o Sporting - e isso é um bom
passo para o andebol.
MF: O que acha que justifica este crescimento?
HL: O FC Porto investiu num treinador sueco, com muita experiência e uma visão completamente
diferente do andebol. Temos jogadores muito mais maduros e com um conhecimento de andebol
muito superior.
MF: Tem também a ver com o investimento, então?
HL: Sim, tem a ver com o investimento interno. O Sporting investiu muito e isso obrigou-nos a investir
também. Logo, se toda a gente melhora, o próprio andebol melhora. E depois surgem os resultados
internacionais.
MF: Aí é onde se vê de forma mais clara esse crescimento.
HL: Nós, no ano passado, ao conseguirmos eliminar o Magdeburg, acho que fizemos a reviravolta do
andebol português.
MF: Foi o clique que faltava?
HL: Toda a gente viu que uma equipa portuguesa era capaz de ganhar ao Magdeburg, que era na
altura o líder da Bundesliga. E se aquilo aconteceu, é porque conseguimos rivalizar com equipas da
Alemanha. Depois ainda ganhámos também ao Saint-Raphael, uma das melhores equipas de França.
O Sporting também teve muito bons resultados na Liga dos Campeões, conseguiu fazer frente ao
Veszprem. E depois Portugal também conseguiu derrotar a França. Vimos que não há equipas
imbatíveis e que nós estamos muito próximos dos melhores.
MF: E as provas continuam a aparecer...
HL: Sim, nós este ano na Liga dos Campeões já demos provas disso. Conseguimos ganhar ao Kiel na
Alemanha, onde é raro alguém conseguir ir ganhar; perdemos aqui, mas de uma forma muito
estranha, num jogo em que a única vez que estivemos em desvantagem foi no resultado final;
também ganhámos ao Kielce e fizemos uma boa figura na Macedónia com o Vardar [atual campeão
europeu]. Por isso, acho que as equipas lá fora já olham para nós com outro respeito.
MF: O recente sucesso das seleções jovens - meias-finais dos mundiais de sub-19 e sub-21 - também
ajudam a sustentar a certeza desse passo em frente?
HL: Sim. E nesses escalões jovens, eu acho que há muito mérito das grandes equipas, como o FC
Porto e o Benfica. Ao criarem as equipas B, essas equipas têm juniores a jogar na 2.ª divisão, contra
seniores. E há equipas muito boas nesse escalão, o que faz com que esses jovens atletas cresçam. E
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muitos deles ainda jogam uns minutos na equipa A. Por isso, têm uma margem de crescimento muito
maior do que antigamente, o que ajuda nas seleções.
MF: Dá-lhes uma estaleca diferente...
HL: Eles vão preparados para esses jogos. Além das equipas da 1.ª divisão que estão a apostar em
jovens jogadores. Temos o caso do Gaia, com o Martim [Costa], que é júnior de primeiro ano, no ano
passado foi o melhor marcador da 2.ª divisão e este ano está a jogar na 1.ª divisão.
Adérito Esteves
Adérito Esteves
Página


URL: http://www.pt.cision.com/s/?l=8e791781
Hugo Laurentino acredita ter marcado uma era no andebol e sair como um dos melhores guarda-redes
portugueses de sempre
Um alentejano que fez história com a camisola do FC Porto. Hugo Laurentino tinha 16 anos quando
deixou Évora, uma cidade pequenina que demorava 15 minutos a atravessar de uma ponta à outra ,
para se mudar para um Universo completamente distinto.
De azul e branco fez história. Não só no clube, mas também na modalidade, razão pela qual acredita
ter feito o suficiente para sair como um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre.
Aliás, no momento em que deixa as balizas e passa para o cargo de team manager, Laurentino
defende que o FC Porto tem uma das equipas com mais potencial da sua história. Mas avisa que isso
não chega.
E quem o diz é o homem que, enquanto menino acabado de chegar, alguém decidiu sentar entre os
dois nomes maiores do clube na altura: Carlos Resende e Eduardo Filipe. Ele cresceu e acumulou
muita, muita experiência. E experiências.
MF: Quando chegou ao FC Porto, aos 16 anos, logo no primeiro almoço sentaram-no entre o Carlos
Resende e o Eduardo Filipe. Isso foi a melhor chapada de realidade para a dimensão do que
representava a mudança?
HL: Eu só via o Resende e o FC Porto na televisão. E quando chego, o professor [José] Magalhães
mandou-me sentar a almoçar entre o Resende e o Eduardo Filipe. Eu não fazia a mínima ideia do que
dizer ou fazer. Fiquei ali todo encolhidinho ao lado deles. E a verdade é que hoje são meus amigos.
MF: E se tivessem dito àquele miúdo: 'atenção que eles são figuras históricas, mas tu vais ganhar
mais títulos de campeão pelo FC Porto do que eles os dois juntos.'?
HL: [risos] Eu dizia: 'nah, isso é mentira, nunca vai acontecer'. A verdade é que nós não sabemos o
que a história nos poderá trazer. E felizmente aconteceu. Mas até posso contar uma história que tem
um pouco a ver com essa ideia.
MF: Força.
HL: O meu primeiro grande jogo como sénior foi na Madeira, no segundo ano do Pokrajac, em 2003-
04. Eu fui convocado porque o Hugo Figueira tinha torcido um pé. Então, fui eu e o Carlos Ferreira a
esse jogo, que se ganhássemos, batíamos o recorde de vitórias consecutivas. E já não me lembro
quanto tempo faltava para o fim, mas uns 20 minutos, estávamos perder por cinco e o Pokrajac
meteu-me em campo. Sei que o primeiro remate que me fazem, eu dou um grande frango. E pensei
'começas bem!'.
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MF: E o treinador?
HL: Chama-me ao banco e diz-me: 'tu nos treinos defendes as bolas dos melhores jogadores da
Europa: do Resende, do Eduardo, do Petric, do Dedu... estes jogadores não são ninguém. Vai lá
defender'. A verdade é que depois disso, aquele foi o primeiro jogo em que os jornais vieram a falar
de mim. E mal acabou o jogo, o Petric veio direito a mim e começou a dar-me beijos. Beijos! [risos]
Eu ainda não tinha percebido aquilo que tinha feito, mas demos a volta ao jogo, ganhámos por dois ou
três e batemos o tal recorde.
MF: Nesse ano conquistam o campeonato, mas no seguinte é emprestado ao V. Setúbal. Que força
retirou desse empréstimo?
HL: Eu fui para lá com perspetiva de poder jogar muito mais do que realmente joguei. Sei que o
treinador preferia jogadores experientes e estava lá o Ricardo Correia, que fez talvez as melhores
épocas da carreira. Mas uma das coisas que gostei foi que joguei sempre contra os grandes. Não sei
porquê, mas contra o FC Porto e o ABC, fui eu que joguei. E correu bem.
MF: Mas apanha uma realidade completamente diferente?
HL: Sim, foi algo a que não estava habituado. Ganhássemos ou perdêssemos, no final íamos sempre
jantar todos. Eu não estava habituado a isso, porque quando perco, a minha mulher é que sofre: se
perco, vou para casa. E no Vitória, ganhando ou perdendo, era igual. Mas foi enriquecedor ter essa
visão do outro lado do andebol. E ao fim de duas épocas regressei ao FC Porto.
MF: Mas esse regresso esteve muito perto de não acontecer, não é assim?
HL: Sim, quando regressei ao FC Porto, eu até já tinha tudo fechado com o Torrevieja, uma equipa
espanhola que ia ser treinada pelo Manolo Laguna, meu treinador na seleção. E na altura, a ASOBAL
[1.ª divisão espanhola] era o melhor campeonato do mundo, onde estavam os melhores jogadores.
Poder estar lá seria magnífico. Já tinha tudo fechado, mas tive de voltar e vim cumprir mais 15 anos
(risos).
MF: E escrever história...
HL: Sim. Nos dois primeiros anos ganhámos só umas duas Taças, Supertaças... o campeonato só
chega no terceiro ano, com o Carlos Resende.
MF: Depois desse primeiro título chega o Obradovic e as coisas até começam por correr mal. Como foi
o impacto dessa mudança de mentalidade?
HL: Nos três anos anteriores tínhamos tido boas épocas, porque ganhámos sempre alguma coisa e no
terceiro ano conquistámos o campeonato. E ficámos habituados ao Carlos Resende que é uma
excelente pessoa e exigente dentro do campo. E depois chegou o Obradovic com um tipo de exigência
muito diferente. No início parecia que não tinha amigos e nenhum de nós conseguia falar diretamente
com ele. Ele veio muito fechado para um sítio onde não conhecia as pessoas nem a mentalidade dos
atletas. E sim, é verdade que os primeiros tempos com o Obradovic foram muito difíceis.
MF: Como é que deram a volta?
HL: Nunca mais me esqueço. Nós ganhámos em casa ao Sporting, mas depois fomos perder ao Sp.
Horta e recebemos o Xico Andebol com uma equipa muito, muito jovem, que fez o que quis de nós
aqui no Dragão Caixa. Depois disso, o treino que o Obradovic nos deu foi fechar-nos no balneário
durante uma hora e meia a conversar. A maioria dos jogadores deu o seu ponto de vista, o professor
também falou e quando chegámos ao treino a seguir eramos uma equipa completamente nova.
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MF: Mas o que mudou?
HL: O professor viu com o que podia contar, nós também percebemos isso da parte dele. E depois, ele
abriu mão de algumas exigências de treino, e nós demos-lhe outras coisas. E a partir daí vieram
aquelas seis épocas de sucesso. É verdade que ele era muito duro no treino, mas fora era o nosso
melhor amigo. E continuo a ter uma excelente relação com ele. No dia em que decidi deixar de jogar,
ele ligou-me para perceber o que se estava a passar e desejar-me sucesso para o futuro.
MF: Do percurso até ao hepta, há algum momento que guarde com mais carinho?
HL: Sim, claro. Há muitos momentos que guardo muito carinho. O principal é o do último título. Eu
não pude fazer o último jogo, estava lesionado depois de ter levado a bolada no olho [num jogo da
Taça de Portugal, que o obrigou a passar a jogar com uns óculos especiais]. Nesse dia ainda não tinha
recuperado a visão. E quando acaba o jogo, a reação do [Ricardo] Moreira foi a de correr direito a mim
para festejar comigo. É daqueles momentos que nunca vou esquecer.
MF: No balanço de uma carreira tantos anos de andebol, quais os treinadores que mais marcaram?
HL: Há muitos. Tenho de falar do Obradovic, que me marcou imenso. Tanto dentro de campo, como
fora, pela amizade que mantemos. Todos aprendemos muito com ele, que é um dos responsáveis pelo
boom do andebol do FC Porto. O Carlos Resende também nunca podia faltar, porque eu fui uma
aposta dele. No ano em que ganhámos o primeiro título do hepta, a partir de dezembro, além de mim,
havia o Candeias, guarda-redes da seleção, e o Dragan Jerkovic, campeão olímpico com a Croácia. E a
verdade é que fui eu que joguei quase sempre e senti esse título como o primeiro que realmente
conquistei. No Évora também tive o professor Coelho e o Manel, que me influenciaram muito para ser
guarda-redes.
MF: E qual considera o seu ponto forte enquanto guarda-redes.
HL: (risos) Eu não sou forte nem alto. As minhas características são totalmente diferentes das do
típico guarda-redes de andebol. Acho que era muito bom a ler o jogo. Também devido ao estudo
prévio que fazia dos jogos - cheguei ao ponto de ver quatro jogos do adversário antes de cada jogo,
se não sentia que estava a jogar nu -, eu conseguia antecipar os movimentos dos remates e aliava a
isso a rapidez de reação. Tinha de ser esperto e jogar com o que tinha de forte. Mas acho que o meu
ponto forte eram os remates de 1.ª linha.
MF: Sente que fica perpetuado como um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre?
HL: Eu não faço questão de ser perpetuado. Claro que toda a gente gosta de ser elogiada. Mas o que
sinto é que fiz história. Fiz bem o meu trabalho como atleta e sinto que fui dos melhores. Não me
considero o melhor nem uma estrela. Tentei sempre ser o melhor, por vezes fui, outras não. Mas acho
que para a história, fico como um dos melhores guarda-redes portugueses a nível internacional.
MF: Quais são os outros?
HL: Lembro-me de ver o Paulo Morgado, que era fantástico a defender. O Sérgio Morgado também fez
exibições memoráveis. Houve uma altura em que o meu objetivo era copiar o Sérgio, adorava vê-lo
defender. O Carlos Ferreira também foi um grande guarda-redes, tal como o Ricardo Candeias. Agora,
ganharam tantos títulos como eu? Talvez só o Carlos Ferreira. Acho que não fui indiferente e que
daqui a dez anos vai haver gente a lembrar-se de como o Laurentino defendia.
MF: Temos algumas perguntas 'encomendadas'. O Quintana quer perguntar o seguinte: conhecendo-o
desde que chegou ao FC Porto, como vê a evolução dele como guarda-redes?
HL: (risos) O Quintana evoluiu drasticamente. Evoluiu muito e em tudo. E acho que está no auge da
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carreira. Está na melhor fase de sempre. Está muito calmo, seguro, sabe o que quer e sabe o que faz.
E começou a delinear objetivos, que era uma coisa que ele antes não fazia. Muitas vezes, fazia as
coisas por fazer, e agora traça objetivos, o que o ajudou a tornar no que é hoje.
MF: Colocá-lo-ia no top-5 mundial?
HL: Diria que sim: ele é capaz de estar, neste momento, no top-5 mundial de melhores guarda-redes.
MF: E que influência sente que teve na evolução dele?
HL: Nós temos uma relação mesmo muito boa. Sempre nos ajudámos muito, tanto em treinos como
em jogos. Mas por exemplo, quando ele chegou, há 10 anos, o Quintana não observava nenhum
adversário antes do jogo. E influenciei-o nisso. Se lhe perguntares agora, ele não consegue ir para um
jogo sem o analisar. Ele via muito pouco andebol e agora está sempre a ver. E acho que isso é muito
bom para quem sonha ser o melhor. Para perceber a evolução do andebol e ver o que os outros
fazem. E tornou-se muito mais sério no treino. Hoje não admite que um colega não esteja a 100 por
cento no treino, que era aquilo que nós o obrigávamos a fazer. Nós fizemos com que ele mudasse e
ele está a fazer com quem os mais novos mudem.
MF: O Diogo Branquinho, seu colega de assento no balneário, quer saber uma coisa simples: qual a
receita para o FC Porto voltar a ganhar sete títulos consecutivos?
HL: (mais risos) Acima de tudo, é a união do grupo. É preciso estarem todos focados no único objetivo
e não em coisas paralelas. É a única coisa que interessa. E depois, darem tudo nos treinos e puxarem
para o treino os colegas que estiverem com a cabeça noutro lado.
MF: Este FC Porto da atualidade parece-lhe dos melhores de sempre. Capaz de um feito como o do
hepta?
HL: Eu vou fazer um exercício: para mim, a melhor equipa do FC Porto foi com Carlos Ferreira, Rui
Rocha, Eduardo Filipe, Carlos Resende, Carlos Matos, Petric, Dedu, Manuel Arezes, Ricardo Costa e
David Tavares. Essa para mim foi a melhor equipa. O que é que eles ganharam? Dois ou três títulos
nacionais. E nós, com aquela equipa que criámos, conseguimos ganhar sete títulos. Eu não sei se esta
equipa vai ganhar sete títulos, mas já ganhou um. E não espero que ganhem sete, mas que ganhem
oito, para poderem quebrar o recorde. Se comparamos as equipas pelos feitos, esta é das melhores de
todas: ganhou campeonato, Taça e foi à final-four da Taça EHF.
MF: Mas acha que as equipas com os melhores jogadores nem sempre conseguem ser as melhores
equipas?
HL: Sim. Acho que é preciso uma boa base. E no hepta, tivemos uma boa base: eu o Moreira, o
Gilberto, o Tiago Rocha e, numa primeira fase também o Filipe Mota e o Wilson [Davyes]. Mas
principalmente os quatro primeiros, que durámos mais tempo e que demos uma base forte. Nenhum
de nós era brilhante, mas éramos bons jogadores, e conseguimos ajudar o FC Porto a chegar a um
grande patamar. Mas em termos internacionais, nós os quatro eramos banais.
Hugo Laurentino, Ricardo Moreira e Gilberto Duarte, os três hepatacampeões pelo FC Porto
MF: E nesta equipa é diferente?
HL: Hoje é completamente diferente. O Quintana pode jogar num Kiel. O Daymaro e o Victor [Iturriza]
também podem jogar num Kiel. O Alexis [Borges] esteve no Barcelona. E naquela altura não tinhas
ninguém que pudesse jogar nessas equipas. Para vermos, o Tiago Rocha e o Gilberto foram para uma
grande equipa da Polónia. Foram para o Wisla Plock, mas não foram para o Kielce que é a grande
equipa da Polónia. Hoje temos jogadores que podem entrar nas melhores equipas do mundo.
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Adérito Esteves
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Laurentino: Queria voltar a jogar, mas até tive de reaprender a andar
Tipo Meio: Internet Data Publicação: 21/11/2019
Meio: TVI 24 Online Autores: Adérito Esteves
URL: http://www.pt.cision.com/s/?l=2df5fa63
Grande entrevista do histórico guarda-redes do FC Porto que anunciou o final da carreira no início de
outubro
O guarda-redes Hugo Laurentino decidiu, aos 35 anos, colocar um ponto final numa carreira que fez
dele um dos andebolistas portugueses com mais títulos conquistados de sempre.
Só campeonatos nacionais, foram 10 aqueles que ajudou o FC Porto - sempre o FC Porto - a vencer.
Pelo meio fez história também por ter sido um dos três protagonistas de todos os títulos do
heptacampeonato que os dragões conquistaram, dominando o andebol nacional entre 2009 e 2016.
Numa conversa de quase duas horas com o Maisfutebol, Tino, como é conhecido no meio do andebol,
falou sobre tudo: andebol, contabilidade e até do dia em que salvou uma vida.
Explicou como não conseguiu nem quer deixar de ter vícios de atleta, razão pela qual se levanta de
madrugada para estar a treinar às 7h. No Dragão Arena, pois claro.
Mas também se deixou emocionar por uma despedida que ainda está em carne viva. Assumiu que os
problemas no joelho direito começaram a surgir em 2009 e que desde 2011 foi um descalabro.
Havia alturas em que não conseguia andar. Arrastei, arrastei, arrastei... até ao momento em que
estava a tomar anti-inflamatórios para conseguir dormir. Não era para treinar: era para me tirarem a
dor para conseguir dormir. Não dava mais para continuar 'drogado' para dormir, treinar e jogar.
Foi, por isso, pelo final que começou esta conversa. Pelo final, que é também o início de uma nova
aventura, como Team Manager da equipa de andebol do FC Porto. E essa foi a outra razão pela qual
Florentino deixou as balizas que defendeu durante mais de 25 anos.
Maisfutebol: Como se prepara o fim de algo que se fez durante quase toda a vida?
Hugo Laurentino: Sinceramente, nós achamos sempre que estamos preparados para acabar a carreira,
mas quando chega o dia, percebemos que afinal não estamos. Eu estava parado por lesão há cerca de
um ano e a fazer tudo por tudo para voltar a competir ao mais alto-nível. Um dos meus grandes
objetivos era poder decidir: 'este é o meu último jogo, não vou voltar a competir'. Infelizmente isso
não aconteceu.
MF: Devido à lesão...
HL: Existe a especulação de que eu deixei de jogar só pela lesão, mas essa não é essa a pura
verdade. Não foi por isso que eu deixei de jogar. Ninguém sabia, mas eu já estava a treinar com a
equipa B. Já estava 99 por cento decidido que este seria o meu último ano a jogar, só que tinha
aquela luta interna de poder voltar e mostrar às pessoas que ainda podia competir ao mais alto nível.
Era o objetivo pelo qual eu estava a lutar.
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MF: O que fez mudar o plano?
HL: Felizmente - ou infelizmente, só o tempo dirá (risos) - surgiu a oportunidade de ficar com o cargo
de Team Manager, porque o anterior foi exercer funções na SAD.
MF: Uma grande mudança.
HL: Sim. Não foi fácil dar uma resposta no dia, e não dei, mas fui para casa pensar. E ao colocar todos
os prós e contras nos pratos da balança, achei que apesar de não ser como eu queria, terminar a
carreira era a decisão correta. Infelizmente não consegui chegar ao fim do objetivo que tinha traçado,
mas foi por um objetivo a longo prazo. Pensei no futuro e no bem-estar, tanto meu como da minha
família.
MF: Mas como foram esses meses de batalha. Vir para o pavilhão tentar recuperar diariamente, ver a
equipa a jogar...?
HL: Foi muito duro. Foi um ano e pouco após ter sido operado que decidi aceitar esse novo desafio. Eu
fiz tudo. Mesmo nas férias, estava com toda a minha família, e levantava-me mais cedo para ir
treinar. Treinava duas vezes por dia, mesmo nas férias. Estava realmente focado. E nestes últimos
dois meses, treinava três/quatro vezes por dia. Chegava às 10h já com dois treinos. Por isso, foi
mesmo muito difícil decidir dizer: 'Não vou jogar mais. Vou terminar por aqui'.
MF: Até porque não era assim que imaginava terminar...
HL: Não, não era. Mas o FC Porto preparou-me uma despedida que nunca pensei poder ter. Foi
realmente espetacular [a voz começa a ficar embargada], tornou-se um dia inesquecível e nunca me
vou esquecer.
[Laurentino faz uma pausa, com lágrimas a escorrer-lhe pelo rosto]
MF: Mas acha que é justificado, que merecia isso por tudo o que deu ao clube, não só como jogador,
mas pelo que representa enquanto pessoa?
HL: [limpa a garganta, pede desculpa e prossegue, ainda sem controlar as lágrimas e com a voz
embargada durante toda a resposta] É como disse antes: eu gostava de ter terminado a saber que
aquele seria o meu último jogo. Não foi possível isso acontecer. Mas não sei se teria sido tão giro e
emocionante como foi, se isso tivesse acontecido. E talvez não fosse tão inesquecível como foi com
tudo o que me prepararam no jogo com o Kiel. Ao olhar agora para trás, e se me dessem a escolher
entre ter vivido o dia que vivi desta forma, nunca o iria trocar para escolher o meu último jogo.
MF: Quando a recuperação começou a complicar-se deu uma entrevista na qual assumia que não
estava preparado psicologicamente para aquela lesão. Quanto tempo demorou a aceitá-la?
HL: Foi muito difícil. Para se perceber: a vinda do [Thomas] Bauer aconteceu porque a minha
recuperação era para ter demorado dois meses. Nesse período íamos jogar com o Benfica, e como já
tínhamos perdido com o Sporting, não podíamos voltar a perder, sob pena de ficarmos para trás na
corrida pelo título. E era preciso alguém para ajudar o Quintana, com mais experiência do que o Chico
[Francisco Oliveira, de 17 anos].
MF: Era uma contratação temporária.
HL: Sim, era só para vir fazer aqueles jogos até dezembro. E até hoje continua cá. Teve de continuar.
E eu também tive de me adaptar. A verdade é que quando dei aquela entrevista, ainda não sabia se ia
conseguir recuperar alguma coisa. Até há uma imagem em que me filmam de costas e vê-se
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perfeitamente que eu nem conseguia descer as escadas. Tentei descer, para disfarçar, mas não
conseguia.
MF: Foi um período mais delicado...
HL: Sim, porque estava a ser muito difícil ver uma pequena melhoria. É difícil tu não conseguires
descer escadas. É algo que dás como adquirido: chegas ali e desces. Nem pensas como é que desces
ou sobes. E no momento em que não sabes descer escadas, começas a ponderar muita coisa.
MF: Sentia que apesar da ambição de voltar, isso podia não voltar a acontecer?
HL: Eu estava a fazer a recuperação para voltar a jogar. Mas já não sabia se estava a fazer a
recuperação de atleta ou uma recuperação para a vida. Não sabia quanto tempo iria durar. E acredito
que também não fosse muito saudável para o FC Porto ter um atleta com o qual não sabe se pode
contar. O meu objetivo era voltar a jogar, mas eu tive de começar por reaprender a andar. Depois a
descer escadas, o que demorou muito, muito tempo. E caminhar, ir às compras... Quando consegui
fazer isso, começámos a pensar no Hugo Laurentino como atleta. Mas a primeira preocupação foi
recuperar o Hugo Laurentino como pessoa normal. E felizmente, estou apto para a minha vida.
MF: Esse arrastar da indecisão de saber se dava para voltar ou não, também tornou mais difícil a
situação?
HL: Eu sei a lesão que tenho e como está o meu joelho. E também sabia que estava a recuperar muito
bem, mas não sabia como iria reagir se voltasse a jogar. Podia acontecer eu regressar aos treinos e ao
fim de 15 dias o meu joelho voltar a inchar e eu ter de para mais duas ou três semanas. O meu joelho
é como uma bomba-relógio: eu não sei se ele ia durar uma semana, 15 dias, um ano ou dois. E por
não saber isso é que já estava 99 por cento decidido a parar. Só que havia sempre aquele um por
cento e o bichinho de voltar para dar mais um bocadinho. Até que apareceu esta oportunidade. Eu
ponderei muito e aceitei.
MF: E assunto encerrado.
HL: Sim. Voltando a falar do dia da homenagem no jogo com o Kiel. Esse foi o dia em que consegui
enterrar o assunto de não voltar a jogar. Nós dormimos sempre com a pulseira que nos controla o
sono. E a noite a seguir ao jogo foi aquela em que tive a melhor noite de sono dos últimos dois, três
meses. Por incrível que pareça. É como se tivesse sido o fechar de um ciclo. O ponto final em qualquer
expectativa que eu ainda pudesse ter de voltar a jogar. E o início de outra vida.
MF: Definitivamente fora do campo?
HL: Sim. Já me disseram que agora posso jogar nos vintages, e eu disse que não. Eu não vou jogar
mais andebol. Acabei a minha vida profissional como atleta de andebol. Claro que se acontecer alguma
coisa ao Quintana e ao Bauer, não vou dizer que não. Mas está mesmo fechado o ciclo do Hugo
Laurentino como atleta.
MF: E acaba realizado?
HL: Sim, acabei realizado. Juntamente com os meus colegas, sobretudo o [Ricardo] Moreira e o
Gilberto [Duarte], consegui fazer história. Fomos os únicos heptacampeões, não só do FC Porto, mas
do andebol português; consegui estar presente na dobradinha [na época passada] que nunca tinha
acontecido na história do FC Porto; e estive, não como atleta, mas ainda como capitão, numa finalfour
da Taça EHF. E aí, posso não ter tido uma influência direta como jogador, mas tive no balneário e
em toda a gente. Acho que fui muito importante nesse ponto.
MF: Até porque a lesão nunca o afastou da equipa.
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HL: Nunca. A partir do momento em que comecei a conseguir descer escadas e caminhar mais
normalmente, acompanhei a equipa para todo o lado. Fazia questão de estar em todos os treinos: eu
fazia ginásio de manhã com a equipa, com o meu plano específico; e à tarde estava aqui no treino no
pavilhão. Sentia que precisava de estar próximo da equipa. E era engraçado: quando eu falava nas
reuniões de equipa, o Daymaro [Salina, que herdou a braçadeira], nunca falava. Dizia que não tinha
nada a acrescentar [risos]. Que só era capitão quando eu não estava.
MF: Além do momento especial da despedida, está prestes a ser pai pela primeira vez, iniciou este
novo ciclo profissional. Tudo isso ajuda a abafar a dor por ter deixado de jogar?
HL: Sim. Não faz esquecer, mas espero poder passar mais tempo com a família, uma vez que deixei
de jogar. Mas pelos dois meses que levo neste cargo, já vi que é impossível [risos]. É chegar a casa e
estar a trabalhar para o andebol; é tentar ter o domingo para desligar do andebol e sai tudo ao
contrário... passas a manhã a tratar de coisas do andebol, à tarde tratas de coisas do andebol. Está
sempre a acontecer algo inesperado. É diferente. Eu agora estou a apanhar o outro lado dos
jogadores, que eu não me apercebia enquanto colega.
MF: Como ficam as relações com os antigos colegas de balneário com essa mudança?
HL: A verdade é que a relação com eles não é a mesma que era como atleta. Tenho de me distanciar
um bocado e sei que é muito difícil. Sobretudo com os jogadores mais velhos - como o Quintana e o
Daymaro, com quem jogo há dez anos. É muito difícil deixar de ter aquela relação de proximidade,
mas também acho que eles compreendem. Mais os mais velhos do que os mais novos. É um novo
desafio para todos.
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Adérito Esteves
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Hugo Laurentino: Merecia um espaço na seleção que nunca tive
Tipo Meio: Internet Data Publicação: 21/11/2019
Meio: TVI 24 Online Autores: Adérito Esteves
URL: http://www.pt.cision.com/s/?l=e1de13b5
Guarda-redes acredita que não foi tratado da forma que merecia na seleção
Tendo em conta o sucesso que alcançou no FC Porto e os prémios individuais de melhor guarda-redes
que foi acumulando, parecem demasiado curtas as 55 internacionalizações A de Hugo Laurentino.
A partir de determinada altura, a cada nova convocatória, a ausência do guarda-redes do FC Porto era
notada.
Agora, com o capítulo de jogador arrumado, esse foi um dos temas que Laurentino abordou na
conversa com o Maisfutebol.
E foi o assunto que, claramente, o deixou mais desconfortável, durante as quase duas horas de
entrevista.
Laurentino assume ter ficado com muita mágoa em relação à seleção , mas não deixou de enaltecer o
excelente momento que o andebol português vive.
MF: A carreira na seleção A fica como o ponto menos feliz num percurso de tanto sucesso?
HL: Muita gente pergunta sobre esse tema da seleção A. É uma questão um pouco delicada de se
falar. Mas deixem-me começar por dizer que não se trata de tirar mérito ao Hugo Figueira. Pelo
contrário, o Hugo é um excelente guarda-redes. Mas eu senti-me sempre um pouco injustiçado.
Porque eu era o melhor guarda-redes do campeonato, estava sempre milhas à frente nas estatísticas,
era o guarda-redes da equipa campeã nacional... Mas chegava à seleção e nunca jogava. Só entrava
quando estávamos a perder, ou contra uma seleção fácil.
MF: Sentia-se desvalorizado?
HL: Achava que não era tratado de uma forma justa. Quando [em 2012] muda o selecionador
[Rolando Freitas substitui Mats Olsson], continuei eu e Figueira nos convocados. E há um jogo de
apuramento em Espinho, contra a Macedónia. Eu joguei só a segunda parte, fiz um grande jogo, dos
melhores que fiz na seleção A, e ganhámos a uma seleção que nunca tínhamos vencido. No jogo
seguinte, vamos fora e eu não jogo. Fiquei 60 minutos sentado no banco. E isso... Tu sentes que és o
melhor, provas isso, e não jogas...
MF: O que traz o sentimento de injustiça...
HL: Começas a sentir-te mal. Parece que estava ali só por favor. E não tinham coragem de me falar de
frente. Mas passou. Na época seguinte, o Figueira não fica no Sporting, vem para o ISMAI e
continuamos os dois na convocatória. O primeiro jogo de qualificação [para o Mundial 2015] foi com a
Letónia, na Nazaré. Fui eu o titular, jogando o Figueira na segunda parte, e perdemos o jogo. Uns dias
depois vamos à Bósnia, perdemos também e eu só joguei os últimos minutos, quando já estávamos a
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perder por muitos. E na convocatória seguinte não fui chamado.
MF: Estranhou a opção?
HL: Eu não tenho de interferir em convocatórias. Mas acho que todos podemos ter um jogo mau. E
criticarem-me após um jogo a titular... Nesses 55 jogos, eu fiz quatro ou cinco a titular. Acho que não
me deram margem de erro. E como não me convocaram para o estágio seguinte, eu decidi que ia
dedicar-me a 100 por cento ao FC Porto e aos estudos. E foi isso que fiz.
MF: Abdicou da seleção?
HL: Foquei-me totalmente ao FC Porto. Muitas vezes eu vinha da seleção triste e chateado, e quem ia
pagar era o clube. Eu estava amuado nos treinos porque vinha com os sentimentos negativos da
seleção.
MF: Não voltou a ser contactado?
HL: Tentaram convocar-me várias vezes, mas sempre para torneios, nunca para apuramentos. E
desde aquele momento, falei sempre com as pessoas que tinha de falar e recusei o regresso à
seleção. Se fosse útil, se não houvesse mais guarda-redes e a minha convocatória fosse para um
apuramento, eu iria ajudar. Disse isso às pessoas. Mas para fazer torneios de chacha - quando eram
chamados os jogadores que nunca eram convocados ou que jogavam menos - disse para não
contarem comigo. Acho que tratarem-me assim era uma falta de respeito.
MF: Fica um amargo de boca por tudo isso?
HL: Fico com muita mágoa em relação à seleção. Fico com mágoa por nunca ter conseguido ter o
espaço que deveria ter tido. Acho que merecia ter tido um espaço na seleção que nunca tive. Mas os
tempos passam e temos de seguir em frente.
MF: Essa sua decisão foi comunicada à Federação, mas nunca foi divulgada publicamente pela
Federação?
HL: Nunca foi comunicado à Federação. Foi sempre comunicado aos selecionadores. Quando eles me
ligavam a perguntar a minha disponibilidade, eu dizia sempre que não estava disponível para torneios
e jogos amigáveis. E se me convocassem, eu ia - porque sou obrigado -, mas iria contrariado. E ao
saberem essa minha posição, nunca me convocavam.
MF: Nunca sentiu a necessidade de clarificar a situação?
HL: Aquilo que eu estou a dizer aqui, não podia ter dito enquanto jogador. Não podia dizer isso
abertamente porque ia estar a influenciar os jogadores mais jovens. Eu defendo que um jogador tem
de trabalhar não só para ser o melhor na sua posição, mas também para chegar à seleção. Acho que
qualquer jogador deve ter a ambição de chegar à seleção. Por isso, eu não podia falar disso. Não podia
entrar nessas guerras.
MF: Não voltou a ser chamado nem após a entrada de Paulo Jorge Pereira para o cargo?
HL: O professor Paulo Jorge Pereira convocou-me uma vez, quando o Quintana estava lesionado, para
fazer um jogo de apuramento. Mas iam três guarda-redes. E eu disse ao professor que não ia para ser
a terceira opção. Porque sabia que ia chegar lá e não ia jogar, mesmo que fizesse os melhores treinos.
Fomos falando os dois e chegámos à conclusão que a melhor opção era eu não ir.
MF: Mas como viu o apuramento de Portugal para uma fase final, 14 anos depois da última presença?
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HL: Acho que finalmente, Portugal está onde devia estar: de volta aos grandes palcos internacionais.
Agora no campeonato da Europa, e espero que no próximo ano, no Mundial. E que no futuro possamos
chegar a uns Jogos Olímpicos, porque isso seria muito bom para o andebol português.
MF: Acha isso possível a médio-prazo?
HL: Acho que estamos no bom caminho. O Paulo Jorge Pereira está a fazer um excelente trabalho, ao
conseguir adaptar as ideias de vários clubes, aproveitando as qualidades de cada jogador. Acho que
está a ser uma boa estratégia e está a dar frutos.
MF: Um dos bons sinais recentes do andebol português.
HL: Sim, podemos ver que o andebol português está a crescer. A seleção voltou a uma grande
competição, temos duas equipas na Liga dos Campeões - o FC Porto e o Sporting - e isso é um bom
passo para o andebol.
MF: O que acha que justifica este crescimento?
HL: O FC Porto investiu num treinador sueco, com muita experiência e uma visão completamente
diferente do andebol. Temos jogadores muito mais maduros e com um conhecimento de andebol
muito superior.
MF: Tem também a ver com o investimento, então?
HL: Sim, tem a ver com o investimento interno. O Sporting investiu muito e isso obrigou-nos a investir
também. Logo, se toda a gente melhora, o próprio andebol melhora. E depois surgem os resultados
internacionais.
MF: Aí é onde se vê de forma mais clara esse crescimento.
HL: Nós, no ano passado, ao conseguirmos eliminar o Magdeburg, acho que fizemos a reviravolta do
andebol português.
MF: Foi o clique que faltava?
HL: Toda a gente viu que uma equipa portuguesa era capaz de ganhar ao Magdeburg, que era na
altura o líder da Bundesliga. E se aquilo aconteceu, é porque conseguimos rivalizar com equipas da
Alemanha. Depois ainda ganhámos também ao Saint-Raphael, uma das melhores equipas de França.
O Sporting também teve muito bons resultados na Liga dos Campeões, conseguiu fazer frente ao
Veszprem. E depois Portugal também conseguiu derrotar a França. Vimos que não há equipas
imbatíveis e que nós estamos muito próximos dos melhores.
MF: E as provas continuam a aparecer...
HL: Sim, nós este ano na Liga dos Campeões já demos provas disso. Conseguimos ganhar ao Kiel na
Alemanha, onde é raro alguém conseguir ir ganhar; perdemos aqui, mas de uma forma muito
estranha, num jogo em que a única vez que estivemos em desvantagem foi no resultado final;
também ganhámos ao Kielce e fizemos uma boa figura na Macedónia com o Vardar [atual campeão
europeu]. Por isso, acho que as equipas lá fora já olham para nós com outro respeito.
MF: O recente sucesso das seleções jovens - meias-finais dos mundiais de sub-19 e sub-21 - também
ajudam a sustentar a certeza desse passo em frente?
HL: Sim. E nesses escalões jovens, eu acho que há muito mérito das grandes equipas, como o FC
Porto e o Benfica. Ao criarem as equipas B, essas equipas têm juniores a jogar na 2.ª divisão, contra
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seniores. E há equipas muito boas nesse escalão, o que faz com que esses jovens atletas cresçam. E
muitos deles ainda jogam uns minutos na equipa A. Por isso, têm uma margem de crescimento muito
maior do que antigamente, o que ajuda nas seleções.
MF: Dá-lhes uma estaleca diferente...
HL: Eles vão preparados para esses jogos. Além das equipas da 1.ª divisão que estão a apostar em
jovens jogadores. Temos o caso do Gaia, com o Martim [Costa], que é júnior de primeiro ano, no ano
passado foi o melhor marcador da 2.ª divisão e este ano está a jogar na 1.ª divisão.
Adérito Esteves
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otilious

Moderator
21 Março 2007
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Horta
  • Alfredo Quintana
  • Campeão Nacional 19/20
  • Taça de Portugal 19/20
  • Supertaça 19/20
ENORME!!!

Lamentar apenas a forma como terminou a carreira. Merecia ter terminado na baliza e sem problemas com lesões.


OBRIGADO POR TUDO CAMPEÃO!!!!!!!