Mais do que uma questão de nacionalidade, o que realmente importa é o treinador perceber a realidade do sítio onde está.Que puta de panca é essa do conhecedor do futebol português?
Bom treinador é bom em qualquer lado e o mesmo se coloca em relação aos jogadores. Ponto final.
Hans-Dieter Flick, esse profundo conhecedor do futebol espanhol e do Barcelona.
O futebol não é uma ciência exata. Não chega ser bom no papel, com boas ideias ou grandes conceitos.
É contexto, é balneário, é cultura tática, é pressão.
E perceber onde se está inserido faz toda a diferença.
No FC Porto, por exemplo, um treinador tem de lidar com um campeonato que é uma autêntica guerrilha.
Mais de metade das equipas jogam fechadas com bloco baixo com uma agressividade tremenda.
Os relvados fora de casa estão em mau estado.
Os árbitros permitem contacto físico contra o FC Porto, mas não te deixam usar a mesma arma.
E uma série de jogos menos conseguidos pode transformar-se numa crise interna no dia seguinte.
Por isso, “conhecer o futebol português” não é uma frase feita — é saber navegar nesta realidade.
É perceber que aqui não há muita margem e não há tempo para aprender com os próprios erros.
Quem chega com ideias muito bonitas, mas sem saber ao que vem… leva com a realidade em cheio.
E isto aplica-se a qualquer treinador, seja argentino, alemão ou português.
O que conta não é o passaporte. É a lucidez de perceber onde está e o que é preciso para ganhar ali.
No fundo, o futebol continua simples, como sempre, quem percebe o jogo — e o contexto — sobrevive. Quem não percebe… vai de regresso antes de perceber o que falhou.

