Não sou contrário à mudança e mesmo entendendo que a citação é num tom irónico tem um ponto que eu não discordo e que descreveria assim: 'Quem mais brada contra o poder instalado é quem habitualmente mais quer ser o poder instalado.' Ou se quiseres uma descrição de uma forma mais rude: "Quem mais fala contra aqueles que estão no poleiro mais poleiro quer." Por pouco sofisticado que pareça acaba por ser uma verdade quase universal. Seja no contexto religioso seja num contexto de poder político.Só que aquilo que citei, uma espécie de sátira muito sintética e um pouco mordaz, tem fundamentos teológicos e não é bem gostar é discordar em primeiro lugar de certos fundamentos e com o tempo romper e fundar uma nova igreja - em comparação existem as ideias políticas que levam a fundação de correntes que emanam desses conceitos e partidos políticos e mudam em função dos mesmos parâmetros dos teológicos - nada é estanque e muda conforme a realidade do dia a dia.
O que citaste no último parágrafo (internet e redes sociais) está em mutação muito mais acelerada com IA adulterada ou partindo de bases diversas (repara que na wikipedia aparecem dados e conclusões mas no fundo tem as fontes que levaram a elas que podem levar a inversão se aparecerem dados antagónicos).
Estamos em tempos de mutação acelerada e é impossível para já prever o que virá, certo apenas sabemos que em 5 anos ou menos tudo mudou para não falar do início do século aonde práticamente a internet se tornou um motor vital da sociedade.
Relativamente ao AI eu sou semi céptico. Acho que haverá transformações mas o grosso das mudanças e ganhos de eficiência já foi conseguido com a digitalização "comum". O Elon também disse que os carros andariam sozinhos de forma mais segura que as pessoas a conduzir e ainda estamos à espera. O mesmo se passará para outras promessas grandiosas.
Relativamente à distorção da informação no espaço virtual bom... a internet sempre foi uma selva e uma gritaria. O único ponto que mudou relativamente à internet antes das redes sociais foi o carcter intrusivo de estar sempre presente no nosso bolso e a evolução do algoritmo de sugestões de visualização para um foco na adição a todo custo. Este ultimo ponto contém em si 2 ou 3 problemas gravíssimos. Primeiro o problema da blackbox. Se eu não tiver nenhuma forma de saber como me foi sugerido o que me foi sugerido ninguém me garante que eu não possa estar a ser lentamente manipulado. Segundo o problema das bolhas. Se eu estiver sempre a receber feeds daquilo que gosto posso entrar numa espiral de intolerância para o restante, para além de que acabará para contribuir para o terceiro problema: blind spots. Se certos conteúdos forem escondidos das pessoas que não gostam deles o que quer que haja de condenável nesses mesmos conteúdos nunca será escrutinado. Isto tudo é muito perigoso e isto tudo contribui para o ponto inicial "não gostar".
O confronto e drama de ver uma pessoa na maledicência venderá sempre muito melhor que alguém a meter conteúdos na positiva. É esta espiral negativa que me assusta.. e que honestamente explica muito das radicalizações recentes tanto na política como numa visão "tremendista" dos "valores" histórico religiosos da sociedade. Temo tempos sombrios...