Todos os jogos do FC PORTO em todos os campeonatos

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hast

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No dia 11 de Março de 1934, em jogo a contar pra a qualificação do Campeonato do Mundo, a realizar nesse mesmo ano em Itália, a selecção portuguesa de futebol é “sovada”, sem apelo, nem agravo, pela sua congénere espanhola. Resultado: Espanha 9-0 Portugal!
Semelhante desastre (e vergonha), obrigou os responsáveis pelo futebol português, a repensarem os moldes competitivos praticados em Portugal. Aparece então uma nova prova em “poule” que se manteve até aos nossos dias e que começou com a denominação «Campeonato da I Liga». Tal não supôs que a competição nacional até aí disputada, o Campeonato de Portugal (mais tarde Taça de Portugal), tivesse prejuízo em detrimento do novel campeonato, assim como dos campeonatos regionais. Atualmente, como é do conhecimento geral, existem mais dois troféus a serem disputados no calendário futebolístico português: a Supertaça e a Taça da Liga.
Posto isto e socorrendo-me de algumas fontes, entre outras, «O Século do Dragão», «ALMANAQUE DO FC PORTO - 1893/2011», «Glória e Vida de Três Gigantes – A Bola», vou tentar postar aqui todos os jogos oficiais que o FC PORTO disputou no campeonato, até aos nossos dias. Depois, noutros tópicos, seguir-se-ão os jogos da Taça de Portugal e das competições europeias.

(1º) Campeonato da I LIGA  -  Época 1934/1935

1ª Jornada – 20 de Janeiro de 1935 – Campo das Salésias (Lisboa) - Árbitro: José Travassos (Lisboa)
Belenenses  1-1  FC Porto

2ª Jornada –27 de Janeiro de 1935 – Campo da Constituição - Árbitro: Artur Moreira (Aveiro)
FC Porto  7-1  Académica de Coimbra

3ª Jornada –3 de Fevereiro de 1935 – Estádio do Lima (Porto) - Árbitro: Manuel de Oliveira (Coimbra)
FC Porto  2-1  Benfica

4ª Jornada – 10 de Fevereiro de 1935 – Campo dos Arcos (Setúbal) - Árbitro: Cládio Nunes (Lisboa)
V. Setúbal  1-0  FC Porto

5ª Jornada – 17 de Fevereiro de 1935 – Campo Santo Amaro (Lisboa) - Árbitro: Carlos Mesquita (Coimbra)
União de Lisboa  0-2  FC Porto

6ª Jornada – 24 de Fevereiro de 1935 – Estádio do Lima (Porto) - Árbitro: Vieira da Costa (Porto)
FC Porto  3-0  Académico

7ª Jornada – 3 de Março de 1935 – Estádio do Liam (Porto) - Árbitro: Luiz Camara (Santarém)
FC Porto  4-2  Sporting

(*) 8ª Jornada – 10 de Março de 1935 – Estádio do Lima (Porto)
Árbitro: Luiz Camara (Santarém)
FC Porto  1-0  Belenenses

9ª Jornada – 17 de Março de 1935 – Campo de Santa Cruz (Coimbra) - Árbitro: Tavares da Silva (Lisboa)
Académica de Coimbra  2-4  FC Porto

10ª Jornada – 24 de Março de 1935 – Campo das Amoreiras (Lisboa) - Árbitro: Manuel Marques
Benfica  3-0  FC Porto

11ª Jornada – 21 de Abril de 1935 – Estádio do Lima (Porto) - Árbitro: Carlos Canuto (lisboa)
FC Porto  3-2  V. Setúbal

12ª Jornada – 7 de Abril de 1935 – Estádio do Lima (Porto) - Árbitro: Santos Farinha (Santarém)
FC Porto  7-4  União de Lisboa

13ª Jornada – 14 de Abril de 1935 – Estádio do Lima (Porto) - Árbitro: José Pereira (Porto)
FC Porto  7-0  Académico

14ª Jornada – 12 de Maio de 1935 – Campo Grande (Lisboa) - Árbitro: Luiz Camara Santarém
Sporting  2-2  FC Porto

Resumo (FC PORTO CAMPEÃO)

Classificação Final
1º FC Porto            14/22
2º Sporting            14/20
3º Benfica              14/19
4º Belenenses        14/18
5º V: Setúbal        14/16
6º União de Lisboa  14/8
7º Académico        14/6
8º Académica C.    14/3

Treinador: Joseph Szabo
Melhor marcador do FC Porto na competição: Carlos Nunes  13 Golos

 
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hast

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(*) O insólito deste campeonato
No arranque da segunda volta, a 10 de Março de 1935, o F. C. Porto bateu o Belenenses, por 5-4, numa partida brilhantíssima, com emoção, fulgor e entusiasmo! Um desafio que teve de tudo: a auréola romântica do imprevisto, energia, frequentes pedaços de bom jogo, erros a justificar a marcação de bolas e, pairando sobre estas e outras coisas que reflectem, no campo e em volta, confiança, desilusão, entusiasmo e alegria — aquele factor que sempre acompanha o volta-face, que se chama emoção.
Na primeira parte, 3-1 para o Belenenses, com o único golo portista marcado por Pinga. O quarto de hora final do primeiro tempo fora efectivamente aterrador para o F. C. Porto, que se deixou manobrar, dando, por vezes, impressão de reacção impraticável. E, em face disso, ao intervalo, a possível vitória dos lisboetas era aceite de um modo geral. As esperanças desfeitas, a angústia nos rostos dos adeptos portistas e no olhar frio com que os seus jogadores saíram para a cabina. Como se da atmosfera ressumasse mais que melancolia, angústia — na iminência da esperança atraiçoada.

O árbitro e a Polícia a cavalo

O futebol e os homens têm coisas assim. A clara diferença dos estados de espírito das duas equipas, ao terminar o primeiro tempo, serviu, afinal, para valorizar de forma brilhantíssima o primeiro quarto de hora da segunda parte, findo o qual o F. C. Porto tinha marcado três golos, transformando o 3-1 do adversário em 4-3 a seu favor. Esta recuperação empolgou. Não houve, decerto, ninguém no campo que se tivesse abstraído da emoção que o jogo teve às mãos-cheias, nesse curto período, que ainda pareceu mais curto pelo sem-número de coisas julgadas pouco antes incríveis e que se verificaram.
Os jogadores portistas, com os rostos cobertos de camarinhas de suor e coração quente, continuaram, apaixonados, a liça. Difícil descrever o ambiente e espectáculo dentro e fora do terreno. O Belenenses empatou já no quarto de hora final e, aos 83 minutos, o golo da vitória do F. C. Porto...
Mas, para que o dramatismo se estendesse ainda mais, a um minuto do fim, o árbitro, António Palhinhas, assinalou penalty contra os portistas, por alegada mão de Valdemar. Caiu Tróia! A atitude do árbitro foi, porém, incerta e, acabando por ir perguntar ao seu «lineman» se fora ou não «penalty», deu o dito por não dito, reatando o jogo com bola ao ar. Brados e gritos, blasfémias praguejadas pelos lisboetas e muitos dos seus adeptos que se tinham deslocado ao Porto em comboio especial, pagando... 40 escudos pela viagem, intervenção policial, com a guarda a cavalo amainando a tempestade à força de bastão.
Os dirigentes do Belenenses não calaram o desafio: que protestariam o jogo. Dito e feito.
Surpreendentemente, a FPF dava provimento ao protesto apresentado pelo Belenenses, no jogo emotivo do Porto. Era talvez um processo (ou uma solércia?) para tentar entravar a marcha ascensional que o F. C. Porto vinha tomando na disputa do Campeonato da Liga. Não surtiu o efeito desejado, porquanto em novo jogo os portistas mantiveram a sua posição de líder da competição, ao vencer, de novo, o Belenenses. «O F. C. Porto ganhou com justiça, por um golo apenas, mas com uma superioridade que podia ter tido maior expressão no segundo tempo.»
In «Glória e Vida de Três Gigantes – A Bola»

 
J

jorgcastro

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Deixo algumas notas sobre este campeonato.
O jogo contra o Belenenses, o segundo que ficou 1-0, foi disputado a 10 de Abril e não a 10 de Março.
A 10 de Março foi o primeiro jogo dos 5-4!
O último jogo do campeonato, e acredito existam fontes contraditórias, excepcionalmente, foi no Lumiar e não no Campo Grande, que era a casa dos lagartos!
O Carlos Nunes, e outra vez, existem fontes contraditórias, segundo as minhas contas acabou com 12 golos (tal como Pinga) e não 13. A diferença estará no jogo com o Vitória de Setúbal (3-2) num golo de Carlos Nunes ou Waldemar Mota.
 

mega_dragon

Tribuna
24 Junho 2012
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334
Neste momento estamos invictos para o campeonato à 72 jogos consecutivos em casa !

Alguém sabe qual o nosso record histórico ? E já agora qual o record absoluto em Portugal...
 
M

Mike_Walsh

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Algumas curiosidades sobre essa época de 34/35, o primeiro Campeonato da I Liga e o primeiro título de campeão nacional do FC do Porto:

- a época começou com uma «guerra aberta» entre o FC Porto e o Progresso, porque o FC Porto queria unir-se ao Progresso para lhe ficar com o campo, o campo do Ameal, já que o da Constituição era muito pequeno. «Guerra aberta» também entre o «Norte Desportivo», que defendia o FC Porto, e o «Sporting», que defendia o Progresso. Este último jornal, que na altura era dirigido pelo presidente do Boavista, fez uma enorme campanha contra o FC Porto.

- No Campeonato Regional, o Salgueiros não tinha guarda-redes para o jogo com o FC Porto e o FC Porto emprestou-lhe um dos seus, Trindade. Ficou 10-0, mas a imprensa da época diz que o guarda-redes do Salgueiros (emprestado pelo FC Porto apenas para aquele jogo) até jogou bem.

- FC Porto contrata o avançado Artur Alves, vindo da Madeira. Pouco tempo ficou, já que foi apanhado no balneário a roubar dinheiro aos colegas e teve de fugir.

- Vai começar o Campeonato Nacional. «Os clubes da província, como FC Porto e Setúbal, são adversários rudes para a pretensa superioridade dos clubes da capital» (jornal Sports)

- Belenenses - FC Porto na 1ª jornada. FC Porto leva flores para oferecer ao Belenenses. Penalty mal marcado contra o FC Porto, mas Belenenses falhou.

- O Hotel de Santo Tirso publica nos jornais uma promoção: 5% de desconto para os sócios do FC Porto. O almoço custa 12 escudos, o jantar 14.

- FC Porto - Benfica na 3ª jornada. Os dois clubes estavam de relações cortadas. Causou espanto que Álvaro Pinto e Gaspar Pinto tenham alinhado pelo Benfica, o primeiro porque estava castigado por 6 meses, o segundo porque era jogador do Carcavelinhos e foi recrutado pelo Benfica apenas para aquele jogo. Penalty contra o Benfica falhado por Pinga. Árbitro mandou repetir porque estavam jogadores do Benfica dentro da área. Voltou a falhar, mas na recarga marcou. Imprensa portuense queixa-se da arbitragem. «Nós não somos estrangeiros aqui no norte!», diz o «Norte Desportivo».

- No Sporting - Académico, na mesma jornada, indivíduo entra no camarote de imprensa e insulta os «chulos da imprensa» que se uniram para dizer mal do Sporting.

- Jornal «Sporting» denuncia: Associação de Futebol do Porto gastou 55 contos em automóveis e viagens para Lisboa!

- Para o Académico - Porto, derby da invicta na 6ª jornada, o Académico recusou o árbitro proposto pela Federação Portuguesa de Football Association.

- 7º jornada, FC Porto - Sporting, 4-2, jogo muito duro, jogador do Sporting pontapeia fiscal de linha, público atira almofadas para o campo.

- 8ª jornada, FC Porto - Belenenses, 5-4, jogo anulado porque Belenenses protestou jogo. Árbitro António Palhinhas marca penalty contra o FC Porto no último minuto e depois volta atrás na decisão porque Valdemar lhe jura que não tocou a bola com a mão. Durante muitos anos, nunca o FC Porto ganhou um jogo com este árbitro. A repetição do jogo foi decidida pelo Conselho Técnico da Federação, constituído por um representante de Lisboa, Ribeiro dos Reis, que era o presidente desse órgão e ao mesmo tempo director do Benfica; por um representante do Porto; e por um outro de Setúbal.

- Joseph Szabo diz que os jogadores portugueses não são disciplinados e não cumprem as ordens do treinador.
(continua)
 
M

Mike_Walsh

Guest
(continuação)

- Na 9ª jornada, o árbitro do Belenenses - Sporting enganou-se e acabou a primeira parte 15 minutos mais cedo. No Académica - FC Porto, na mesma jornada, um dos fiscais de linha foi embora a meio do jogo porque o árbitro não respeitava as suas decisões. Agressões ao árbitro e aos jogadores do FC Porto. Semanas depois, quando o Orfeão Universitário de Coimbra veio tocar ao Teatro Sá da Bandeira, o público assobiou-o ruidosamente como forma de represália pelos acontecimentos de Coimbra.

- Benfica - FC Porto, 3-0, 10ª jornada. FC Porto muito mal recebido em Lisboa. Bandeiras do Sporting e do Belenenses uniram-se às do Benfica nos festejos. Jornais desportivos do Porto e de Lisboa insultam-se por causa dos incidentes no campo das Amoreiras.

- 13ª jornada, Benfica ganha ao Belenenses e tira a este a hipótese de ser campeão. No Porto - Académico, 7-0, a imprensa queixa-se da hora a que acaba  jogo, 7 horas da tarde. «Não há direito!»

- Última jornada, Sporting - FC Porto, Sporting precisava de vencer 3-0 para ser campeão. Ficou 2-2. Guarda-redes do FC Porto, Soares dos Reis, atirava beijos para a assistência, agradecia os assobios, longos gestos teatrais, provocando a fúria do público.

-FC Porto Campeão Nacional. Recepção apoteótica à chegada da equipa à Estação de S. Bento. Toda a imprensa é unânime em considerar justíssima a vitória.

- Receita total de bilheteira deste Campeonato: 874 contos. FC Porto clube com mais receitas - 124 contos.

- Treinador do Porto, Szabo, vai fazer visita de estudo a Inglaterra. Abre-se uma subscrição pública para lhe pagar a viagem, mas rende pouco. Jogador do FC Porto adianta-lhe o dinheiro. FC Porto criticado por não lhe pagar a viagem.

- Instabilidade governativa no FC Porto apesar da vitória no Campeonato. O défice é de 20 contos e os sócios querem saber as razões desse descalabro financeiro.

- Fala-se na hipótese de alargar o Campeonato Regional do Porto de 6 para 8 clubes de forma a permitir a entrada do Coimbrões. Parece que o FC Porto está por trás desta manobra, com o objectivo de ficar com os 8 votos desse clube e assim ficar com maioria na Associação de Futebol do Porto.

- Mais de mil sócios ameaçam abandonar o clube se a Direcção persistir em criar 3 categorias de sócios: Associados; Senhores Associados; Exmos. Senhores Associados. «Em toda a parte se vêem restos de cartões de sócios, feitos em pedaços pelos mais exaltados», dizem os jornais.

- Para verem todos os jogos do FC Porto em casa, sócios teriam de pagar 90 escudos. Será que o clube tem pretensões a ser uma «Sociedade Comercial por Quotas»?, pergunta a imprensa.

- Em Inglaterra, abre-se a discussão sobre a hipótese de os jogos serem dirigidos por dois árbitros.

- FC Porto decide que todos os seus atletas passam a pagar quota de associado. Se quiserem, podem pedir redução de 50%.

- Câmara Municipal do Porto cria Medalha de Ouro do Mérito Desportivo para homenagear os primeiros Campeões Nacionais de Futebol.
 
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Mike_Walsh

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O PRIMEIRO PORTO - BENFICA DA HISTÓRIA DOS CAMPEONATOS

O primeiro Porto - Benfica da história do Campeonato Nacional de Futebol decorreu no campo do Lima a 3 de Fevereiro de 1935, na 3.ª jornada da época de 1934/35. Quando se disputou o jogo, Porto e Benfica estavam de relações cortadas há 3 anos, embora fossem cada vez mais visíveis os sinais de um futuro reatamento.
O Porto, treinado por Joseph Szabo, venceu por 2-1 com golos de Lopes Carneiro e de Pinga para o Porto e de Valadas para o Benfica.
Como de costume, foi um jogo com casos. Para o «Sporting», jornal do Porto, «o jogo dos portuenses foi muito agradável, tendo sido altamente prejudicados pelo árbitro, que parecia apostado em favorecer o Benfica». Já para a «Stadium», revista de Lisboa, a arbitragem de Manuel de Oliveira, do Porto, foi «imparcial e prejudicou os dois grupos».
Muito discutido foi o segundo golo do Porto, resultante de uma grande penalidade por mão de Gustavo. Pinga falhou o penalty, mas o árbitro mandou repetir por estarem jogadores do Benfica dentro da área. Na repetição, o avançado do Porto voltou a falhar, mas conseguiu marcar na recarga.
Mas a polémica não se ficou pelos casos de arbitragem. Pela equipa do Benfica, jogou Álvaro Pina, que estava suspenso por seis meses. A suspensão foi levantada nessa mesma semana, sem que o prazo de seis meses estivesse concluído, e voltou a estar suspenso na semana seguinte. Jogou também Gaspar Pinto, jogador que o Benfica foi buscar ao Carcavelinhos nessa mesma semana. Já na semana seguinte, contra o Benfica, Gaspar Pinto não jogou, porque voltara ao Carcavelinhos para fazer o resto da época. Ou seja, jogou pelo Benfica apenas contra o Porto. Um acordo entre Benfica e Carcavelinhos com que a Associação de Futebol de Lisboa concordou. Os jornais de Lisboa, ao contrário dos do Porto, não referiram esta questão.
«Acaso o FC do Porto representará um papão que se torne absolutamente necessário vencer à outrance? Será necessário usar processos desleais e incompatíveis com o critério são de dirigentes para que dois pontos sejam disputados dessa forma? Ou torna-se necessário aproveitar tudo para que o mais categorizado representante do norte não venha a ser o vencedor do Campeonato da Liga?
Nós não somos estrangeiros aqui no norte! O FC do Porto, como qualquer outro clube do norte, tem direitos iguais aos seus semelhantes de Lisboa. Se perder que seja sem iniquidades nem atropelos à lei», dizia o «Sporting» de 10 de Fevereiro.