Na época seguinte, o FC Porto volta a ser campeão, com o golo do Kelvin já perto do fim. Estava já no SC Braga, sendo que saiu em janeiro desse ano. Foi especial na mesma?
ER: Sim, fui ao estádio nesse jogo. Desci ao balneário para cumprimentar os meus colegas. Foi uma loucura. Tinham a pressão de o Benfica ser campeão no Dragão. Impossível, jamais, nem que os jogadores do FC Porto morressem ali. Kelvin era um miúdo humilde, ao estilo do Juan Iturbe. Mesmo o James Rodríguez, quando chegou, nem sabia o que era um fora de jogo. Nós dizíamos-lhe no treino: 'Sai daí que ninguém te vai passar a bola em fora de jogo.'
Lá está, o Kelvin era rápido, tecnicista, mas ainda não decidia. A verdade é que o Vítor Pereira olhou para o banco e preferiu o Liedson. Depois meteu o Kelvin para arriscar tudo. Durante a semana, ele andava a dizer que ia resolver o Clássico. Contaram-me que brincavam com ele e diziam: «Vamos lá ver é se és convocado!»
ZZ: A festa deverá ter sido inesquecível para todos...
ER: As pessoas não têm noção da loucura que foi. Lembro-me do Moreno, o roupeiro da altura, a gozar com o Jorge Jesus no túnel. Lá no fundo a gritar: 'Oh Jesus, ajoelha-te mais uma vez!' O pessoal vibrava de uma forma louca. Foi o maior festejo que vi na vida. As pessoas atropelavam-se nas celebrações.