Jesualdo Ferreira elogia a solidez defensiva e a intensidade da equipa de Francesco Farioli, encontrando afinidades com o seu FC Porto tricampeão (2007–2009).
O FC Porto terminou a primeira volta da Liga Betclic com 16 vitórias e um empate em 17 jornadas (49 pontos em 51 possíveis), a melhor pontuação registada ao fim da primeira metade em campeonatos com 18 equipas.
Em declarações à Lusa, Jesualdo Ferreira – que orientou os dragões durante quatro épocas e é um dos treinadores mais titulados do clube, com três campeonatos, duas Taças de Portugal e uma Supertaça – admitiu a sua admiração pelo percurso atual do emblema azul e branco.
“Penso que este momento do FC Porto surpreendeu toda a gente. Quer dizer, surpreendeu nos primeiros meses, porque desde os jogos da pré-época se percebia uma mudança. É uma equipa que se destaca pela sua solidez defensiva, não apenas da linha defensiva. Os avançados e os médios desenvolvem linhas de pressão, que deixam os defesas apenas com preocupações de coberturas”, constatou.
A intensidade na pressão e o equilíbrio defensivo, que se traduzem na defesa menos batida da prova – apenas quatro golos sofridos – são, segundo Jesualdo, determinantes para o êxito de Farioli na sua estreia pelos azuis e brancos.
“A estrutura deste FC Porto é muito simples, mas extremamente bem executada por todos os jogadores, que começam o jogo a correr e acabam o jogo a correr. Globalmente, é um conjunto muito forte, tanto no plano defensivo como ofensivo. São muito fortes nos equilíbrios, um aspeto que considero fundamental”, analisou o técnico, que realçou ainda o médio Victor Froholdt como um jogador que “dá muita rotação à equipa”.
Para Jesualdo, a vantagem de sete pontos para o Sporting ao término da primeira volta deveu-se mais ao mérito dos dragões do que a um declínio dos leões, que também, na sua opinião, estão a ter uma boa temporada.
A entrada de Farioli implicou a transição táctica para um sistema 4-3-3, opção que Jesualdo utilizou com frequência no FC Porto e ao longo da sua carreira – reconhecendo semelhanças, mas também diferenças de comportamento.
“O regresso ao 4-3-3 agradou-me. No meu tempo, tínhamos uma estrutura semelhante, mas com algumas dinâmicas diferentes. Os nossos laterais davam maior profundidade e os nossos extremos eram praticamente avançados. Parece-me até, confesso, que a estrutura defensiva atual é mais segura, mas assim teria de ser porque tínhamos jogadores com características diferentes”, explicou.
“A estrutura deste FC Porto é muito simples, mas extremamente bem executada por todos os jogadores, que começam o jogo a correr e acabam o jogo a correr
Jesualdo Ferreira
Treinador
Contudo, alertou para alguma irregularidade exibicional que pode surgir: “Naquela altura, quando chegávamos ao primeiro lugar, era muito difícil tirar-nos de lá. Porque a equipa era menos de ‘picos’, a atual tem mais essa tendência. Agora, há mais altos e baixos, o que pode ser bom ou mau dependendo das situações”, defendeu.
Recordou também um episódio da época 2007/08, quando, apesar dos bons comportamentos tácticos e elevados níveis competitivos, a descompressão custou-lhes uma Taça de Portugal.
“A equipa manteve comportamentos táticos muito bons e os níveis competitivos altos. Os jogos europeus eram também importantes. Ganhar era essencial, esse hábito que ganhava. Aconteceu uma vez, a descompressão tirou-nos uma Taça de Portugal [derrota na final frente ao Sporting], numa altura em que já há muito tínhamos garantido o campeonato”, recordou.
Por fim, destacou o mercado de verão do FC Porto como decisivo para corrigir resultados de uma época considerada “atípica”.
“Face ao plantel do ano anterior, fez diferença encontrar os jogadores que se enquadram especificamente naquela ideia de jogo. Mesmo a perda do Luuk de Jong foi bem suprida por Samu e Deniz Gul. É impossível não jogar de uma certa forma se os jogadores não tiverem argumentos para a executar”, concluiu.

