FC Porto

“Este projeto vai continuar a conquistar muitos títulos”

“Foram 25 anos de voleibol” e Joana Resende despede-se da modalidade depois de somar 12 troféus de Dragão ao peito e de “contribuir para enriquecer o palmarés” azul e branco. “Nem nos meus melhores sonhos imaginei que algum dia iria representar o meu Clube na modalidade que amo”, afirmou a capitã, convencida de que “a entrada do FC Porto contribuiu imenso para o desenvolvimento do voleibol feminino em Portugal”. Após “muitos anos de luta” dentro da quadra, Joana Resende vai “continuar a representar o FC Porto e os seus valores fora do campo” e prepara-se para assumir novas funções na estrutura profissional do Clube.

12 troféus em sete anos
“Foram muitos troféus e todos eles contam uma história muito bonita. Tenho muitas recordações, não só dos títulos, mas os troféus acabam por ser uma parte fundamental do percurso, porque sinto que contribuí para enriquecer o palmarés do FC Porto. É um orgulho para mim. Acho que nem nos meus melhores sonhos imaginei que algum dia iria representar o FC Porto na modalidade que amo, quanto mais contribuir tanto para o seu grandioso palmarés. Olhar para estes 12 troféus faz-me lembrar do trabalho, da dedicação, da persistência, do espírito competitivo, dos risos, dos festejos e também dos choros, que fazem parte. Faz-me lembrar das vezes em que enchemos o Dragão Arena, porque sinto que o voleibol foi uma modalidade muito acarinhada desde o início, mas também me lembra de todas as deslocações em que sentimos que estávamos a jogar em casa.”

Mentalidade vencedora
“A mentalidade das equipas do FC Porto é uma mentalidade vencedora. Isto é incutido a todos os portistas. Fui eu que decidi ser portista, ninguém me disse que eu tinha de ser do FC Porto, e eu vi o FC Porto a ganhar, a dominar, a ter um espírito de luta, a ter garra e a dar tudo em campo. Quando era mais nova, via tudo isto nos jogos de futebol e cresci com esta mentalidade. Quando cheguei aqui, não sabia quantos anos iria ficar, mas sabia que era aqui que queria estar. Isso é fantástico. Toda a gente tem sonhos e, quando vim para o FC Porto, eu continuei a sonhar.”

Jogar no Clube do coração
“Não se explica, sente-se. Não é por acaso que dizem que os portistas sentem as coisas de forma diferente. Eu vivi estas sete épocas na máxima intensidade. Felizmente vivi muitas conquistas e joguei em pavilhões cheios. Às vezes dava por mim dentro de campo a cantar as músicas que os adeptos estavam a cantar nas bancadas. Sempre senti os jogos como jogadora e como adepta e isso impulsionava-me, fazia-me bem, tornava-me mais competitiva e agressiva. Desfrutei muito.”

Liderar pelo exemplo
“Ser capitã não é o mais importante, porque o mais importante são as conquistas, mas eu sempre tentei exercer uma liderança muito saudável. A partir de certa altura, fomos recebendo cada vez mais atletas de outras nacionalidades e tentei integrá-las sempre da melhor maneira, explicando coisas relacionadas com o Clube e mostrando-lhes o que é ser Porto. Ser do FC Porto é ser diferente. Acho que os atletas quando vêm para cá não têm a noção real da dimensão do nosso Clube. Claro que depois também aprendem a cantar as músicas e o Hino efusivamente e acabam por se render ao Clube. Acho que consegui liderar esse processo de uma forma muito saudável, mas sempre com cobrança e com responsabilidade. É fantástico representar o FC Porto, mas este símbolo pesa muito e os atletas têm de ter noção da responsabilidade que devem assumir dentro e fora do campo. Tentei sempre transmitir essa ideia dentro e fora do campo e tentei que o ambiente fosse sempre positivo, porque quando somos alegres a fazer o nosso trabalho, sentimo-nos ainda melhor. Quem vem para o FC Porto tem de vir para vencer e é essa a nossa mentalidade.”

Melhores momentos
“Foram todos especiais. Costumo dizer que cada conquista tem a sua história, até porque as épocas são todas diferentes e têm as suas particularidades. São muitas horas de treino, de trabalho, de estudo, de análise de vídeo e de ginásio. Cada título tem a sua história, mas o primeiro foi muito especial, que foi a Supertaça em Vila Flor contra o Leixões SC, num jogo em que estivemos a perder 2-0 e conseguimos dar a volta ao resultado. Vencer o primeiro troféu pelo FC Porto foi marcante, mas não posso esquecer todos os campeonatos. Esta época foi muito especial, sempre tive o sonho de conquistar o Triplete pelo FC Porto, mas nunca consegui concretizá-lo, pelo que a Dobradinha foi muito especial. O Tetracampeonato também foi muito especial para mim e para todos os portistas, por ter sido o último título do senhor presidente Jorge Nuno Pinto da Costa e o primeiro título do senhor presidente André Villas-Boas. Além disso, a participação na Liga dos Campeões ao serviço do Clube do meu coração foi extremamente especial. Ver o meu FC Porto nos palcos internacionais, a defrontar as melhores jogadoras do mundo e ver que elas ficaram impressionadas com as nossas condições foi muito revelador. Não posso esquecer o meu primeiro jogo como capitã, que também foi um momento muito especial, porque antes as líberos não podiam ser capitãs, mas depois a regra mudou e a equipa técnica entendeu que eu tinha as características para ser capitã. Todos estes momentos foram muito especiais.”

A força do grupo
“As equipas vão mudando todos os anos, mas nos últimos anos tentámos manter uma base, que foi muito importante para consolidar o grupo e conseguir transmitir as dinâmicas e o que é ser Porto às novas colegas de equipa. Cada balneário tem as suas particularidades, já tive equipas mais efusivas e outras menos efusivas, mas o ambiente foi sempre muito saudável e alegre, porque estamos aqui para trabalhar e para fazer aquilo de que gostamos. É muito bom fazer parte de uma equipa e estar envolvido nas dinâmicas dentro e fora de campo. Gostei muito de conviver com todas as atletas com quem joguei.”

Amizades para a vida
“Não gosto de individualizar, porque tenho medo de me esquecer de alguém ou de ser injusta. Todas as pessoas com quem joguei contribuíram para o sucesso do FC Porto, para o meu desenvolvimento individual e ajudaram-me a ser melhor atleta, melhor capitã e melhor pessoa. Não querendo ser injusta com ninguém, tenho de destacar a Tânia Oliveira, porque comecei este projeto com ela e até hoje ela é uma das minhas melhores amigas. Já nos conhecemos há mais de 20 anos, partilhámos várias vezes balneário e foi sempre muito giro. Somos as duas muito competitivas e sempre tivemos o objetivo de ganhar títulos. Ela foi a primeira capitã do FC Porto a erguer um troféu de voleibol e, se tivesse de destacar alguém, diria a Tânia, com a consciência de que estou a ser injusta, porque já partilhei o balneário com pessoas que adoro e com quem ainda continuo a falar.”

A entrada em cena do FC Porto
“Desde o primeiro ano do projeto do FC Porto que o voleibol feminino teve uma evolução muito grande. O nosso campeonato começou a ter mais qualidade e algumas jogadoras de renome começaram a querer jogar em Portugal. É um facto que o FC Porto contribuiu imenso para o desenvolvimento do voleibol feminino. Nós temos as melhores infraestruturas e este Clube sempre fez tudo para nos proporcionar as melhores condições. Além disso, o Porto Canal também teve um grande papel na divulgação da modalidade, porque permitiu que as pessoas começassem a ver os jogos na televisão e, mais tarde, passassem para as bancadas do Dragão Arena e de muitos outros pavilhões. A partir do momento em que o FC Porto entrou em cena, com estas infraestruturas e condições, os outros clubes tentaram acompanhar-nos. Depois, com a entrada dos outros dois clubes considerados grandes, acabou por haver uma luta maior pelos títulos. Com os investimentos a aumentar, com jogadoras estrangeiras a virem jogar para Portugal e com a participação nas competições europeias, o campeonato aumentou de nível e tornou-se mais atrativo. O FC Porto teve um papel fundamental. Em sete anos ganhámos praticamente tudo. Fomos uma referência e os outros clubes tentaram acompanhar-nos de diversas formas.”

Um quarto de século
“São 25 anos de voleibol. No início não queria jogar voleibol, queria jogar futebol, mas depois foi uma paixão quase instantânea. Agarrei-me a todas as equipas que representei, tanto em clubes como na seleção. Sempre senti muito isto. O meu desejo sempre foi que o voleibol do FC Porto crescesse, conquistasse cada vez mais títulos e tivesse mais espetadores nos pavilhões, no Porto Canal e na FC Porto TV. Tentei contribuir para isso e chamar pessoas, porque precisamos delas. Juntos criámos isto, a tal família portista, como diz o mister Farioli. Acho que tive um papel importante, mas não construí isto sozinha, houve muita gente envolvida, desde os atletas, ao staff, à Direção e a todos os funcionários que trabalham diariamente para nos proporcionarem as melhores condições do mundo. Tenho consciência de que tive um papel importante para o desenvolvimento da modalidade no FC Porto e isso deixa-me extremamente orgulhosa. Só de pensar que o meu FC Porto está nos maiores palcos é um motivo de orgulho e de enorme satisfação. Foram muitos anos de luta, mas uma luta muito prazerosa. Quisemos sempre mais, ultrapassámos as dificuldades de punhos cerrados, fomos à luta e metemos o Dragão Arena em chamas. É fantástico.”

Novas funções
“Foi uma decisão mútua. Nunca quis nem quero vestir outra camisola e, quando o presidente e a sua Direção me fizeram este convite, eu aceitei. É aqui que eu me imagino. Esta é a minha casa. Nunca tomei nada como garantido, nunca achei que iria jogar sete anos aqui, mas sempre trabalhei para que esta jornada fosse o mais bonita possível e para que eu pudesse contribuir para o sucesso do Clube. Por isso, não quero vestir outra camisola e estou muito lisonjeada por ter recebido este convite. Agradeço ao presidente André Villas-Boas e à sua Direção por verem em mim alguém capaz de continuar a representar o FC Porto e os seus valores também fora do campo. É uma honra enorme.”

Agradecimentos especiais
“Nesta altura, gostava de deixar alguns agradecimentos. Gostava de agradecer ao senhor presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, que já não está entre nós, mas que certamente continuaria a torcer muito pelo voleibol feminino, porque foi pioneiro e, juntamente com o Dr. Pedro Violas fez nascer este projeto e trabalhou para que ele se mantivesse. Agradecer também ao José Carlos Ribeiro, que abraçou este projeto como sponsor e simpatizante e agora é diretor da equipa de voleibol. Não posso esquecer o Mário Rui, que já não está entre nós, mas que foi uma pessoa muito especial para quem esteve aqui desde o início. Gostava de agradecer ainda ao presidente André Villas-Boas e a toda a Direção do FC Porto, porque quando assumiram o Clube não deixaram o voleibol para trás, muito pelo contrário, continuaram a investir e a apoiar a equipa de perto. Não posso esquecer ainda o Mário Santos, o João Borges e o professor Alberto Babo, que continuam a acreditar no potencial da modalidade e a fazer com que cresça cada vez mais. Espero não me estar a esquecer de ninguém. Agradeço também aos meus pais, que me apoiam desde sempre e que me acompanham para todo o lado. Nunca me senti desamparada, eles estiveram comigo em todos os momentos e apoiam-me em todas as fases da minha vida, inclusive neste novo caminho que vou abraçar. Eles são o meu maior suporte.”

Mensagem aos adeptos
“Gostava de agradecer ainda aos adeptos, que são parte fundamental de todas as conquistas, por encherem o Dragão Arena e por acompanharem a modalidade por estes pavilhões fora. Os adeptos são parte fundamental do sucesso deste projeto que continuará a caminhar para bom porto e a conquistar muitos títulos. Espero que sejam muito mais do que 12 daqui para a frente. Deixo-lhes uma palavra de agradecimento por todo o apoio que dão à equipa de voleibol e a mim pessoalmente, pelo carinho que me transmitem e por saberem o que é ser Porto. Temos muitos adeptos que vivem isto como ninguém e que abdicam de muitas coisas para acompanharem as modalidades.”