Farioli sobre Rodrigo Mora:
"Com o Rodrigo, se falamos sobre surpresas positivas, acho que esta tem sido outra. Rodrigo na época passada era o Golden Boy, a superestrela. Ele fez coisas irreais para um jogador da sua idade. E nesta época, claro, vindo do Mundial, algumas mudanças, novos jogadores e especialmente uma nova forma de jogar que requer uma certa adaptação. E para ele... primeiro para ele, mas acho que para toda a gente, para mim próprio também, para o clube, para os adeptos, tentar entender o que estava a acontecer não foi fácil. Mas especialmente não foi fácil para ele porque ele começou a época com o estatuto de superestrela. De alguma forma, no início, ele não tinha um papel importante ou não talvez um papel principal, ou o sentimento de que não era um papel principal. Sabes o que aconteceu no mercado, todos os rumores sobre a Arábia Saudita... uma quantidade massiva de dinheiro envolvida para o clube, para ele. E para ser honesto, quando falamos no final do mercado, fomos muito claros um com o outro, mais uma vez. Estabelecemos ou concordamos ou comprometemo-nos um com o outro sobre como queremos fazer as coisas nos próximos meses. E sabes, do meu lado é bastante fácil: o meu papel como treinador é trazer as pessoas juntas e ter as pessoas juntas para o melhor do clube. Idealmente tu queres ter sempre 25 jogadores que todos eles, como soldados, na mesma linha, mesma direção. Então acho que isto é o sonho de todos os treinadores. A parte difícil é encontrar jogadores, mas especialmente seres humanos capazes de aceitar o seu papel, capazes de aceitar decisões e capazes de desenvolver em áreas que não são o seu forte... então, para melhorar digamos nos seus pontos fracos. E este rapaz, uau... dia após dia, claro que não é uma progressão que fazes de 0 a 100 num dia, mas todos os dias mais e mais e mais e mais. O nível de sessão de treino... nunca, nunca mesmo, colocar uma má cara no treino ou no jogo. Aceitando jogar alguns minutos, começando no jogo... e para ser honesto, o seu impacto nos últimos jogos tem sido fantástico. A sua evolução para mim como jogador de futebol e a sua maturidade... para mim esta é a palavra que vai com o Rodrigo agora: maturidade. É maturidade porque ele sabe quais são os seus objetivos individuais e as coisas que ele precisa de ser melhor e as coisas que ele está a melhorar. Posso dizer-te que é um dos jogadores mais comprometidos com o staff em termos de desenvolvimento pessoal. Depois do jogo, todo o tempo ele está a partilhar com os meus assistentes algumas clips. Então ele é um dos jogadores a quem não precisas de mostrar os clips porque em casa ele já está a rever o seu jogo, analisando com, digamos, os nossos óculos de sol, na forma como com o filtro que nós vemos o jogo. E acho que ele está a fazer bem, está a fazer um ótimo trabalho e estou realmente grato e realmente orgulhoso de ter um jogador destas qualidades que se está a colocar ao serviço do clube. E no outro lado, a responsabilidade de ter um dos maiores talentos portugueses e a oportunidade de tentar desenvolvê-lo, de o tornar melhor... e mais uma vez, não tenho dúvidas de que a carreira do Rodrigo vai ser ótima, mas como ele já disse várias vezes: começando pelo desejo de fazer algo especial pelo FC Porto, que é o seu clube. E, claro, ele tem a ambição de celebrar coisas aqui com este clube e depois a sua carreira será, com certeza, uma carreira fantástica."