Há um ponto que é cada vez mais evidente neste final de temporada: a quebra física do Sporting não apareceu do nada. Foi sendo construída, jogo após jogo, muito por via de uma gestão duvidosa por parte do Rui Borges. Ninguém lhe pedia que metesse miúdos ou segundas linhas a jogar jogos da Champions. Isso seria irrealista. Mas abrir espaço nas restantes competições para dar minutos a esses jogadores, permitindo que os titulares chegassem à Champions a 100%, e por conseguinte chegassem ao final da temporada em melhores condições físicas, era não só lógico, como absolutamente necessário.
O que acabou por acontecer foi o contrário: uma sobrecarga constante dos mesmos jogadores, aumentando o risco de lesões ou agravando problemas físicos já existentes. E, ao mesmo tempo, as segundas linhas foram sendo pouco utilizadas, o que inevitavelmente baixou o seu ritmo competitivo. Resultado? Quando eram chamadas, rendiam menos, não necessariamente por falta de qualidade, mas por falta de contexto e ritmo. Isso, por sua vez, reforçou a ideia de que não dão garantias, justificando ainda menos utilização. Foi uma bola de neve que acabou por rebentar com aquilo tudo.
Do outro lado, analisando a gestão que nós fizemos, não dá para ignorar e deixar de elogiar o trabalho feito pelo Farioli. A gestão do plantel foi claramente mais equilibrada e isso refletiu-se na consistência da equipa ao longo da época. Conseguimos manter um nível alto até muito tarde, o que por sua vez obrigou o Sporting a ir cada vez mais all-in nos titulares, sempre a tentar acompanhar-nos na Liga. Com um calendário apertado, acabaram por pagar a fatura.
No fim de contas, vencemo-los também pelo cansaço, mas sobretudo pela forma como a época foi preparada e gerida, a todos os níveis, pois mesmo numa fase em que a gestão dos nossos jogadores não era absolutamente essencial, o Farioli não deixou de começar a alicerçar a ideia que nos manteve competitivos na fase mais dura da época.