Delirante para mim é não querer aceitar que a descarbonização é fundamental para, não só o planeta, mas, também, para a espécie humana e respetiva sociedade.
O que Piketty, e outros que redigiram este documento, querem demonstrar é que é inevitável pensar num crescimento sustentável a nível mundial e não só ocidental.
O que costumamos chamar de sul global, ou antes denominado terceiro mundo, não deve chegar ao nível de crescimento que conhecemos no Ocidente? Eles preconizam uma prosperidade para todos os humanos. Diminuindo os tais lunáticos bilionários que, ou querem dig dig dig, ou data centers por todo o lado usando quantidades de energia, estes sim delirantes e vendem a IA como revolução do bem-estar, como venderam há poucas décadas os social media como alfa e ômega da relação social do bem estar humano.
Não é só tirar aos ricos e dar aos pobres, é sim permitir que os pobres de hoje o sejam muito menos num horizonte de 2100. E sim, isso implica que os ultra ricos o sejam muito menos do que hoje. O fosso alargou-se no periodo de ultra liberalismo e da tal mundialização aparecida depois das crises petroliferas dos anos 70 e consolidadas depois da queda do comunismo nos 80.
Mas Piketty é tudo menos burro, e não é só para o pagode. Ele, e colegas, usam as previsões do GIEC, que não partilho por completo, para uma visão alternativa que não seja o continuar da destruição do planeta, mas também dos seres lobotomizados pela ilusão "mágica" da economia que só se baseia no enrequicimento de poucos, com o ultra consumo de muitos.
Burros são os que querem manter um sistema global que só beneficia aos que os querem que haja cada vez mais burros a engolir o modelo que propõem.