André

F

Flamma

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ETERNO.

O filho vem na mesma linha.

Entra com a mesma idade do pai no FC Porto, e tem aquela garra, aquele antes quebrar que torcer que o pai tinha... Um verdadeiro Dragão.
 

joaoalvercafcp

Tribuna Presidencial
13 Março 2012
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A CLASSE DO HOMEM DE FIBRA
No dia em que celebra o 60.º aniversário, recordamos o golo da vida de um grande Dragão: António André


?Texto: Catarina Morais
Revista DRAGÕES (Março, 2012)

António dos Santos Ferreira André é um daqueles nomes que pertencem, de forma indiscutível, ao grupo dos chamados “jogadores à Porto”. Conhecido como António André ou, simplesmente, André, o médio natural da Póvoa de Varzim era o típico homem de fibra, dos que respondem ao lema “antes quebrar que torcer”. Dizia-se que limpava tudo, que se a bola passava o adversário ficava. Mas André sabia jogar à bola – de que maneira… – tendo sido, não raras vezes, o homem do último passe, do cruzamento decisivo, da assistência milimétrica. Gomes, Futre ou Juary que o digam.

As apetências ofensivas do poveiro não se ficavam por aqui. Sem surpresa, André também tem no seu registo vários golos apontados ao serviço do emblema azul e branco. Foram 22 golos, para sermos mais precisos, que contribuíram para o avolumar de títulos no palmarés do médio e do clube. Com André, entre 1984 e 1995, os Dragões levantaram 19 troféus oficiais (uma Taça Intercontinental, uma Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia, sete Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal e seis Supertaças). Foi uma relação proveitosa, portanto.

Quando questionado acerca do golo da sua vida, André hesita, algo que nunca o vimos fazer em campo. Jogar com as recordações e com as palavras é-lhe mais difícil do que brincar com a bola, mas após uma breve reflexão o antigo centro-campista destaca um golo muito especial. “Felizmente tive vários golos importantes ao longo da carreira mas, sinceramente, o golo que mais me marcou foi contra o Sporting”.

Estávamos na jornada 9 do Campeonato Nacional de 1985/86, a 2 de Novembro, quando André ativou o placard das Antas aos 16 minutos de jogo. “Foi o meu primeiro golo com a camisola do FC Porto, e como titular. E foi logo com o Sporting! Marcou-me muito. Parece que foi um sinal da carreira que ia ter no FC Porto [risos], foi um bom prenúncio para os anos todos em que vesti esta camisola”, sugere o atual scout dos Dragões. “Além do mais, nesse ano fomos campeões nacionais, por isso posso dizer que foi um golo importante para o título”, prossegue, puxando o filme a essa noite longínqua, quando o FC Porto bateu os leões por 2-1, com Lima Pereira a acompanhar André no colorido do marcador.

“Lembro-me perfeitamente da jogada, e sei que chovia torrencialmente nessa noite nas Antas. Estava mesmo muita chuva, o terreno pesado, e houve um lance junto ao meio-campo em que foi assinalada falta contra o Sporting. Era falta, mas os jogadores do Sporting achavam que não, contestaram, ficaram ali iludidos e a discutir com o árbitro, e o João Pinto – lembro-me como se fosse hoje -, antecipou-se e marcou o livre rapidamente. Foram dois toques! O João lançou, o Sporting quis ficar a discutir, eu queria era jogar. Fiquei praticamente isolado e assim fiz o golo: tinha um defesa nas costas, mas ganhei em corrida e bati o guarda-redes. Piquei-lhe a bola por cima, com classe. Era o Damas o guarda-redes”, recorda entre sorrisos.

“Tenho um outro golo especial, se calhar mais importante até, de penálti. Aquele que marquei ao Dínamo de Kiev, nas meias-finais da Taça dos Campeões, no ano em que fomos campeões europeus pela primeira vez. Podia dizer que esse é o golo da minha vida, porque foi na prova que foi, perante milhares e milhares de pessoas… Deve ter sido a única vez que fiquei tão nervoso antes de bater o penálti, fiquei meio “abananado”, mas fiz o golo e ajudei nessa caminhada histórica. Só que o golo ao Sporting marcou-me mais, até porque foi o primeiro nesta casa”, conclui o ex-internacional português. Percebe-se.