O core do ideal 2-3 (laterais dentro) -2-3 é a criação de:
1) Overloads interiores para gerar espaços por fora, penetrar por fora com múltiplos invasores centrais.
2) Promover jogo combinativo no corredor central/exploração de incursões de 3o homem.
O que exige ofensivamente:
1. Extremos com capacidade para desequilibrar no 1x1 por fora com o espaço gerado pela atração dentro. Capacidade para progredir com velocidade com bola e provocar recuo da marcação a partir de terrenos mais recuados (é este o caso de o lateral dentro abrir uma linha de passe direta central->extremo baixo). Capacidade para meter bolas de qualidade na área em cruzamento (no caso dos nossos extremos, bolas aéreas de pé trocado idealmente na zona central um passo atrás da defesa quando esse espaço existe).
Enquadramento no FC Porto:
Borja Sainz - Abordagem e contratação no mercado num investimento de 13M€+2M€.
Encaixa no ponto 1? Na minha opinião, não.
Sainz, além de não ter, na minha opinião, qualidade que justifique o investimento, é um claro caso de misprofiling da estrutura de scouting/análise do FC Porto. Borja é um segundo avançado de diagonais curtas, aproveitamento dos espaços nas costas da defesa, jogador de receber em zonas próximas do golo, criar o espaço em poucos toques e definir. Tem qualidades (que, no vácuo, justifiquem investimento será outra conversa), mas não é para ser extremo aberto no FC Porto. A Sainz falta-lhe tudo o que apontei no primeiro ponto. Não dribla, não encara, não tem uma aceleração notável que promova medo e faça a marcação pensar duas vezes em abordar agressivamente, não tem velocidade de ponta, não é capaz de progredir metros com bola (jogador de ações curtas). Raramente tenta uma bola aérea e prefere entregas na relva. Tem associação, tecnicamente não compromete, tem entendimento coletivo mas na ideia de Farioli, Sainz é o último extremo que deveríamos ter procurado. O nível não chega, o perfil não encaixa... É um problema difícil, mas neste momento é ele que tem que jogar. No Verão espero que haja sentido de urgência em fazer alguma coisa aqui.
(...)
Em suma, penso que muitos elementos-chave do plantel de posições-chave no modelo têm um encaixe pobre na ideia, que valorizo. Penso ser necessária alguma flexibilidade de Farioli em desenhar plano b e c (variabilidade/adaptabilidade ainda não me mostrou) para muitos momentos do jogo. Penso também serem necessários vários ajustes na próxima janela de transferências de maneira a compatibilizar melhor a matéria prima do plantel com a ideia que queremos propôr.