Pentacampeões – 1999 - Ano D’ouro

A

Antilamp

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Estava de férias no sul de Espanha em Granada e fiquei com uma enorme vontade de espancar o Santinhos.
 

Mustaine

Tribuna Presidencial
18 Junho 2007
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57
Porto
Também lá estive :\\

Até me lembro de antes do jogo estar a dar aquela música, de grande sucesso na altura, da Cher. Foi traumático...
 
H

hast

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http://www.youtube.com/watch?v=xzRfHgOPqYE&feature=PlayList&p=D443A357EAF1D25B&playnext=1&playnext_from=PL&index=17

Para mal dos nossos pecados. :-(((

Alguém sabe qual foi a equipa titular neste jogo? Epá, estenderam a passadeira ao tipo do Torreense. Inadmissível.
 

Mustaine

Tribuna Presidencial
18 Junho 2007
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57
Porto
Pois, também gostava de saber.

Lembro-me apenas de uma bola enviada à trave, isto se a memória não atraiçoa, do Miki Feher :(
(tenho a ideia do George Jardel também por lá ter andado)
 
H

hast

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MARÇO/99
1 – Paulinho Santos vai estar parado entre três a quatro meses
3 – Kralj assina, por quatro anos, pelos holandeses do PSV de Eindhoven. A época acabou para Paulinho Santos: confirmada a rotura do menisco do menisco externo e esfacelo no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo.
4 – Jardel contrai luxação no ombro esquerdo, problema congénito que surge ciclicamente.
5 – Goleada ao Leça, por 5-1, em jogo treino. Peixe assumiu o lugar do lesionado Paulinho.
6 – Paulinho Santos deixa o hospital, dando início à recuperação nas Antas.
7 – João Manuel Pinto e Drulovic fazem as contas para o “Penta”: “Doze pontos até ir à Luz”, o mesmo era dizer… quatro vitórias consecutivas. Ricardo Carvalho faz ecografia.
8 – Pinto da Costa e Fernando Gomes, então presidente da Câmara do Porto, analisaram construção do novo estádio.
9 – Aloísio e Vítor Baía convidados para a festa de homenagem do Barcelona a Johan Cruiff.
10 – Pinto da Costa reage à notícia do “Público” de que o guarda-redes aliciado e de quem Vale e Azevedo tinha falado é Hilário: “É grave, insensato e estúpido”.
12 – Pinto da Costa confirma Deco no clube, como tinha sido anunciado pela imprensa na véspera. Peixe prepara-se para a titularidade.
13 - FC Porto 3 – U. Leiria 1 (Árbitro Paulo Costa) - (25ª jornada)
Vítor Baía: Secretário, Jorge Costa, Aloísio, Esquerdinha, Peixe (João Manuel Pinto 88’), Rui Barros, Zahovic (Chaínho 77’), Capucho (Mielcarski 84’), Drulovic, Jardel
Supl.: Rui Correia Fernando Mendes 2\'
Marc.: Aloísio 16’, Jardel 58’ e Peixe 82’.
O Peixe frente à União de Leiria marca um golo memorável, um longo chapéu do meio campo aproveitando o adiantamento do guardião leiriense, após uma débil reposição da bola em jogo. Esse golo de antologia valeu-lhe uma condição de estado de graça entre o povo do dragão.” Agradeço à família e aos companheiros”, comentou Peixe.
Outros resultados: Benfica 0 – Boavista 3, Sporting 1 – Farense 0.
Classificação: 1º FC Porto 56 – 2º Boavista 55 - 3º Benfica 52 – 4º Sporting 48
14 – Pinto da Costa em Angola para inaugurar a Casa do FC Porto de Luanda.
15 – Jardel é convocado para a selecção brasileira. Deco no FC Porto até 2003. Sabe-se que o clube pagou 360 mil contos (1,8 M €), por metade do seu passe. Duda é emprestado ao Rio Ave.
17 – Criadas condições para um protocolo entra a Federação angolana e o FC Porto.
18 – Desvendado o interesse no central brasileiro Argel. Jogadores do FC Porto recusam-se a prestar declarações devido à presença na sala de Imprensa das Antas da estação televisiva SIC.
19 – No segundo dia do VIII Congresso Internacional de Medicina Desportiva, Pinto da Costa confessou que Fernando Santos é o seu treinador-modelo. Seriedade, inteligência e bom senso.
20 - Salgueiros 1 – FC Porto 3 (Árbitro Martins dos Santos) - (26ª jornada)
Vítor Baía, Secretário, Jorge Costa, Aloísio, Esquerdinha, Peixe (Chippo 79’), Rui Barros (Chaínho 12’), Zahovic, Capucho (Mielcarski 86’) Drulovic, Jardel
Supl.: Rui Correia, Mielcarski, , João Manuel Pinto,
Marc.: Zahovic 3’, Jardel 35’e 77’
Apesar da vitória as lesões proliferam: Rui Barros contrai micorrrotura na coxa direita.
Outros resultados: U. Leiria 1 – Benfica 1, Boavista 1 – Setúbal 1, Marítimo 1 – Sporting 3.
Classificação: 1º FC Porto 59 – 2º Boavista 56 – 3º Benfica 53 – 4º Sporting 51
21 – Antes da partida para Seul, aonde vai representar a selecção brasileira, Jardel admite “que esquece tudo quando vê a camisola Azul e Branca”.
23 – Ricardo Carvalho prorrogou o seu contrato até 2004, enquanto Aloísio discute a renovação.
24 – FC Porto goleia Gondomar, por 8-0, em jogo treino. Deco rubrica boa exibição. Mielcarski contrai traumatismo. Drulovic pronuncia-se sobre sobre a guerra no Kosovo:” Toni Blair é uma marioneta nas mãos de Bill Clinton”.
25 – Aloísio renova contrato por mais um ano.
26 – O FC Porto vence o Oliveira do Bairro, por 1-0, em jogo particular.
28 – Costinha faz ecografia para aquilatar a evolução de uma fissura no pé esquerdo.
29 – Mielcarski, que se lesionou frente ao Gondomar, trabalha de forma condicionada. Paulinho recupera bem da lesão e já se desloca sem auxílio de muletas.
30 – Todo o plantel se afirma solidário com a decisão de Drulovic boicotar ou não os jogos, em virtude dos bombardeamentos anglo-americanos à Jugoslávia.
31 – Fehér contrai luxação no indicador da mão direita.

Frases
Fernando Santos
“Temos argumentos para sermos campeões” – 2 de Março
Capucho
“Os jogadores do FC Porto não são mercenários” – 6 de Março
Paulinho Santos
“Estou nas mãos do monstro da medicina” - à saída do hospital onde foi operado – 6 de Março
Pinto da Costa
“Só eu posso negociar jogadores” – 10 de Março
Deco
“Se o FC Porto me contratou é porque eu tenho valor” – 12 de Março
Peixe
“A melhor opção que tomei até hoje foi assinar pelo FC Porto” – 13 de Março
Deco
“Antes de chegar aqui já torcia pelo FC Porto” – 15 de Março
Jardel
“Conquistar o meu espaço e jogar ao lado de Romário” – 16 de Março
“Esqueço tudo quando vejo a camisola Azul e Branca (...) O meu coração é portista” – 21 de Março
Chaínho
“Tenho curiosidade em saber o que sente um campeão” – 28 de Março
Aloísio
“Não trocava o Penta pelo R. Madrid ou Inter de Milão” – 30 de Março

«OJOGO» - Edição especial FC PORTO PENTACAMPEÃO - 4 Junho de 1999
 

Mustaine

Tribuna Presidencial
18 Junho 2007
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Porto
18 – (...) Jogadores do FC Porto recusam-se a prestar declarações devido à presença na sala de Imprensa das Antas da estação televisiva SIC.

Deco
“Antes de chegar aqui já torcia pelo FC Porto” – 15 de Março

Aloísio
“Não trocava o Penta pelo R. Madrid ou Inter de Milão” – 30 de Março

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Lindo!
 
H

hast

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ABRIL/99
1 – Colocação do FC Porto - Braga em 12º lugar no sorteio dos árbitros indigna Pinto da Costa: “Estranho e protesto a forma como estão a ser escolhidos os árbitros”.
2 – Grupo de espanhóis aplaude Vítor Baía durante o treino.
3 – Chippo parte para Marrocos, para defender as cores da sua selecção, triste por não poder defrontar o Braga: “Não tenho muita sorte com as datas dos jogos”, afiança.
4 – Jardel garante que em Portugal só joga em Portugal.
5 – Pinto da Costa comenta a possível saída de Zahovic para o Olimpiakos: “Na altura própria desmistificarei os Mijapoulos que há por essa Europa”, afirma o presidente do FC Porto.
7 – Zahovic nega saída para o Olimpiakos. A polémica sobre a declaração que os clubes fazem quanto ao número de bilhetes vendidos por jogo volta à praça pública, motivada por uma notícia do semanário “Expresso”. Angelino Ferreira, administrador da SAD, garante que “o FC Porto paga o IVA de todos os bilhetes que vende”.
8 – Aloísio, no FC Porto desde 1990/91 renova por uma época no dia em que Pinto da Costa revela fax do clube grego que garante que o Olimpiakos não tem qualquer acordo com Zahovic. Miki Fehér fracturou o menisco e estará parado durante três semanas, Quinzinho está com a selecção angolana e Fernando Santos só conta com Jardel para o eixo do ataque frente ao Braga.
9 – Miki é operado ao menisco, dentro de duas semanas regressará aos relvados.
10 - FC Porto 1 – Braga 0 - (27ª jornada) - (Árbitro Gomes Araújo)
Vítor Baía; Secretário, Jorge Costa, Aloísio, Esquerdinha (João Manuel Pinto 63’), Peixe, Chaínho (Deco 45’), Zahovic, Capucho, Drulovic (Panduru 77’), Jardel
Supl.: Rui Correia, Fernando Mendes
Marc.: Zahovic, 82’.
Um livre exemplarmente apontado por Zahovic, a sete minutos do fim, permitiu uma vitória muito difícil e suada frente aos bracarenses. Num jogo em que Jardel foi expulso (primeira expulsão da carreira), aos 34’, e em que Deco se estreou (entrou na 2ª parte) Gomes Araújo, o ábitro, teve uma tarde para esquecer. Drulovic apelou à paz antes do encontro, os companheiros seguiram-lhe o exemplo e também se manifestaram contra a guerra na Jugoslávia.
Outros resultados: Benfica 5 – Salgueiros 0, Chaves 1 – Boavista 1, Sporting 3 – Guimarães 0. Classificação: 1º FC Porto 62 - 2 Boavista 57 – 3º Benfica 56 – 4º Sporting 54
11 – Zahovic ambicioso: “Época em cheio só com a conquista do Penta”. A propósito de uma eventual transferência o jogador explica que “o dinheiro é que manda na vida”: “Se pudesse escolher optaria pelo Barcelona ou pelo R. Madrid”.
12 – O FC Porto formula o pedido de despenalização de Jardel, que viu dois cartões amarelos no jogo com o Braga. Pinto da Costa chora no dia em que o clube se sagra campeão nacional de Andebol.
13 – Jardel considera-se inocente em relação à expulsão e apela:”Espero que Liga tenha o bom senso de me despenalizar”.
14 – O Presidente d FC Porto volta ao ataque – desta feita revela o relatório do árbitro Gomes de Araújo no encontro entre portistas e arsenalistas:”O Jardel foi expulso porque se empertigou com um adversário”, ironiza.
15 – O FC Porto dispensa três juniores: Mingote, Ramos e Sousa, todos representados por José Veiga. A decisão, segundo o comunicado de SAD, tem a ver com razões técnico-orçamentais. Os jogadores ficaram chocados por terem sido dispensados em pleno balneário. Guerra aberta aos empresários.
16 – Jardel não é despenalizado pela Liga e a SAD portista exige a demissão das Comissões de Disciplina e d a Arbitragem. Pinto da Costa diz que o seu clube é”um baluarte contra os badamecos deLisboa”.
18 - FC Porto 2 – Campomaiorense 0 - (28ª jornada) - (Árbitro Paulo Baptista)
Vítor Baía; Secretário, Jorge Costa, Aloísio (João Manuel Pinto 89’), Esquerdinha, Peixe (Chaínho 82’), Deco (Rui Barros 63’), Zahovic, Capucho, Drulovic, Quinzinho
Supl.: Rui Correia, Fernando Mendes
Marc.: Quinzinho, 17’ e 47’.
O Qinzinho foi o substituto do castigado Jardel e marcou os golos da vitória no regresso de Rui Barros após um mês de paragem. O árbitro não assinalou dois penaltis a favor do tetra campeão nacional. Pinto da Costa pede a intervenção do Governo devido à actuação de Paulo Baptista. Isto numa jornada em que Benfica e Sporting foram derrotados.
Outros resultados: Braga 2 – Benfica 1, Boavista 3 – Académica 1, Alverca 3 – Sporting 2. Classificação: 1º FC Porto 65 - 2º Boavista 60 - 3º Benfica 56 - 4º Sporting 54
21 – Benfica – FC Porto ao rubro. Vale e Azevedo: #O Presidente do FC Porto humilhou um jogador no balneário”; Pinto da Costa: “Atacar jogadores na praça pública é falta de senso” [o presidente do Benfica apelidou o plantel de ‘ricos e mimados’ na hora de analisar o afastamento dos “encarnados” do título]. O FC Porto prossegue rumo ao pleno nas princip+ais modalidades e sagra-se campeão em hóquei em patins.
22 – “Don Balón” coloca o Bayern de Munique na corrida por Jardel.
24 - Benfica 1 – FC Porto 1 - (29ª jornada) – (Árbitro Jorge Coroado)
Vítor Baía; Secretário, Jorge Costa, Aloísio, Esquerdinha, Peixe, Deco, Zahovic (Chaínho 89’), Capucho, Drulovic (Chippo 71’), Jardel (Quinzinho 86’)
Supl.: Rui Correia, João Manuel Pinto
Marc.: Zahovic 40’
Zahovic marca de livre e o Nuno Gomes falha um penalti a castigar falta inexistente de Vítor Baía sobre Poborsky. Preud´homme foi a grande figura do jogo. O título mais perto das Antas.
Outros resultados: Sporting 1 – Boavista 1. Classificação: 1º FC Porto 66 - 2º Boavista 61 - 3º Benfica 57 - 4º Sporting 55
25 – Peixe, que frente ao 3º classificado realizou uma boa exibição, diz que pretende relançar a carreira.
26 – Vítor Baía e Aloísio viajam para Barcelona com o intuito de participarem no centenário do clube catalão.
27 – Jorge Costa e Fernando Mendes viajam para Lisboa para participarem no julgamento do defesa-esquerdo, acusado de agredir um bombeiro no jogo com o E. Amadora, em 28 de Fevereiro de 1997.
29 – Oito semanas depois de ter sido operado ao joelho esquerdo, Paulinho voltou a pisar o relvado das Antas, para fazer corrida e trabalho de resistência. Pinto da Costa promete segurar Vítor Baía. A SAD fechou o semestre com 390 mil contos (1.950 000 €).
30 – Vítor Baía deslocou-se à Liga para responder a algumas perguntas sobre o jogo com o Benfica, designadamente no respeitante à grande penalidade assinalada por Jorge Coroado por alegada falta do guarda-redes sobre Poborsky

Frases
Jardel
“Não aceitaria jogar no Benfica” – 4 de Abril
Vítor Baía
“Não podemos deixar que a ansiedade nos afecte” – 7 de Abril
“Prefiro perder com o Benfica e ganhar o campeonato” – 22 de Abril
“Admito que o FC Porto compre o meu passe” - 27 de Abril
Pinto da Costa
“És tu Boby? Então o teu amigo perdeu!? Oh, que pena” – comentando a derrota do Benfica em Braga; 17 de Abril
Peixe
“Não me esqueço que há oito meses tinha batido no fundo\". – 25 de Abril
Rodolfo Reis
“Poborsky é um grande artista”. – 27 de Abril

«OJOGO» - Edição especial FC PORTO PENTACAMPEÃO - 4 Junho de 1999
 

Ferjo

Tribuna
18 Julho 2006
4,839
0
Perth Australia
\"Zahovic marca de livre e o Nuno Gomes falha um penalti a castigar falta inexistente de Vítor Baía sobre Poborsky. Preud´homme foi a grande figura do jogo. O título mais perto das Antas\"

Este foi o tal penalti em que o Jorge Coroado (o tal que agora vai a todas como expert) sob julgamento afirmou que sabia que nao tinha sido penalti mas como o arbitro auxiliar o tinha indicado, apontou para a marca da grande penalidade.
 
H

hast

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MAIO/99 – O mês do PENTA
1 – A Portomania espera receber 30 mil visitantes.
2 - FC Porto 6 – Setúbal 0 (Árbitro José Pratas) - (30ª jornada)
Vítor Baía; Secretário, Jorge Costa, Aloísio, Esquerdinha, Peixe (Chaínho 35’), Deco (Quinzinho 75’), Zahovic, Capucho (Chippo 84’), Drulovic, Jardel
Supl.: Costinha, João Manuel Pinto,
Marc.: Capucho 5’, Zahovic 11’, Jardel 31’, Aloísio 43’ e 59 e Quinzinho 85’.
Firmes no comando com mais cinco pontos do que o segundo classificado, o Boavista. O Penta começa a ser algo mais do que um devaneio.
Isto num dia em que o basquetebol sagra-se campeão nacional pela terceira vez em quatro épocas. Falhado apenas o título europeu de hóquei em patins, numa final decidida a penaltis.
Outros resultados: Benfica 1 – Campomaiorense 1, Boavista 2 – E. Amadora 1, U. Leiria 0 – Sporting 3.
Classificação: 1º FC Porto 69 - 2º Boavista 64 - 3º Sporting 58 - 4º Benfica 58.
3 – Jardel voa rumo à conquista da Bota de Ouro europeia: 30 golos em 30 jogos, mais três do que o holandês van Nistelrooy, do PSV Eindhoven.
- O FC Porto decide avançar com a equipa B.
- A Comissão de Arbitragem da Liga pune Quinzinho com dois jogos de suspensão por considerar que o angolano agrediu Quim Machado com uma cotovelada no FC Porto – Campomaiorense, referente à jornada 28 (18/04/99). Nesta altura já se tinham passado 15 dias (!). Demoraram duas semanas a dar-lhe o “castigo”.
4 – Pinto da Costa reúne-se com o ministro-adjunto, José Socrates.
- Fernando Mendes é considerado culpado no “caso” do bombeiro: ou paga 750 contos (aprox: 3 750€) de multa ou cumpre 50 dias de cadeia.
5-O presidente comente a eventual contratação de Suker ao R. Madrid: “Açúcar? Só adoçante”, ironiza.
6- Argel, atleta do Santos, prepara-se para assinar por três anos contrato com os “Dragões”. Processo Robson-FC Porto chegou ao tribunal.
8 - Chaves 0 – FC Porto 4 - (31ª jornada) (Árbitro Paulo Costa)
Vítor Baía; Secretário, Jorge Costa, Aloísio, Esquerdinha, Peixe (Fehér 84’), Deco (Chaínho 59’), Zahovic (Chippo 84’), Capucho, Drulovic, Jardel
Supl.: Costinha, João Manuel Pinto
Marc.: Zahovic 12’, Jardel 27’ e 71’, Aloísio 61’
Mais um «bis» de Jardel num jogo marcado por incidentes. Voaram pedras do lado de fora do Estádio Municipal de Chaves, direccionadas para a zona onde se encontravam adeptos portistas, gerando uma grande confusão.
Em entrevista ao jornal brasileiro “Lance!”, Argel diz que assinou pelo FC Porto para os próximos seis anos, tendo o seu passe custado cerca de460 mil contos (2,3 milhões €).
Outros resultados: Setúbal 1 – Benfica 0, Sporting 3 – Salgueiros 1, Rio Av0 – Boavista 2.
Classificação (31 jornadas)
1º-FC Porto - 72P
2º-Boavista - 67 (-5)
3º-Sporting - 61 (-11)
4º-Benfica - 58 (-14)
9 – Reinaldo Teles diz que os incidentes de Chaves foram obra de um grupo organizado. Digressão a Angola confirmada.
10 – A Comissão Disciplinar da Liga instaura dois processos a Pinto da Costa devido a declarações sobre a Comissão de Arbitragem.
11 – Valência (mais um) interessado em Jardel.
12 – Em entrevista a “O JOGO”, Deco mostra-se encantado com o FC Porto: “Isto é melhor do que um sonho”.
13 – Paulinho inicia finalmente o trabalho com bola, dois meses após a operação.
16 – JÁ CHEIRA A PENTA E … À BOTA DE OURO..
FC Porto 7 – Académica 1 - (32ª jornada) (Árbitro Isidoro Rodrigues)
Vítor Baía; Secretário, Aloísio (João Manuel Pinto 82’), Jorge Costa, Esquerdinha, Peixe (Fehér 80’), Rui Barros (Chaínho 81’), Zahovic, Capucho, Drulovic, Jardel
Supl.: Rui Correia Chippo
Peres; João Campos, Veríssimo, Mounir (Tó Sá 61’), Pedro Lavoura, Camilo, Rocha, Mickey (Paulo Adriano 81’), Barroso (Lim 61’), Gaúcho, Dário.
Supl.: Vítor Alves; Madureira - Trein.: Gregório Freixo –
Marc.: Jardel 24’, 38’ e 85’, Esquerdinha 54’, Chaínho 64’, Zahovic 74’ e Jorge Costa 82’.
Neste jogo, à Académica, passou-lhe um cilindro por cima (!). Literalmente.
Outros resultados: Benfica 4 – Chaves 1, Braga 2 – Sporting 0, Boavista 2 – Beira Mar 1.
Classificação: 1º FC Porto 75 – 2º Boavista 70 – 3º Sporting 61 – 4º Benfica 61.
17 – Empresário de Rubens Junior esteve na SAD.
19 – FC Portono Parlamento. Pinto da Costa, Reinaldo Teles e os capitães das equipas de Basquetebol, Andebol, Hóquei em Patins e Natação visitam a Assembleia da Republica.
- Jardel, admite, pela 1ª vez, jogar em Espanha em 1999/2000… não se sabe se em referência aos encontros com R. Madrid e Barcelona para a Liga dos Campeões.
21 – O Penta joga-se em Faro (os algarvios defrontam o Boavista) e em Lisboa (Sporting – FC Porto). Domingos “profetiza” desde Tenerife:” FC Porto será campeão em Alvalade!”
22 – O inevitável aconteceu. Os Dragões entram para a história: conquistam o PENTA antes de jogarem com o Sporting, devido à distribuição de pontos registada em Faro.
Sporting 1 – FC Porto 1 (Árbitro Vítor Pereira) – (33ª jornada)
Vítor Baía; Secretário (João Manuel Pinto 28’), Jorge Costa, Aloísio, Esquerdinha, Peixe, Deco (Quinzinho 70’), Zahovic, Capucho, Drulovic, Jardel
Supl.: Rui Correia Rui Barros Chaínho
Marc.: Zahovic 85’.
Outros resultados: Académica 0 – Benfica 3, Farense 2 – Boavista 2. Classificação: 1º FC Porto 76 - 2º Boavista 71 - 3º Benfica 64 - 4º Sporting 62.
Pinto da Costa: ”O FC Porto demonstrou porque é campeão”.
Reinaldo Teles: ”O título mais saboroso”.
Fernando Santos: ”Devo o título a Deus”.
Jardel:” Festa nas cinco pontes”.
Deco e Secretário sofrem microrroturas durante o decorrer da partida.
23 – Jardel é vencedor da Bota de Ouro, pois no campeonato holandês, entretanto terminado, Van Nistelrooy marcou 31 golos. O brasileiro atingiria os 36.
24 – Acusações de Vale e Azevedo e João Loureiro em relação à justeza do título portista, não caem em saco roto. Pinto da Costa reage e diz que “nem todas as vozes chegam ao céu”.
25 – O Valência joga na contratação de Zahovic. Subirats, emissário do clube valenciano, esteve no Porto e apresentou ao esloveno uma proposta irrecusável de 270 mil contos (1,350 M€) /ano. Pinto da Costa: “Mandem a proposta e depois vê-se, mas não o trocava pelo Simão Sabrosa”; Zahovic: “Espero que os dois clubes se entendam”.
- O então presidente e da Câmara Municipal do Porto, Fernando Gomes, mostra-se encantado com os clubes da cidade: “Não se pode desejar mais”.
26 – Pinto da Costa confirma quatro reforços para a época 1999/2000: Paulo Ferreira, Rodolfo, Rubens Júnior e Argel.
- Pinto da Costa reafirmou não ter conhecimento de qualquer proposta do Valência em relação a Zahovic, declarando ainda que o clube vai apresentar queixa à FIFA contra o empresário José Veiga e o clube espanhol. Assembleia Municipal de Gaia aprovou novo centro de estágio do clube.
27 – Em grande entrevista, Vítor Baía abriu o seu coração aos adeptos do FC Porto. “Troquei o Milan pelo FC Porto (…) Fernando Santos é do melhor que eu conheci (…) No dia em que o FC Porto perde o discurso do sistema muda radicalmente (…) Passei pelo Inferno mas voltei ao Paraíso”, são algumas das frases do discurso.
- Também em entrevista, Rubens Jùnior dizia: “Sou um campeão”.
28 – Fernando Santos taxativo: “Não saio mais do FC Porto”. Jorge Sampaio distinguido com Dragão de Honra. O mesmo Jorge Sampaio: “Tiro o chapéu ao Penta”.
30 – O dia da consagração O dia do PENTA!!!!!!!
FC Porto 2 – E. Amadora 0 - (34ª jornada) (Árbitro Emanuel Câmara)
Vítor Baía (Costinha 80’), Nélson, Jorge Costa, Aloísio (João Manuel Pinto 45’), Esquerdinha, Rui Barros (Carlos Manuel 55’), Zahovic, Capucho, Drulovic Jardel
Supl.: Chaínho, Quinzinho
Marc.: Drulovic 37’ e Jardel 65’.
Outros resultados: Benfica 3 – Sporting 3, Boavista 1 – Marítimo 2.
Na Avenida dos Aliados, 200 mil pessoas aplaudiram o Penta.

Frases
Pinto da Costa
“ A oposição do Benfica devia deixar a direcção trabalhar à vontade”. – 3 de Maio
“ Neste momento não trocava Peixe ou Deco pelo Doriva”. – 10 de Maio
“É pena que o Salgueiros não esteja no 3º lugar”. – Na visita da delegação do FC Porto ao Parlamento comenta a hegemonia nortenha no futebol nacional. – 19 de Maio
“Quero dar os parabéns a todos aqueles que contribuíram para este êxito e de uma forma particular e sentida a Fernando Santos, que aceitou correr o risco de tomar conta da equipa, após ela ter sido campeã quatro vezes consecutivas”.
“Na memória de Rui Filipe, autor do primeiro golo desta longa caminhada e no espírito de conquista deste feito”. – Após empate que garantiu a conquista do Penta, 22 de Maio.
“Vi cenas eventualmente chocantes e só me admira como não puseram uma rodinha no canto superior direito. Foram cenas que não deviam ter sido vistas por jovens” – 24 de Maio
Capucho
“ O FC Porto é a melhor equipa do campeonato”. – 6 de Maio
Vítor Baía
“Posso jogar em qualquer lado”. – 13 de Maio
“Faço parte da história” – 22 de Maio
Fernando Santos
“Devo isto a ele. Graças a Deus ganhei. A alegria que me vai dentro é inexplicável. Não sei explicar o que sinto. Estou a acordar e a sentir que estou a viver um momento de grande euforia”
“Só amanhã serei capaz, por ventura, de escrever o que me está a acontecer. Devo isto a muita gente que acreditou em mim, caso do presidente do FC Porto (…) Se calhar muita gente não acreditava no FC Porto campeão com o Fernando Santos”.
“Depois de uma época inteira de trabalho, estou feliz por mim, pelo clube e pela cidade. Imaginava esta festa toda, o que não imaginava era às quatro da manhã a cidade do Porto estivesse acordada”
“Divido o Dragão de Ouro com os outros técnicos” – 22 de Maio.
Secretário
“Para o ano há mais” – 22 de Maio

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Classificação final DA ÉPOCA 1998/1999
1º FC Porto – 34j/24v/7e/3d/85gm-26gs - 79 Pontos
2º Boavista – 34/20/11/57-29 - 71
3º Benfica – 34/19/8/7/71-29/65
4º Sporting – 34/17/12/5/64-32 - 63
5º Vit. Setúbal – 34/15/8/11/37-38 - 53
6º U. Leiria – 34/14/10/10/36-29 - 52
7º Vit. Guimarães – 34/14/8/12/53-41 - 50
8º E. Amadora – 34/11/12/11/33-40 - 45
9º Sp Braga – 34/10/12/12/38-50 - 42
10 Marítimo – 34/10/11/13/44-45 - 41
11º Farense – 34/10/9/15/39-54 - 39
12º Salgueiros – 34/7/17/10/45-55 - 38
13º Campomaiorense – 34/10/7/17/41-51 - 37
14º Alverca – 34/8/11/15/36-50 - 35
15º Rio Ave – 34/8/11/15/26-47 - 35
16º Beira Mar – 34/6/15/13/36-53 - 33
17º D. Chaves – 34/5/10/19/39-70 - 25
18º Académica – 34/4/9/21/30-71 - 21

«OJOGO» - Edição especial FC PORTO PENTACAMPEÃO - 4 Junho de 1999
 

Mustaine

Tribuna Presidencial
18 Junho 2007
12,186
57
Porto
22 – O inevitável aconteceu. Os Dragões entram para a história: conquistam o PENTA antes de jogarem com o Sporting, devido à distribuição de pontos registada em Faro.

Lembro-me como se fosse hoje de estar a ouvir o relato desse jogo. O Boavista vencia por 2-0 perto do fim e o Farense ainda foi incrivelmente empatar. Lembro tão bem...
 
L

levfcp

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Excelente Hast!

Mustaine, a bola à trave no FC PORTO - scut foi enviada pelo Mielcarski, também estive lá e é a unica oportunidade nossa que me lembro ! : )
 
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hast

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MOMENTOS DA ÉPOCA DO PENTA

Vítor Baía é nome incontornável na escolha de momentos marcantes de uma temporada que teve momentos assim-assim, alguns quase dramáticos e outros de plena glória. A entrada de Fernando Santos no balneário das Antas marca, por todas as razões, o início de uma aventura que Pinto da Costa queria tão gloriosa quanto podia permitir a conquista de um feito inédito no futebol português: a conquista de um pentacampeonato. A escolha para a gestão da temporada recaiu no Engenheiro, que até demorou a encontrar as soluções ideais para pôr a “máquina” a funcionar. Faltou-lhe sempre uma peça essencial, falhada que foi a aposta em Kralj para a baliza. Ainda por cima, foi-lhe suprimida uma outra, Doriva, que se revelava também fundamental. Foi então que chegou a “jóia” mais valiosa: Vítor Baía. Ainda houve um percalço – a derrota em Guimarães -, mas não passou disso mesmo, porque o que se seguiu foi um passeio mais ou menos tranquilo em direcção ao PENTA.

(1) - AS ESCOLHA DE FERNANDO SANTOS
Viviam-se os primórdios da temporada, delineando-se a planificação e escolhendo os nomes. Pinto da Costa foi taxativo, e apostou no risco: chamou para comandar o plantel Fernando Santos, um técnico que jamais liderara uma equipa com ambições tão elevadas. Gerou-se natural expectativa, ficando claro, logo nos primeiros dias, que o estilo do novo treinador representaria um corte radical com hábitos recentes, como a postura guerrilheira que António Oliveira antes impusera. Quinze dias de estágio em Viseu chegaram para se perceber que Fernando Santos não estava disposto a imitações e que pretendia impor o seu próprio estilo, mesmo correndo o risco de não agradar a muitos dos adeptos, habituados a uma postura de confronto quase permanente que lhes agradava. Além do mais, o plantel acabava de ser amputado de uma das suas peças principais, Sérgio Conceição – transferido para a Lázio – sem que a Administração da SAD se preocupasse com a escolha de um substituto, fora do plantel. Capucho, diziam, iria fazer esquecer o jogador da Lázio. Hoje, os responsáveis portistas podem dizer que ganharam as duas apostas: o técnico soube gerir e chegou ao título; Capucho assumiu as responsabilidades e emergiu como uma das estrelas da companhia.

(2) – KRALJ CHEGA E FALHA
O Mundial, pensava-se, comprovara que o investimento portista no guarda-redes internacional da Jugoslávia era seguro. E foi recebido como um herói, quando, no dia 19 de Julho, chegou ao Porto, seguindo directamente para o estágio em Viseu, onde teve recepção calorosa. Estava, dizia-se, encontrado o verdadeiro sucessor de Vítor Baía. Afinal, bastou um jogo para justificar todas as desconfianças. Ainda em Julho, no Torneio de Tenerife, Kralj sofreu um frango monumental, deixando boquiabertos os adeptos portistas. A situação foi desculpada por uma lesão num olho, ilibando o guarda-redes. Só que o que se seguiu foi um chorrilho de asneiras, que valeu, em última análise, a presença do FC Porto nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. A conclusão legitima-se pela actuação do jugoslavo no FC Porto – Olympiakos, que sofreu dois golos – um dos quais de forma incrível -, nos últimos minutos do encontro, permitindo um empate comprometedor. De asneira em asneira, Kralj acabaria afastado depois do Braga – FC Porto, a 9 de Novembro, onde voltaria a sofrer um frango que daria o empate aos bracarenses. Não voltou a jogar e, depois de um sem-número de peripécias, que incluíram uma viagem não autorizada à Jugoslávia, regressou ao seu país tendo como destino, na próxima temporada, o PSV Eindhoven, da Holanda. Do mal, o menos, o FC Porto recuperou, quase na totalidade, o investimento que fizera na compra do passe do guarda-redes.

(3) – DORIVA SAI, VÍTOR BAÍA VOLTA
Muitas nuvens, algumas de cinzento carregado, pairavam sobre o plantel. A concorrência na luta pelo título (Benfica e Sporting) não só estava mais forte em relação à época anterior como aparecia um “outsider” (Boavista) que não fraquejava. Adeptos, dirigentes, técnicos e jogadores… os nervos invadiam o espírito dos portistas, tardando a equipa em encontrar a tranquilidade para entrar na recta final da prova. Para piorar as coisas, a Sampdória, de Itália, atacou forte a carteira de Doriva, que não resistiu ao apelo das Liras. A SAD encaixou 1,4 milhões de contos (perto de 7 M€) mas também um rol de críticas por ter deixado sair um dos mais importantes jogadores do plantel. Pinto da Costa contra-atacou, não dandp margem de manobra aos críticos: fez regressar Vítor Baía, recebido pelos adeptos como um Messias e pelos companheiros como o homem capaz de impor tranquilidade, no relvado e no balneário. Vítor Baía cumpriu o papel que lhe estava destinado e o FC Porto, sobretudo a sua defesa, não mais foi o mesmo. A chave do Penta estava encontrada… No mesmo mês, tmbém Artur regressou ao Brasil, com destino ao Vitória da Bahía, e chegava às Antas Esquerdinha, um defesa-esquerdo que soube “roubar” o lugar a Fernando Mendes.

(4) – DERROTA EM GUIMARÃES
Finalmente, o FC Porto parecia entrar em velocidade de cruzeiro, apesar dos indícios de que Zahovic não estaria contente, comprovados nos protestos que não escondera quando foi substituído no jogo com o Rio Ave, que lhe valeu uma passagem pelo banco. Guimarães aparecia no caminho como um meta-volante que, ultrapassada, abriria caminho para o objectivo supremo. Mas a equipa escorregou, perdendo 3-2 e, mais do que isso, perdendo Zahovic, que foi expulso. Pinto da Costa não gostou da atitude do esloveno e, no balneário, repreendeu-o na frente de toda a equipa e a cena veio a público. Os resquícios do incidente ameaçavam deteriorar o ambiente do balneário, quando se aproximava o importante confronto com o Baovista.

(5) – LESÃO DE PAULINHO E EXPLOSÃO DE PEIXE
No dérbi do Porto estava o título em jogo… O empate favorecia o FC Porto, simplesmente porque comandava a classificação, ainda que fosse arriscado porque deixaria os Dragões em desvantagem nos confrontos directos, porque o Boavista vencera nas Antas. O resultado foi um nulo, mas os portistas perderam Paulinho, que sofreu uma lesão grave nos ligamentos. As sirenes das Antas tocaram, perante o fantasma da ausência de um dos mais carismáticos jogadores do plantel. Sem razão. Fernando Santos chamou Peixe, disse-lhe que estava ali a oportunidade de renascer para o futebol ao mais alto nível e a resposta foi fantástica. Três jogos depois já ninguém se lembrava da importância de Paulinho e muito menos da venda do Doriva. O FC Porto e o futebol português tinham recuperado outro trinco de grande nível…

(6) – ESPERANÇAS EM DECO
Não chegou a ser surpresa a contratação de Deco. Há muito que estava anunciada como um dos investimentos mais fortes do FC Porto. As esperanças dos responsáveis portistas no génio do brasileiro são (eram) muitas e os jogos que Deco fez justificaram-nas. É o craque em que os portistas concentrarão as atenções na próxima temporada.

Fernando Rola «OJOGO» - Edição especial FC PORTO PENTACAMPEÃO - 4 Junho de 1999
 
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Entrevista a Jorge Nuno Pinto da Costa (Oito dias após a conquista do 5º título consecutivo )


“NUNCA MAIS SE CONSEGUIRÁ TANTO”

Pinto da Costa gosta mesmo de Fernando Santos. Afirma-se “admirador do homem” e “fã incondicional do treinador”, que quer ver nas Antas até final do seu próprio mandato. Em tempo de balanço, o presidente do FC Porto olha para trás, realçando os 11 campeonatos de futebol conquistados nos últimos 15 anos, mas enumera com gosto especial, os muitos títulos acumulados nesta época, em várias modalidades. “Em termos desportivos atrevo-me a dizer que nunca mais ninguém conseguirá tanto”, refere nesta entrevista, antes de sublinhar que não “estar obcecados pelo hexa”, porque “senão isto nunca mais acaba”.

Pergunta – O que disse a Fernando Santos quando o abraçou nos corredores de Alvalade?
Pinto da Costa – Absolutamente nada. Depois de sabermos que éramos campeões, encontrámo-nos naquele momento e trocámos o tal abraço. Não dissemos uma única palavra. Nem era preciso. De certeza que o Eng.º Fernando Santos sabe tudo o que eu tinha para lhe dizer e eu sei tudo o que ele gostaria de me dito.

P. – Por que diz que Fernando Santos é a melhor pessoa do mundo? Nunca tinha dito nada assim sobre outro treinador…
PC – O que eu disse é que ele é das melhores pessoas que conheci no mundo do futebol. Já simpatizava muito com ele e ainda passei a simpatizar muito mais quando o conheci. Encontrávamos-nos muitas vezes nos jogos em que ele dirigia o Estrela e houve sempre duas coisas que admirei: em primeiro lugar a sua postura, antes, durante e depois dos jogos, e fosse qual fosse o resultado; em segundo, a forma como dirigia as equipas, com planteis nitidamente inferiores aos dos principais clubes. Fosse em casa ou não, as suas equipas dificultavam sempre ao máximo os objectivos dos adversários. Num dos últimos campeonatos que vencemos, veio aqui empatar a zero e venceu-nos depois por 2-1, numa época em que foi empatar a Alvalade e à Luz, com óptimas exibições. Após António Oliveira ter deixado claro que não continuava, muita gente veio-me recomendar treinadores. Fernando Santos não tentou minimamente posicionar-se para o comando técnico do FC Porto.

P. – Já se percebeu que aprecia o homem. E o treinador?
PC – Sendo um admirador do homem, sou fã incondicional do treinador. Quem estiver atento verificará que nas segundas partes dos jogos foram sempre corrigidas as dificuldades do primeiro tempo. Fiquei profundamente feliz por ter sido ele o engenheiro do Penta.

P. – Acha que ganhou uma aposta arriscada ao contratá-lo?
PC – Ao contrário do que se diz não foi uma aposta de alto risco. Fizemos o contrato depois de termos conversado muito, e tinha a certeza de que não estava a correr riscos. E ele, ao trocar a tranquilidade de alguns bons clubes que o pretendiam contratar pela responsabilidade de dirigir o tetracampeão, demonstrou grande coragem e confiança em si e em quem o convidou. Nenhuma vitória de um treinador me terá dado tanta satisfação como a de Fernando Santos. Nos últimos 17 anos, este foi um dos três ou quatro maiores momentos de felicidade que uma vitória me trouxe.

P. – Não está a desvalorizar os outros treinadores do Penta?
PC – O António Oliveira é o treinador do”Tri”, o Bobby Robson é um dos campeões dos vários “Bi” que o FC Porto tem. Não escondo que, em termos competitivos, também tive uma alegria enorme, comparável à do “Penta”, com o “Tri”, sob o comando de um técnico de quem fui dirigente enquanto jogador e por quem tenho uma amizade desde esses tempos. Foi uma alegria tê-lo ao meu lado quando nos sagramos campeões em Guimarães, e recordo-me de ver na televisão o abraço efusivo que demos, também sem trocar uma palavra. Os três são e serão sempre os treinadores do Penta, e se hoje voltasse atrás tomava as mesmas decisões, que muitos consideraram arriscadas. Robson tinha sido despedido do Sporting e estava de malas aviadas para Inglaterra. E quando o António Oliveira veio para o FC Porto era indesmentível a má vontade contra ele em quase toda a comunicação social. E sobre o Fernando Santos disseram que lhe faltava experiência para dirigir grandes equipas. Soube que vários clubes lhe endereçaram convites, mas, mesmo sem termos nenhum compromisso, ele sentiria, conhecendo-me razoavelmente, que iria ser a minha escolha. E recordo-me que acedeu de imediato. Falámos, durante horas, de tudo. Só não falamos de dinheiro.

P. – Dos cinco campeonatos qual foi o que lhe deu mais gozo?
PC – O “Tri” e o “Penta”. O primeiro era um sonho antigo, que, enquanto dirigente, já tinha estado três vezes à beira de alcançar. Todos sentimos que, se não fosse naquela altura, dificilmente seria alcançado com esta geração de dirigentes e jogadores. Aí pensei que já tinha conseguido tudo o que seria possível dar ao FC Porto, e que era o momento ideal para sair. Não nos podemos esquecer que, nos últimos 15 anos, o FC Porto venceu 11 campeonatos. Poucas vezes isso é referido, mas, se não é um caso ímpar na Europa, deve estar muito perto disso. Todos eles me deram grandes alegrias, mas foram alegrias iguais às anteriores. Na minha vida de Presidente, o primeiro grande momento é o do primeiro título, em 1984/85, quando contratei Artur Jorge, apesar da oposição de influentes dirigentes do clube. Esse título, mais o “Tri” e o “Penta”, juntamente com a vitória na Taça dos Campeões Europeus e na Taça Intercontinental, são os cinco maiores momentos de felicidade que tive como presidente. E fico também contente por quatro dessas vitórias terem sido alcançadas por treinadores portugueses. Quando lhes dão condições e são tratados com a dignidade que o lugar exige, são tão bons como os outros.

P. – Este foi o seu melhor ano à frente do clube?
PC – Em termos desportivos atrevo-me a dizer que nunca mais ninguém conseguirá tanto: fomos “Penta” campeões de futebol e campeões de basquetebol, andebol, hóquei em patins, natação masculina e pugilismo!

P. – Se é difícil de fazer melhor, não haverá um problema de motivação na próxima época?
PC – Há motivações que já não vou ter: a de querer que todos os treinadores sejam campeões e que a minha direcção seja campeã. Agora há uma coisa que não esqueço: ao Domingo, nas Antas e em todo o país, há gente do povo, que vive com tremendas dificuldades, mas a que os êxitos do clube enchem o coração de felicidade. Essa gente e a própria cidade precisam de que o FC Porto lhes continue a dar alegrias. Por isso vou continuar a desejar que o FC Porto ganhe. Não vou estar obcecado pelo “Hexa”, porque senão isto nunca mais acaba… Mas podem estar certos de vamos continuar a investir para sermos campeões.

“Não vejo ninguém a sair”

P. – E quanto é que pode investir?
PC – Neste momento não há necessidade de investir muito. Mas o investimento terá de ser significativo se houver alguma saída importante. Se não sair ninguém, como espero, será praticamente nulo.

P. – No primeiro semestre a SAD perdeu 390 mil contos (1 milhão e 945 mil €, aproximadamente). Continua ainda a apontar para um lucro de 150 mil contos (748 mil €, aproximadamente), no final do exercício?
PC – Na altura em que foram feitas essas previsões era claro que se o FC Porto não se apurasse para a Liga dos Campeões seriam inevitáveis saídas, É fazer contas e ver que o que vamos receber é superior ao défice e ao lucro previsto. Para nós é importante estar na Liga, como o é para o Real Madrid, o Barcelona, o Inter e para todos os que no mundo das dívidas são considerados pagadores.

P. – Jardel tem a cláusula dos 16 milhões de dólares…
PC - … se alguém a accionar e ele quiser ir. Vamos tentar que isso não aconteça. Ele é o único do plantel com cláusula. Foi uma condição para o termos durante três anos, sendo certo que se sair receberemos uma mais-valia considerável. Penso que foi um excelente acto de gestão.

P. – E o Zahovic não sai?
PC – Muito dificilmente sairá qualquer outro jogador que o treinador considere relevante. Não estou a ver ninguém a sair. Acho que os contratos têm de ser encarados com mais seriedade. Quando se fazem, os clubes cumprem de boa-fé, mas, depois, os jogadores que rendem pensam que têm direito a sair e os que não rendem entendem que o clube tem de continuar a cumprir como se fossem estrelas. Isto tem de ser reajustado.

P. – E quanto a contratações? Já se falou em Jorge Couto, Toñito e Silva…
PC – Com a minha aprovação e do técnico, há apenas quatro jogadores que, se não são ainda jogadores do FC Porto, têm grandes hipóteses de o vir a ser: os brasileiros Argel e Rubens Júnior, e Paulo Ferreira e Rodolfo [ambos do Estrela]. Tudo o resto que se diga foi vontade de desestabilizar por parte dos empresários interessados em promover os seus jogadores ou de clubes que tentam aumentar os valores dos futebolistas.

P. – Mas o caso Jorge Couto…
PC - … não tenho nada a ver com essa situação. Admito que possa ter havido contactos, mas só em relação aos quatro que referi é que houve aval do presidente.+

“FC Porto investiu sério”

P. – Não é arriscado ter entrado em rota de colisão com o agente de vários jogadores do FC Porto, como é José Veiga?
PC – Não tenho nenhum problema pelo facto de ele ser empresário de vários jogadores. Seria estúpido não aceitar agentes do futebol como são os empresários reconhecidos pela FIFA. Alguns conceitos é que, para mim, estão errados. É que, quando chego a acordo com um clube sobre um jogador, não admito a interferência de empresários. E para que hei-de receber um empresário interessado no Jardel se ele tem cláusula de rescisão estabelecida? Por que há-de um empresário oferecer a outros clubes jogadores que eu não quero vender? Agora, se eu der uma lista aos empresários com nomes de jogadores que quero colocar, aí terá direito à sua comissão, como é óbvio.

P. – A participação na Liga dos Campeões foi má. Quando é que o FC Porto vai investir na prova?
PC – O FC Porto investiu a sério e, em teoria, investiu bem. Tínhamos vencido o “tetra”, mantivemos a estrutura da equipa e foi considerada a necessidade de reforçarmos dois lugares: um guarda-redes e um lateral que jogasse nos dois lados. Foram feitas observações de bons guarda-redes. O Kralj, que era e é titular da Jugoslávia, foi observado nas mais diversas situações por diferentes pessoas, que concluíram sempre que se tratava de um belíssimo jogador. Como lateral, demos preferência ao Nélson, que se tunha iniciado no FC Porto e vinha do exigente futebol inglês. Na teoria, as necessidades da equipa foram colmatadas com óptimos reforços, mas da teoria à prática tem de vir a confirmação. Creio que o Kralj foi afectado por muitas situações. Se tivesse demonstrado dentro do campo o que mostrou nos jogos em que foi observado, não tenho dúvidas de que o FC Porto teria feito carreira na Liga dos Campeões. Sem aquele fatídico minuto 90 no jogo com o Olympiakos, bastavam os restantes resultados para nos apurarmos. Sobre o Nélson, não compreendo ainda hoje porque não mostrou todas as suas capacidades. Agora, quando na baliza temos um dos melhores guarda-redes da Europa, e uma óptima defesa, estou convencido que vamos ter uma participação bem mais positiva.

“COM A SAD CONTINUAMOS A VENCER”

P. – Já terminou o tirocínio necessário a um presidente de uma sociedade desportiva que antes era só presidente de um clube?
PC – É fundamental que, quando se cria uma SAD, os seus dirigentes conheçam bem o clube. Esse foi um dos argumentos que me foram apresentados, depois de vencer o “Tri”, para eu continuar. Entendi que era verdade. Penso que uma SAD não pode ter gestores públicos que hoje estão na TAP e amanhã nos Correios ou nos CTT. Os arautos da morte dos clubes e do futebol já nem piam, porque o FC Porto demonstrou que os ataques À SAD eram cretinices. Desde que criou a SAD, o FC Porto continuou a vencer, designadamente nas outras modalidades, e a ser um orgulho para os adeptos. E o FC Porto passou a ter uma vida totalmente cumpridora. Na festa das Antas e junto aos paços do concelho, vamos dar ao mundo uma prova de quem é grande e de quem é demagogo, de quem cumpre e de quem não o faz. Aí sentir-me-ei profundamente recompensado por ter sabido escolher para o meu lado os melhores dirigentes, técnicos e profissionais.

P. – A redução dos contactos com o Sporting e com José Roquete foi estratégica ou deveu-se a qualquer outra razão?
PC – As duas direcções mantiveram contactos mais ou menos frequentes por ocasião da criação das SAD, para tratar de questões fiscais, problemas legislativos e burocracias. Dois a remar para o mesmo lado é melhor do que cada um a remar para o seu lado e em barcos diferentes. A nossa vontade é a de tornar o futebol mais transparente e só há duas maneiras de o fazer: assumindo a criação das SAD, que têm revisores de contas, auditorias e orçamentos transparentes, ou apostar na conversa fiada. Nós e o Sporting preferimos optar pelas SAD. Dessa conjugação de esforços e vontades surgiram outras possibilidades de entendimento, que algumas pessoas não querem e criticam. Mas vá perguntar a uma fábrica de armamento se quer a paz no Kosovo, na Guiné ou em Angola…É óbvio que essa gente não quer.

P. – E quem é essa gente?
PC – Toda a gente sabe quem é que está interessado na guerra.

P. – Mas o acordo com o Sporting não se limitou ao que disse…
PC – Em termos concretos, combinámos não fazer guerra com jogadores de qualquer modalidade, e resolvemos aproveitar a rivalidade para fazermos a apresentação das nossas equipas. Foi um sucesso, tivemos duas casas cheias e receitas superiores ao normal. Resolvemos também, em conjugação com os técnicos, estudar a possibilidade de fazermos permutas de jogadores. Sem elas, se calhar o Peixe e o Rui Jorge, em vez das brilhantes exibições em Alvalade, tinham sido espectadores nesse jogo. São duas situações concretas de um acordo que se pode repetir. Mas, ao contrário do que se disse, isto não tem nada de secreto. E quem viu os jogos entre as duas equipas nas várias modalidades continuou a assistir a jogos tremendamente disputados. Mas é claro que há quem diga baboseiras ou esteja mais interessado em manchetes nos jornais. Esta situação entre o FC Porto e o Sporting não serve os interesses dos propagandistas do armamento.

P. – O FC Porto foi acusado durante anos de controlar a arbitragem. Afinal, foi campeão nos dois anos em que houve sorteio…
PC – Os árbitros são a desculpa de quem promete vitórias. Antes de existir a Liga, os presidentes do Conselho de Arbitragem nunca foram portistas, com excepção de Lourenço Pinto.
Fernando Marques, Laureano Gonçalves e Pinto de Sousa são assumidamente boavisteiros. Quando fui presidente da Liga, defendi que a arbitragem devia estar fora da Liga, porque considero que os erros dos árbitros existem em todo o mundo e as desavenças podem atingir a boa harmonia dos clubes. Não quiseram. Preferiram o sorteio e o FC Porto continuou a vencer. Falar em sistema e relacioná-lo com o FC Porto é uma estupidez. O presidente da Federação é do Benfica, o presidente da Liga deixou de ser presidente do Boavista para ir para lá, o actual presidente do Boavista faz parte da Direcção da Liga, o vice-presidente da Federação em representação da Liga foi uma escolha pessoal do seu presidente e é um antigo dirigente do Boavista, o presidente do Conselho de Arbitragem da Federação é um indefectível adepto do Boavista. Não ponho em causa a sua isenção, só quero é que não haja más interpretações. O FC Porto ganha porque tem grandes profissionais. No último estágio em Lisboa, o Sr. Fernando Martins, antigo presidente do Benfica, disse o seguinte numa conversa em que estávamos eu e Fernando Santos: “Conheço bem o presidente do FC Porto e quando se constou que o Oliveira ia sair, afirmei que o novo treinador só poderia ser uma de duas pessoas: Eriksson ou Fernando Santos”. O Sr. Fernando Martins sabe que sou um adversário leal, que procuro sempre escolher os melhores colaboradores. E se quiser comparar a postura da minha administração com a de alguns responsáveis da direcção do Benfica, podem encontrar as razões por que um ganha e outro não.
O nosso lema é pôr o FC Porto a jogar à Porto, o que está a ser respeitado. O presidente do Benfica procura fazer um Benfica à Benfica e os resultados são o que se sabem. No dia a seguir ao FC Porto ter conseguido um feito único, estive aqui com outros administradores, dirigentes e funcionários a trabalhar até às nove da noite. Tenho a felicidade de ter colaboradores com este espírito de quererem sempre mais e melhor. O meu conceito de liderança não passa por despedir pessoas para salvar a minha pele. Nem admito engolir sapos ou paquidermes para garantir a sobrevivência. O que mais admiro na liderança é a capacidade de ter os melhores colaboradores. Tenho, com muito orgulho, uma administração óptima no que diz respeito a competência, lealdade e disponibilidade para servir o FC Porto.

P. – Tem havido uma aproximação do presidente da Câmara de Gaia ao FC Porto. E, pelo contrário, parece que as relações de Fernando Gomes com o clube esfriaram um pouco. É apenas uma questão conjuntural ou há algo mais profundo?
PC – Como presidente da Câmara, o Dr. Fernando Gomes terá um lugar inapagável. Só quem não quiser reconhecer tudo o que tem feito e irá fazer na transformação da cidade é que não vê.
Ficará na história da cidade como o grande líder do século XX. Isso é irrefutável e não o digo por ter por ele uma grande estima. Se concorresse à Câmara do Porto por qualquer partido do PP até à CDU, teria sempre o meu voto de cidadão. Mesmo que se concretize o centro de estágio em Gaia, nunca ninguém será tão importante no futuro do FC Porto como Fernando Gomes pelos projectos que existem, do clube e da autarquia, para o futuro desta zona da cidade. O Dr. Filipe Menezes é um homem assumidamente do Norte e que já teve alguns problemas por isso. E, como tal, não pode deixar de reconhecer o que o Dr. Fernando Gomes representa para a região. Hoje preside à Câmara de Gaia e aí está a ter o “feeling”político que sempre demonstrou nos lugares que ocupou. O centro de estágio é importante para o FC Porto, mas é-o igualmente para Gaia e para muitas das suas instituições.

Soltas

P. - Não receou que o benfiquismo de Fernando Santos pudesse ser um problema?
PC – Lembro-me que quando uma rádio deu a notícia da sua contratação, a única que acrescentou foi que ele era sócio do Benfica. Aí percebi qual ia ser a estratégia para lhe tentar arranjar mau ambiente. Mas fiquei contente porque serviu para nos unir ainda mais, a mim, a ele e a Reinaldo Teles, numa luta que nos haveria de levar ao “Penta”. Hoje não tenho dúvidas de que o Fernando Santos se apaixonou por este clube, se identificou com a sua massa associativa e que quando sair – o que eu espero que seja daqui a muitos anos – vai ter sempre no seu coração um lugar de grande destaque para este clube, que também nunca o esquecerá.

P. – Já renovou contrato com ele?
PC – de palavra está renovado. Espero pôr tudo preto no branco antes de se iniciar a próxima época. Será um contrato que prolongará o actual até ao fim do meu mandato, por mais dois anos. Tenho a garantia, porque para mim a palavra é mais importante do que o contrato, de que será o nosso treinador até ao fim do meu mandato.

P. – Não se assustou quando, à sétima jornada, o FC Porto já tinha sofrido duas derrotas, ou quando foi eliminado da Taça pelo Torrense?
PC – O campeonato é uma prova especial. É uma maratona ou uma prova de dez mil metros, e nessas circunstâncias normalmente vencem os melhores. No campeonato do “Tri”, começamos com um empate em casa com o Setúbal e à quarta jornada empatámos com o Estrela. Era quase impossível começar pior. Quando surgem situações como essa é que se faz a diferença, aí é que se vê quem tem estaleca para aguentar as situações. É nesses momentos que técnicos e jogadores precisam de tranquilidade.

P. – Como portuense, gostou de ver o Boavista ficar em segundo lugar e apurar-se para a Liga dos Campeões, ou é mesmo verdade que gostaria de ver o Sporting nesse lugar?
PC – Como portuense, gostei de o Boavista ficar em segundo lugar e fiquei triste por o Salgueiros não ter ficado em segundo ou terceiro. Abstenho-me de responder à segunda parte da pergunta por não querer entrar em questões pessoais.


P. – O “Expresso” noticiou que está zangado com o seu filho, também ele agente de alguns jogadores portistas. É verdade?
PC – Não leio o “Expresso”. Tenho até com ele um problema grave. Sempre tive um princípio: não concedo intromissões na minha vida privada. Desafio alguém a mostrar uma entrevista em que tenha aberto a minha casa para mostrar onde me sento e como, ou o Bobby e o Tareco que não tenho. Não vou abrir excepções, por mais especulações que façam sobre a minha vida privada. No caso do meu filho, só tenho a dizer que as coisas só dizem respeito a nós. Agora, ele é empresário e tem direito às mesmas obrigações e benefícios que qualquer outro. Foi ele que vendeu o Doriva e o FC Porto cumpriu com ele escrupulosamente. Sou tido por figura pública, mas quando casei pela segunda vez consegui fazê-lo na maior privacidade, sendo esse o meu desejo e o da minha mulher. E se me casei pela segunda vez é porque me divorciei, o que também consegui fazer privadamente. Se andasse a exibir-me nas resvistas piorsas, aceitava que estivessem fotógrafos no notário. Por isso não admito excepções.

P. – Vale e Azevedo disse que quem mandava no futebol do FC Porto já não era Pinto da Costa , porque a lógica da saída de jogadores era eminentemente financeira. A sua resposta foi: “Quem manda sou eu”. Teve de afirmar o seu poder?
PC – O que diz o Dr. Vale e Azevedo não me afecta. Toda a gente sabe por que razão está ele no futebol. Não o conheço nem quero conhecer. Agora, o que senti, designadamente através de Reinaldo Teles, que convive com o balneário e até com os sócios, é que havia preocupação em saber se eu estaria a fazer uma passagem de testemunho tranquila. Por isso quis transmitir a mensagem aos jogadores de que, como sempre, estava com eles para tomar as decisões necessárias à vitória. A mensagem foi compreendida e foi visível que o nosso grupo ficou mais unido.

Bruno Prata
«PÚBLICO» Edição Especial PENTACAMPEÕES - 30 de Maio de 1999)
 
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O GUARDA-REDES E OS TEIMOSOS
Os três treinadores que conduziram o FC Porto à conquista dos CINCO campeonato, que hoje enchem as mãos dos Portistas, utilizaram 68 jogadores. Os mais teimosos, ou seja, aqueles que “insistiram” em jogar sempre, foram Aloísio e Drulovic. Indiscutíveis com Bobby Robson, cedo conquistaram as boas graças de António Oliveira, fazendo o mesmo com Fernando Santos, que ainda chegou a “sentar” o central brasileiro. Nada de significativo, porque a forma física nunca foi problema e a bola não tem idade. Aloísio pode já não correr como o fazia em épocas anteriores, mas o seu refinado conhecimento do futebol permite-lhe ler a cabeça dos adversários e adivinhar os lances, continuando a impor a sua classe com segurança. Para além disso, sabe que mais do que correr desnecessariamente é fazer correr a bola. Então desde o regresso de Vítor Baía às Antas, a produção deste internacional brasileiro subiu de forma espectacular.
Problema maior para o FC Porto durante dois anos e meio foi a ressaca da criação de um insubstituível. Ainda por cima guarda-redes. Com a saída de Baía para Barcelona, passaram pelas redes Portistas: Wozniak, Eriksson, Silvino, Rui Correia e Kralj. Nenhum servia, apesar de durante esse período a equipa continuar a somar títulos ao palmarés. Porque a vida não corria de feição ao guardião da Selecção Nacional na capital da Catalunha e a baliza das Antas continuava “assombrada”, Pinto da Costa negociou o regresso a casa de Vítor Baía. Para sossego de quase todos – menos de Rui Correia e Costinha, claro – e mesmo o “fantasma”meteu uma férias, pelo menos até se saber se no final da próxima época, quando terminar o período de empréstimo, o FC Porto tem hipóteses de comprar o passe ao Barcelona ou tem de voltar a montar acampamento no reino do Azul e Branco.
De resto o Penta Portista teve em Drulovic um artífice a tempo inteiro e alguns craques a prazo. Doriva, por exemplo, chegou a meio do Tetra e partiu a meio do Penta, Zahovic notabilizou-se crescendo de época para época e conseguiu um Tri pessoal. Uma palavra obrigatória para Jorge Costa, que só não jogou tanto como Aloísio devido aos problemas nos joelhos que o levaram quatro (!) vezes à sala de operações, e para Paulinho e Rui Barros, presenças assíduas na equipa, mais o primeiro do que o segundo.
«OJOGO» - Edição especial FC PORTO PENTACAMPEÃO - 4 Junho de 1999

AS EQUIPAS TIPO

Época 1994/1995 – 1º Ano do Penta
A primeira equipa formada por Robson, após ano e meio com os jogadores escolhidos por Ivic. Rui Filipe, vítima mortal de um acidente, enquanto Emerson e os russos Kulkov e Iuran foram apostas ganhas, no ano em que Jorge Costa emergia, substituindo Fernando Couto no eixo da defesa. Drulovic também impôs o seu génio, passando a indiscutível no onze

Vítor Baía; JoãoPinto, Aloísio, Jorge Costa Rui Jorge; Secretário, Emerson, Kulkov; Iuran, Domingos, Drulovic
34J – 29 V – 4 E – 1 D - 73 GM/15GS – 62P.

(*) O Sporting ficou a (SETE) 7 pontos de distância, no 2º lugar (55) e o Benfica a TREZE (13), com 49, no 3º lugar.
(*) Dos 73 golos marcados (uma média de 2,14 por jogo) é digno de referência e de relevância, o facto de apenas CINCO (5) golos terem sido obtidos através de grandes penalidades. Para que conste.
(*) Nota, também, para a despedida, enquanto jogador, de André. Um dos melhores médios, da sua geração, a nível mundial.

Época 1995/1996 – Ano do BI
Edmilson e Lipcsei chegam às Antas e impõe-se de imediato. Mais o brasileiro, que se tornou numa das peças chave da equipa. Paulinho “explode” e como uma espécie de 115, acudindo a todas necessidades. Joga grande parte da época como lateral-esquerdo. Rui Barros, que regressara um ano antes, reencontra-se e torna-se num dos indiscutíveis, mas o verdadeiro craque foi Domingos, que conquista o troféu de melhor marcador.

Vítor Baía; Secretário, Aloísio, Jorge Costa, Paulinho Santos; Edmilson, Emerson, Lipcsei; R. Barros, Domingos, Drulovic
34 J – 26 V – 6 E – 2 D - 84 GM/20GS – 84P.

(*) Benfica, 2º classificado a ONZE (11) pontos de diferença e o Sporting, 3º, a DEZASSETE (17).
(*) Dos 84 golos marcados (uma média de 2,47 por jogo) é digno de referência e de relevância, o facto de apenas TRÊS (3) golos terem sido obtidos através de grandes penalidades. Para que conste.

Época 1996/1997 – Ano do TRI
(*) E eis que chega Jardel, como se os 84 golos marcados na época anterior fossem poucos.
António Oliveira construiu uma nova equipa, solidificando-a com alguns “veteranos”, como Jorge Costa, Aloísio, Paulinho e Edmilsson. Sem Vítor Baía, deu oportunidade a Hilário, depois de ter experimentado o polaco Wozniak; patrocinou a afirmação de Sérgio Conceição, explorou as características de Zahovic e criou um sistema que jogava na perfeição para Jardel, um goleador que chegou às Antas, treinou e triunfou.

Vítor Baía; Sérgio Conceição, Aloísio, Jorge Costa, Fernando Mendes; Zahovic, Barroso, Paulinho Santos; Edmilson Jardel e Drulovic
34 J – 27 V – 4 E – 3 D - 77 GM/24GS – 85P.

(*) O Sporting foi segundo, a TREZE (13) pontos de diferença, já o Benfica, em terceiro, ficou a VINTE E SETE (27).
(*) Dos 85 golos marcados (uma média de 2,5 por jogo) é digno de referência e de relevância, o facto de apenas TRÊS (3) golos terem sido obtidos através de grandes penalidades. Para que conste.

Época 1997/1998 – Ano do Tetra.
A aposta foi na continuidade, de esquemas e de nomes, ainda que houvesse necessidade de substituir o “desertor” Edmilson. Entrou Capucho, e muito bem. Mais tarde, já em Dezembro, chegaram Secretário e Doriva, para entrarem directamente para o onze, onde se fixaram até final da temporada. Sérgio Conceição também se “transferiu”, mas da defesa para o ataque, ocupando a tempo inteiro o lugar de Edmilson.

Rui Correia; Secretário, Aloísio, João Manuel Pinto, Fernando Mendes; Sérgio Conceição, Doriva Paulinho Santos, Capucho, Jardel e Drulovic
34 J – 25 V – 5 E – 5 D - 75 GM/38GS – 77P.

(*) Benfica, em segundo, a NOVE (9) pontos de diferença e o Sporting, em 4º!, a VINTE E UM (21)
(*) Dos 75 golos marcados (uma média de 2,2 por jogo) é digno de referência e de relevância, o facto de apenas CINCO (5) golos terem sido obtidos através de grandes penalidades. Para que conste. Realce para o número anormal (38) de golos sofridos em 34 jogos (média de 1,1).

Época 1998/1999 – Ano do Penta.
Vítor Baía voltou, Peixe renasceu e Zahovic confirmou-se em definitivo. Fernando Santos apostou na continuidade, tentando aumentar o rendimento do colectivo através da exploração de alguns elementos, sobretudo em termos tácticos. De resto, encontrou na casa a solução – Peixe – para substituir Doriva e, como considerava Fernando Mendes demasiado ofensivo, “chamou” Esquerdinha, do Brasil, para solidificar a defesa.

Vítor Baía; Secretário, Jorge Costa, Aloísio, Esquerdinha; Zahovic, Peixe Deco, Capucho Jardel e Drulovic
34 J – 24 V – 7 E – 3 D - 85 GM/26GS – 79P.

(*)Benfica, terceiro classificado, a CATORZE (14) pontos de diferença e Sporting, quarto classificado, a DEZASSEIS (16).
(*) Dos 85 golos marcados (uma média de 2,5 por jogo) é digno de referência e de relevância, o facto de apenas QUATRO (4) golos terem sido obtidos através de grandes penalidades. Para que conste.
«OJOGO» - Edição especial FC PORTO PENTACAMPEÃO - 4 Junho de 1999
(*) hast
 

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Tribuna Presidencial
27 Julho 2006
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377
Quando comecei a perceber de futebol e vi o 1º campeonato que acompanhei com atenção foi o 1º ano do Penta. (Durante 5 anos pensei que só havia campeonato do 2º ao 18º lugar LOL)
Foram 5 anos sempre a ganhar e acho que 2 com dobradinha corrijam se eu tiver enganado.
E foi nesses 5 anos que vi o Porto a espetar 5 no clubezeco lá de lisboa.
É Muito bom recordar o Penta e sempre que quero lembrar de algo especial
Vou ao meu Livro que demorei meses a preencher \"O Penta Ilustrado\"
 
H

hast

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CHAMEM-LHE TREINADOR

Discutia-se a hipótese de Fernando Santos poder ser treinador de campo ou adjunto de um seleccionador nacional a nomear e Pinto da Costa, numa entrevista televisiva, mostrou a sua discordância relativamente a essa hipótese, pois entendia que o treinador do Estrela da Amadora devia ser, isso sim, candidato a seleccionador nacional. Quando este episódio ocorreu, António Oliveira conduzia os destinos do FC Porto, não se suspeitando, sequer, que no final da temporada, a segunda ao serviço do clube das Antas, estaria de saída.
Quando no final da campanha que levou à conquista do Tetra, António Oliveira resolveu interromper a sua ligação aos Dragões, Pinto da Costa mostrou o quanto havia sido sincero uns meses antes. De uma forma tão coerente quanto inesperada, o presidente do FC Porto apostou em Fernando Santos para dar mais um importantíssimo passo no enriquecimento da história do clube: a conquista do Penta. A nação portista ficou reticente. Que diabo, o clube tinha acabado de conquistar dois títulos adornados por clichés regionalistas e pro-regionalização e agora entregava a equipa a um homem do sul, um “mouro”, que ainda por cima era sócio do Benfica com as cotas em dia pelo menos até à data das eleições no clube da Luz, porque a televisão mostrou-o na altura em que foi votar.
O crédito do presidente junto da massa associativa contribuiu para que tudo corresse bem desde o início. A capacidade de trabalho demonstrada pelo técnico e a persistência na implantação das suas ideias – a equipa joga mesmo ao ataque e em 4-3-3 tanto em casa como fora – levaram a massa anónima a aceitá-lo, primeiro, para o adoptar depois. O engenheiro, o “inginheiro”, melhor dizendo, passou a ser um deles. É certo que nem tudo foram rosas no percurso rumo ao Penta e houve mesmo alturas de alguma exaltação. E se não caiu bem que tivesse razões de queixa efectivas da arbitragem de Lucílio Baptista (!) na derrota em Aveiro (2ª jornada) e não verberasse a actuação do juiz, a eliminação da Taça d Portugal, em casa, frente ao Torreense levou mesmo uma faixa de adeptos a pedirem a cabeça do treinador. Homem de carácter, no dia seguinte enfrentou os que o contestavam e… ganhou mais um naipe de adeptos e apoiantes incondicionais. Para trás ficou a frustração do não apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões, numa prova marcada pela falta de sorte, porque a série acabou por revelar-se mais acessível do que o previsto quando o sorteio ditou como adversários o Ajax, o Olympiakos e o Croácia Zagrebe. Mas a equipa vivia ainda uma fase de aprendizagem e apesar de toda a gente correr sem regatear esforços, havia ocasiões em que não o fazia na direcção correcta. O tempo ajudou a limar arestas e a manifestação de força das últimas jornadas do campeonato provou que o caminho foi sempre o correcto, mas qualquer processo de aprendizagem tem etapas a cumprir.
Entretanto, e porque cursou Engenharia, toda a gente o trata pelo título, mas o título com que Fernando Santos sonhava a sério não era o académico, que já tem há uma série de anos, mas sim o nacional. E não será que depois da manifestação de força do FC Porto, principalmente na segunda volta do campeonato, o homem merece que lhe chamem treinador? Só mais uma coisa: ele não promete nada mas tem a ilusão de ser campeão europeu, que é coisa que não se consegue com títulos universitários, mas sim a jogar ao ataque. De preferência em 4-3-3…

EQUIPA TÉCNICA
Convidado a liderar o projecto do FC Porto na caça ao Penta, Fernando Santos fez questão de incorporar no naipe de adjuntos Jorge Rosário, o seu homem de confiança nas aventuras anteriores, mas não se opôs a que o clube lhe impusesse Rodolfo Reis como nº 2 da equipa técnica. André, Mlynarczik e Roger Spry transitaram do grupo de António Oliveira e nenhum deles teve dificuldades em perceber as novas orientações. O resultado do trabalho está à vista.
RODOLFO REIS
Regressou com o rótulo de, enquanto jogador, nunca ter representado outro clube que não o FC Porto, de quem foi capitão. Deveria ser o nº 2 e, em complemento, servir de ponte entre o novo comandante e a mística de um clube que tem uma forma de estar muito própria. Quase não foi preciso porque Fernando Santos assimilou rapidamente a nova realidade que tinha para gerir e Rodolfo Reis também se identificou, sem dramas, com as ideias do treinador principal. Terá sido este um dos segredos da coesão que caracterizou a equipa técnica durante praticamente toda a época.
ANDRÉ
É um símbolo da história recente do clube e até teve participação directa na conquista do Penta, porque a saga começou quando ainda era jogador. Transitou da equipa técnica de António Oliveira e também ele não teve dificuldades para “perceber” os métodos de Fernando Santos. É sobretudo um técnico de treinos, onde por norma tem participação activa, ora gerindo os exercícios ora colando-se “do lado” dos jogadores, participando com alguma frequência, nas peladinhas. Nas ausências de Mlynarczik assume o treino dos guarda-redes.
JORGE ROSÁRIO
Foi olhado como braço direito de Fernando Santos, que acompanhava desde o Estrela da Amadora. Chegado a uma realidade distinta do que estava habituado, que ignorava por completo, o treinador quis um homem da sua confiança e a escolha foi óbvia. O que se passou a seguir também. Rosário criou um clima de confiança com os jogadores, de quem esteve sempre muito próximo e, entretanto, assumiu também as funções de observador, que incluíram uma passagem pelo Brasil para ver eventuais reforços com vista ao futuro.
ROGER SPRY
Pouco ortodoxo nos métodos, suficientemente eficaz para que Fernando Santos, em muitas ocasiões, lhe entregasse a responsabilidade de gerir os índices físicos do plantel. A música era um dos seus ícones, que abandonou sensivelmente a meio da temporada, mantendo contudo, uma forma de estar e trabalhar que dispõe bem os jogadores. Que, aliás, gostam do trabalho que fazem com o preparador físico britânico. É que naquele jeito de quem parece que está a brincar com coisas sérias, Spry consegue que os atletas tirem o máximo do físico, exactamente como ele pretende.
MLYNARCZIK
A sua metodologia é elogiada pela restante equipa técnica e pelos guarda-redes, ainda que também ele tenha sido posto em causa a propósito do fracasso de Kralj. Como duas épocas antes havia sido com Wozniak, neste caso, uma escolha sua. Apenas “fait divers”, porque o prestigio e a competência de Mlynarczik continuam intocáveis, facto que pode ser comprovado, por exemplo, a forma como Vítor Baía após ano e meio quase sem jogar, rapidamente se reencontrou com o seu estilo e deu segurança à defesa portista, numa altura crucial do Campeonato. O polaco tem uma missão especifica na equipa técnica.
«OJOGO» - Edição especial FC PORTO PENTACAMPEÃO - 4 Junho de 1999
 
H

hast

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Os seis magníficos:

SÓ É PENTA QUEM PODE

Passaram cinco anos, entraram e saíram jogadores – uns mais importantes do que outros, como é óbvio – mas há um “clube” que se mantém, o clube do Penta. No Tetra eram sete, ao Penta só chegaram seis, porque Rui Jorge foi para o Sporting, trocado por Peixe. Da meia dúzia de sobreviventes só cinco o foram em termos efectivos, pois Folha apenas jogou treze minutos do último título, frente ao Rio Ave, na primeira jornada da época. Aloísio, Jorge Costa, Drulovic, Paulinho e Rui Barros jogaram em todas as épocas, numas mais do que noutras, consoante as filosofias de jogo aplicadas e o estado físico de cada um.
Aloísio e Drulovic foram os mais constantes, raramente passando pelo banco ou pelo departamento médico, ao passo que Jorge Costa se viu forçado a entremear a titularidade com as operações aos joelhos (três) a que foi submetido durante a caminhada para o Penta. Paulinho só não esteve sempre em acção na primeira época de Robson e na segunda volta do Penta, mas tem a particularidade de quase nunca ser substituído. Ou está ou não está. Senão atente-se no facto de ter participado em menos 15 jogos do que Drulovic e de ter estado mais 1149 minutos do que o jugoslavo, ou seja, o equivalente a 12,7 jogos(!).
Rui Barros foi sempre importante no esquema de treinadores, ainda que poucas vezes fosse titular indiscutível. É um trabalhador, um jogador de colectivo com uma disponibilidade e uma coragem ímpares. Um senhor.

ALOÍSIO (16/08/1963)
Total de jogos: 148 - Completos: 128 – Incompletos. 20
Tempo de jogos: 13 662 minutos – Média por jogo: 91,6
Golos: 9
Cartões: 31 Amarelos; 0 Duplo Amarelo e 0 vermelho.

SETE EM NOVEMBRO
Acabou a época em grande forma como se fosse um rapaz de vinte e poucos anos, acabadinho de contratar ao Barcelona dois anos depois de ter sido vice-campeão olímpico em Seul, ao serviço da selecção canarinha. Cruyff “enamorou-se” das suas qualidades, mas pouco depois preferiu trocá-lo pelo compatriota – será um vício holandês?... – Ronald Koeman. Artur Jorge, que tinha pedido o internacional brasileiro Júlio César, achou óptimo poder substitui-lo por Aloísio, uma vez que a Juventus se tinha atravessado no negócio. Desde que chegou às Antas, Aloísio nunca deixou de marcar pontos positivos. Como jogador e como homem. Desiludidos terão ficado os que o viram “sobreviver” a vários companheiros de sector e lhe auguravam um fim próximo. Chegou para jogar ao lado de Geraldão, ajudou a “moldar” Fernando Couto, deu a mão a José Carlos, que fez ao lado dele uma época fabulosa, e contribuiu decisivamente para o crescimento de Jorge Costa, com quem tem formado a dupla mais duradoira, e provavelmente, a mais eficaz. Em nove épocas, o internacional brasileiro ajudou a conquistar sete títulos nacionais. É obra!
Apesar dos seus 35 anos, renovou contrato por mais uma época, mas desde que queira, tem futuro assegurado no FC Porto, pois a Administração da SAD já lhe endereçou um convite no sentido de ficar ligado ao Azul e Branco “ad eternum”. Curiosamente, antes de renovar pelo FC Porto o Aloísio teve em cima da mesa, oriunda do Brasil, a proposta de contrato mais vantajosa da sua vida, ele que ao longo dos anos tem resistido a apelos sucessivos para regressar ao Brasil. E este ano o assédio do São Paulo, cuja oferta superava em muito a do Internacional de Porto Alegre, foi mesmo coisa séria. Mas Aloísio Aloísio já é da casa. E ficou!
 
H

hast

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JORGE COSTA (14/10/1971)
Total de jogos: 105 - Completos: 105 – Incompletos. 9
Tempo de jogos: 9 513 minutos – Média por jogo: 90,6
Golos: 8
Cartões: 43 Amarelos; 0 Duplo Amarelo e 1 vermelho.

O “BICHO” DRAGÃO
Quando, na apresentação do plantel para a temporada 1997/98, João Pinto, com uma lágrima no olho, entregou a Jorge Costa, não só a camisola nº 2 como a braçadeira de capitão, sabia que quem recebia o testemunho era digno e tinha competência, pelo passado do novo capitão mas também pelas perspectivas de um futuro risonho. Há muitos anos que o capitão do FC Porto é um jogador com carisma, produto da casa e, simultaneamente, uma referência para adeptos e companheiros. Jorge Costa junta estes predicados e mais alguns, até porque não chegariam para ser capitão; para isso, primeiro, é preciso ter qualidades para jogar…
Jorge Costa tem mais do que isso, tem talento, esta época mais visível do que nunca. Herói do Penta, viveu em crescendo temporada a temporada, até que, na época passada uma lesão ainda no estágio, na Suécia, o afastou da competição por muitos meses. Obviamente, não alcançou o rendimento de temporadas anteriores, mas nem por isso desistiu. Já leva cinco operações aos joelhos e de todas recuperou a cem por cento, nalguns casos, como neste último, contra as expectativas de muita gente, que considerava impossível que voltasse a ter a mesma qualidade. Esqueceram-se da força de vontade de Jorge Costa. Aliás, tinham alguma razão… De facto, sob o comando de Fernando Santos, Jorge Costa não foi igual ao passado, foi substancialmente melhor. Protagonizou a sua melhor época de sempre, como jogador e chefe do plantel, defendendo como um autêntico “bicho” – a alcunha com que o tratam companheiros e técnicos – e empurrando a equipa para o ataque quando as circunstâncias o aconselhavam. Se houve, e houve, peças chave na conquista dos últimos campeonatos do Penta, Jorge Costa está entre elas. E não se pode esquecer o contributo que deu nos anteriores.
 
H

hast

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PAULINHO SANTOS (21/11/1970)
Total de jogos: 131 - Completos: 120 – Incompletos: 11
Tempo de jogos: 12 155 minutos – Média por jogo: 92,7
Golos: 5
Cartões: 30 Amarelos; 1 Duplo Amarelo e 3 vermelho.

IMAGEM DE MARCA
Não está em forma e joga? Perguntem ao técnico, seja qual for o que comanda a equipa, que ele responderá que, em qualquer circunstância, Paulinho terá que jogar sempre. A ideia é forte, até injusta para os companheiros, mas é pura realidade. O peso de Paulinho no plantel dos Dragões é fundamental, uma espécie de imagem de marca de que nenhum técnico prescinde. Porque se trata de um jogador com carisma especial, pela sua forma de estar não nos jogos como nos treinos – é daqueles que não gostam de perder, seja em que circunstância for -, muito ao jeito do pode torcer mas nunca quebrar. E, nesta época, quebrou mesmo, no Boavista-FC Porto, quando sofreu uma lesão que o atirou para a cama de um hospital. Nada que belisque, minimamente, uma parte importante do mérito na conquista do pentacampeonato.
Considerado jogador da casa – curiosamente não jogou nas camadas jovens do FC Porto -, sorveu facilmente a filosofia dos Dragões, logo que Augusto Inácio, então treinador do Rio Ave a preparar-se para assumir a condição de adjunto de Carlos Alberto Silva, o recomendou nas Antas e candidatou-se à vaga de André, na altura ainda a coexistirem na mesma equipa. Paulinho sempre considerou o antecessor como mentor na forma de estar e jogar futebol. Ainda hoje perfilha as ideias, e soube conquistar importância no balneário. Porque dá tudo em todas as circunstâncias, seja como médio seja como lateral adaptado, chegando a exceder-se em algumas situações. Ficaram famosos os duelos com o benfiquista João Pinto, de futebol e de outras coisas, precisamente porque quando tem uma missão leva-a até ao fim, por vezes sem olhar a meios. Bobby Robson apadrinhou-o, António Oliveira nunca prescindiu dos seus serviços; Fernando Santos só procurou uma alternativa quando lhe foi mesmo impossível.