António Oliveira

Snowman_10

Tribuna Presidencial
22 Agosto 2007
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Celorico de Basto, 1990
António Oliveira (10 de Junho de 1952, Penafiel) foi um antigo treinador da Selecção Portuguesa de Futebol. Foi presidente do FC Penafiel,durante três épocas, tendo abandonado por vontade própria a liderança do Clube em 2006, sendo substituído por uma Comissão Administrativa composta por 13 elementos, coordenada pelo Dr. Alberto Clemente de Melo e Sousa.

Aos 15 anos começou a jogar futebol federado integrado nas camadas jovens do FC Porto. Ainda com idade de júnior, aos 17 anos, passou a treinar com a equipa principal dos portistas por iniciativa do treinador brasileiro Paulo Amaral. Oliveira, que jogava na posição de médio-ofensivo, assumiu-se como uma das estrelas da equipa que, entretanto, passou a ser treinada por José Maria Pedroto, um dos mais conceituados técnicos portugueses de sempre.

Na temporada 77/1978, o FC Porto conquistou o título nacional depois de ter estado 19 anos sem qualquer triunfo. Nessa época Oliveira entrou em todos os jogos e marcou 19 gols. Aos 26 anos era já um futebolista conceituado na Europa e foi contratado no Verão de 1978 pelo Bétis de Sevilha, de Espanha. Mas a experiência no campeonato espanhol não correu bem e regressou ao FC Porto no início de 1979. De salientar, a caricata estória que o envolveu, no regresso de Espanha, quando jogava no Bétis, ter sido detido pela Guardia Civil junto à fronteira com Portugal, devido ao facto de deter na sua posse uma mala de notas falsas.Ainda assim, participou na conquista de novo título por parte do clube das Antas.

No Verão de 1980 uma luta de poderes dentro do FC Porto entre Pinto da Costa e o então presidente Américo Sá provocou uma grande instabilidade no clube. Oliveira, saturado com a situação, deixou as Antas e ingressou no FC Penafiel, a equipa da sua terra natal. No Penafiel teve a sua primeira experiência como treinador, função que acumulou com a de jogador. Mas esteve pouco tempo neste clube pois na temporada seguinte regressou a um clube considerado dos \"grandes\", no caso o Sporting, onde voltou a ser apenas futebolista. Em Alvalade conquistou mais um título nacional, na temporada 81/1982. Em Setembro de 1982, já com a época em curso, assumiu as funções de treinador do Sporting, mantendo-se também como jogador, conquistou nessa época a Supertaça portuguesa.

Na época 85/1986, já ao serviço da equipa madeirense Marítimo, abandonou em definitivo a carreira de jogador para a passar a ser em exclusivo treinador de futebol. Para além dos vários títulos conquistados como jogador no FC Porto e Sporting, foi internacional pela seleção portuguesa em 24 jogos. Depois de ter treinado o Marítimo em 85/1986 passou a ser o responsável pela seleção de Esperanças, à frente da qual esteve duas temporadas.

Oliveira passou sucessivamente pelo Vitória de Guimarães, Académica de Coimbra, Gil Vicente e Sporting de Braga até que em 1994 foi contratado para seleccionador nacional. A sua estreia como técnico da selecção ocorreu a 1 de Setembro desse ano, em Belfast, num jogo em que Portugal ganhou 2-1 à seleção da Irlanda do Norte. Em Novembro de 1995 qualificou Portugal para o Euro 1996 de Futebol que iria ter lugar na Inglaterra. Neste torneio a selecção nacional impressionou com o seu bom futebol e chegou aos quartos-de-final, sendo eliminada pela República Checa 1-0.

Oliveira, entretanto, regressa ao FC Porto, como treinador, e nas duas épocas que esteve nas Antas (96/1997 e 97/1998) conquistou os dois títulos nacionais. Ainda em 1998 ganhou a Taça de Portugal ao Sp. Braga. Mas a sua estadia nas Antas foi marcada por várias polémicas e acabou por sair do clube. Regressou então ao Bétis de Sevilha, mas ao fim de poucos dias de trabalho, desentendimentos com o presidente do clube da Andaluzia levaram-no a abandonar Sevilha ainda antes da época começar.

Esteve quase dois anos sem trabalhar, mas em Agosto de 2000 voltou a orientar a selecção portuguesa, que qualificou-se para o Mundial 2002. Neste torneio, disputado na Coreia do Sul e no Japão, Portugal foi uma das grandes desilusões, eliminado pelos EUA e Coreia do Sul, o que levou ao despedimento de António Oliveira.

No início da época 03/2004, Oliveira foi eleito presidente do FC Penafiel, tendo como objectivo fazer regressar o clube ao primeiro escalão do futebol português. Tendo conseguido esse objetivo logo nessa época. Na época 05/2006 a sua equipa desce de novo de divisão, abandonando a direção do clube, sendo dado pela imprensa portuguesa como um dos possíveis sucessores de Pinto da Costa no FC Porto.

Actualmente, frequenta o curso de Direito, no regime pós-laboral, da Universidade Católica do Porto.

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Grande Treinador e jogador
 
H

hast

Guest
Traquina, de aguçado espírito aventureiro, o pequeno Toninho revelou-se cedo «menino difícil». Talvez por isso, os pais, donos de um afamado restaurante em Penafiel, decidissem interná-lo num colégio de Ermesinde, tinha ele 11 anos. Terão cogitado, certamente, que, assim, ao menos se arrefeceria o fascínio louco pelo futebol, que eles não levavam muito a gosto, antes pelo contrário. Enganaram-se. Sobretudo ao fim-de-semana, António Oliveira, meditabundo, com os olhos negros sombreados pela mágoa de estar assim, maldizia, de si para si, a clausura do colégio, imaginando os amigos que pelas calçadas de Penafiel jogavam à bola, gárrulos, felizes. Engendrava diabólicos planos de fuga, que por vezes resultavam. Galgava, então, à boleia ou a pé, para Penafiel. Chegava e corria para onde sabia estarem os amigos a jogar à bola. Só de lá saía pela caligem da noite, a caminho de casa, onde sabia que o esperavam tabefes e rosários de reprimendas. Depois, era o regresso forçado a Ermesinde, um ritual que se repetiria durante pelo menos quatro anos.
Tinha António 15 anos quando primos mais velhos o acicataram, dizendo-lhe que brilhava lá na terra mas que nunca haveria de vestir a camisola do F. C. Porto, que isso era honra para outra gente, com mais jeito que ele e, principalmente, com mais... físico. Era franzino, de facto, mas o que lhe faltava em músculo, sobrava-lhe em orgulho, em determinação. Por isso, convenceu o irmão Joaquim a levá-lo às Antas, para testes, pois tinha umas contas a ajustar com aqueles primos desmancha-prazeres. Foi. Artur Baeta e António Feliciano encantaram-se com o jeito, ficou. Dois anos jogou nos juniores do F. C. Porto, ao fim dos quais foi integrado, naturalmente, no plantel de honra, pelo brasileiro Paulo Amaral. Pouco depois, José Augusto convocou-o para a Minicopa do Mundo, que se realizou no Brasil, na qual Portugal se classificaria em segundo lugar. Mas, uma cruel partida do destino impediu que Oliveira vivesse esse momento de fulgor como agente activo, porque, a escassos dias da partida, em partida contra o Barreirense, fracturou uma omoplata.
Quando Pedroto reentrou nas Antas para resgatar o F. C. Porto das ruas da amargura, já António Oliveira era a estrela maior da equipa. Com fama internacional. Após a conquista do Campeonato, o tal que quebrara 19 anos de jejum, recebeu, através de António Simões, proposta tentadora para ir jogar... «soccer», para Dallas: 43 mil contos. Américo de Sá e Pinto da Costa ofereceram- -lhe 10 mil contos para que renovasse contrato com o F. C. Porto, mas ele manteve-se na expectativa, até porque, por essa altura, já se sabia que João Rocha estava disposto a pagar-lhe 25 mil contos pela assinatura de um contrato de quatro anos pelo Sporting. Acabaria por ser outra a rota: em operação-relâmpago, o Bétis fez de António Oliveira o mais bem pago jogador da sua história: 36 mil contos de prémio de transferência, pagos durante três épocas, oito mil contos de luvas e um ordenado mensal de 60 mil pesetas!
 
H

hast

Guest
Oliveira foi um génio do FC Porto de Pedroto da década de 70 que já nesse tempo dava sinais de mau feitio e irreverência, características que dentro do campo o tornavam num diabo á solta.Como treinador, foi polémico e nunca reuniu consenso junto dos sócios e adeptos mas acabou por ficar ligado ao histórico Penta e aos 5-0 com que o FC Porto brindou o Benfica na Luz em jogo da Supertaça. Em 1994 acabou por ser contratado para seleccionador nacional.
 

Kelvin87

Tribuna Presidencial
7 Maio 2007
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249
Um génio, um grande jogador, um vagabundo dos relvados, um homem que ficará para sempre na história do Porto, como jogafor e treinador.
 
A

Azul 77

Guest
Rebelde como jogador, rebelde como treinador. Aquela experiência de colocar o Costa a trinco em Old Trafford, não lembra a ninguém. Mas também teve o mérito de ganhar em San Ciro por 2-3, um jogo memorável.
 

jsm

Tribuna
29 Abril 2007
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4
Um dos jogadores mais geniais que passou pelo Porto. Manuel Alegre dedicou-lhe um belissimo poema...
 

Kelvin87

Tribuna Presidencial
7 Maio 2007
21,877
249
Jsm, correu mal mas se o Edmilson e o Artur não falhassem um golo escandaloso no primeiro minuto de jogo será que a história e o \" Costa \" não mudaria?
Tenho a certeza que sim.
 
H

hast

Guest
Seis meses volvidos, em Fevereiro de 1979, António Oliveira sentiu o frio da saudade, em Sevilha, decidindo colocar ponto final na falhada experiência espanhola. Mal regressou às Antas, de coração aberto, desfiou em confidência: «A minha visão do mundo é nitidamente provinciana — foi a conclusão a que cheguei depois de ter vivido seis meses de solidão espiritual. É por isso que volto.»
Contas feitas pelo irmão Joaquim, apontaram para um prejuízo de cerca de 35 milhões de pesetas. Ou mais, porque o Vasco da Gama lhe oferecera contrato igual ao do Bétis, carro de luxo e vivenda com piscina em bairro chique do Rio de Janeiro. Outra vez disse não, porque só queria as Antas...
Por essa altura ficou a saber-se mais sobre essa então quente paixão azul-e-branca. Para libertar Oliveira, a Direcção do Bétis exigira uma indemnização de 6000 contos ao F. C. Porto, Américo de Sá lamentou ter os cofres quase vazios, António predispôs-se a pagar aos sevilhanos esse valor do seu próprio bolso. Por tão pouco habitual num jogador de futebol, o gesto sensibilizou-os de tal forma que, nesse mesmo dia, prescindiram da indemnização, exararam-lhe um louvor e, madrugada alta, entragaram-lhe, em mão própria, a carta internacional, para para que pudesse jogar já contra o Benfica, no fim-de-semana seguinte, em partida que poderia decidir o Campeonato. O F. C. Porto ganhou e voltou a ser campeão.
Na época seguinte Pedroto tudo perdeu, deu-se o Verão quente nas Antas, os jogadores solidarizaram-se com Pedroto e Pinto da Costa e Américo de Sá ficou sem... equipa. Negociações várias convenceram quase todos a voltarem às Antas, para trabalharem com o austríaco Stessl. Oliveira, não. Foi, como jogador-treinador, para Penafiel. Famosa ficaria a noite em que o seu Penafiel foi empatar às Antas, depois de Zandinga, que levara consigo como psicólogo, ter andado a esgravatar o campo, ao pé de Fonseca, que, supersticioso, não conseguiu fazer uma única defesa!
Em Fevereiro de 1981 foi contratado, por 20 mil contos, pelo Sporting. Recebeu ameaças de que lhe raptariam a filha logo que entrasse em Alvalade, não se importou e ao chegar disparou: «Este deve ser o dia mais feliz da vida de Américo de Sá.» Ao que Pinto da Costa ajuntou, mais duramente: «Oliveira manteve a sua palavra de não voltar ao F. C. Porto enquanto Américo de Sá fosse presidente. Dar este passo custou-lhe, certamente, muito, ele que tem, como todos sabem, o F. C. Porto no coração, mas, infelizmente, há quem não tenha coração e assim ponha os seus interesses acima dos interesses do clube.» E Pedroto, que em Guimarães estava, felicitou o presidente do Sporting por ter conseguido «a transferência do ano e, sobretudo, ter derrotado os boicotes fascistas».

Ironias do destino, ou talvez não: no Sporting, António Oliveira, aquele que quase unanimemente se considera o jogo da sua vida, em Setembro de 1982, contra o Dínamo de Zageb, para a Taça dos Campeões. Pouco antes, João Rocha fizera dele jogador-treinador, substituindo Allison, três golos marcou e assim ganhou a eliminatória. À entrada para o campo, soubera que lhe morrera o pai. João Rocha, emocionado, disse-lhe que não jogasse. Com as lágrimas borbulhando-lhe nas faces, Oliveira seguiu o seu caminho, jogou em memória do pai e foi o que foi...
Estavam assim lançadas as sementes do treinador que haveriam de ser, apesar de, no Sporting a ser, por questões estratégicas, muito mais do que quaisquer outras, jogador em exclusividade, com Venglos e Toshack.
Nessa altura, ainda a Olivedesportos era um mero projecto, os negócios de Oliveira estavam, então, centrados no Centro Comercial Stromp, à beirinha do Estádio de Alvalade, onde era proprietário de uma loja de artigos desportivos, de um pronto-a-vestir e de uma... charcutaria. Fechada a carreira de jogador, na época de 1985/86, tornou-se treinador em full-time, no Marítimo. Desse tempo ficaram os rumores de que, à imagem de Pedroto, queimava incenso na cabina, para afuguentar espíritos maus, e deixava velinhas acesas durante os jogos. Supersticioso, místico, toda a gente sabe que é, inesquecível hão-de ficar os momentos que se seguiram à qualificação de Portugal para Inglaterra, com António Oliveira refugiado nos balneários, rezando, enquanto António Guterres esperava por ele, nos corredores, para o felicitar...
Passaria, depois, pelo Guimarães, pela Académica, pelo Gil Vicente e pelo Braga. Em Setembro de 1994 estreou-se, como seleccionador nacional, com uma vitória sobre a Irlanda do Norte. Bons auspícios seriam. Apesar da contestação que em torno de si se gerou quando Vítor Vasques o escolheu para o cargo, mostrou à saciedade e à sociedade que não eram artificiais os seus talentos, conquistando o apuramento para o Europeu de 1996. Foi a bofetada com luva de cetim em todos aqueles que, sem sequer lhe darem o benefício da dúvida, foram vomitando, quase até à obsessão, a atoarda de que seleccionador fora apenas graças ao dinheiro da Olivedesportos. Depois, confirmou qualidades, ganhando dois títulos nacionais consecutivos — chegando ao tri e ao tetra...
in «abola»
 

Devenish

Tribuna Presidencial
11 Outubro 2006
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Porto
  • Março/19
Hoje no Record a respeito do seu record de 15 vitórias consecutivas poder ser igualado amanhã por André Villas-Boas.

RECORD – Sabia que André Villas-Boas está prestes a igualar um recorde seu absoluto seu no FC Porto?
ANTÓNIO OLIVEIRA – Não.

RECORD – Quinze vitórias consecutivas no campeonato, feito conseguido na época de 96/97, a do tri...
AO – É ótimo, é excelente. É mais um contributo para um estado de dilatação da alma de toda a nação portista, onde, obviamente, me incluo. Saber isso é algo de que me dá uma felicidade muito grande e que complementa este momento de exaltação da nação portista.

R – Não é mau correr o risco de ficar sem um recorde?
AO – De modo nenhum! Para mim é até uma enorme satisfação porque os recordes fizeram-se para ser batidos e tal reflete a grande época que o FC Porto está a fazer, num ano em que tinha a obrigação de recuperar o título.
 

jsm

Tribuna
29 Abril 2007
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4
Um maiores jogadores que passou pelo FCPORTO. Tive a felicidade de o ver jogar. Um génio.
 

mmmkk

Tribuna Presidencial
23 Fevereiro 2007
10,226
21
Porto
Descreva, quem o viu jogar, um jogo memorável de Oliveira, uma atitude em campo, uma jogada genial, um golo fantástico, por favor.
 
R

ROALMEIDA

Guest
Não conhecia este vídeo, Fred. Em 9 anos de FCPorto, os nosso amigos da rtp conseguiram fazer-nos o favor de mostrar 1 jogada e 1 golo dele. Em compensação, o destaque ao serviço do sportem é comparativamente abusivo. Serviço público e Gaby Alves no seu melhor. Normal, portanto.
 
R

ROALMEIDA

Guest
A loja dos queijos resolveu-lhe bem a vida.

Como curiosidade, tem cerca de 1.650.000 acções do FCPorto.

O \"Enfant-terrible\" formou-se em Direito há pouco tempo, certo?

Foi Capitão do Porto durante alguns anos.

Duas vezes Campeão Nacional como jogador. Melhor marcador da equipa a seguir ao Gomes nesses dois títulos.

1 Taça de Portugal ganha nas Antas frente ao Braga, golo de Gomes.

Um \"ícone\" da nossa história.

Mais tarde, mais do mesmo enquanto nosso Treinador.

Talvez um dia nosso Presidente...

Jogador Campeão/Treinador Campeão/ ...


PS: Pacheco???
 
R

ROALMEIDA

Guest
> Frederico Comentou:

> Sim meu amigo licenciou-de em direito na catolica.

O Pacheco referia-me ao Jaime.

Não sabia que os queijos transmitiam desporto... :)
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Mais negativa foi a saída do Sousa... era um médio goleador... resolvia jogos atrás de jogos... e apesar de ser verdinho, sempre demonstrou mais respeito por nós do que o Pacheco... Sousa, várias vezes presente em jantares nas Casas do Porto nesta zona entre Aveiro e Porto...
 
H

hast

Guest
O António Oliveira faz parte, por direito próprio, do lote dos melhores jogadores portugueses de todos os tempos. Em dia de acerto era um espectáculo dentro de outro.

Teve o azar de não vestir, nem gostar, da camisola do regime.
 

Kelvin87

Tribuna Presidencial
7 Maio 2007
21,877
249
O pacheco é travesti, o Souza grande jogador, ainda me lembro aquele golão de livre ao buyo, pena não ter dado.