Mais Cubillas:
Não deixa de ser curioso recordar o primeiro jogo que Cubillas fez de azul e branco vestido. Foi em 27 de Janeiro de 1974, no Estádio das Antas, com o FC Porto a defrontar e a perder (2-3) com a Portuuesa de S. Paulo. Recordemos a ficha desse encontro, arbitrado graciosamente pelo portuense Melo Acúrsio:
FC Porto Tibi; Rodolfo, Ronaldo, Rolando e Guedes; Marco Aurélio, Bené e Ricardo; Oliveira, Abel (Julio aos 63) e Cubillas.
Portuguesa Zecão; Cardoso, Darcio, Caligari e Isidoro; Xaxá, Dicá e Basílio; Eneias, Cabindo (Tatá aos 72) e António Carlos.
Intervalo: 0-1. Marcadores: Eneias (23 e 57) Ricardo (47), Cubillas (55) e Caligari (88).
A estreia da vedeta peruana verificou-se num dia de chuva. Mesmo assim, cerca de 23 000 espectadores estiveram nas Antas, deixando nos cofres portistas cerca de 1200 contos (6000).
Terminado o jogo, Otto Glória (então técnico da Portuguesa) diria sobre Cubillas: Tal como tinha dito antes, é mesmo aquele craque de que falei. Vai ser uma estrela de primeira grandeza em Portugal, como já era na América do Sul.
Jorge Vieira foi o responsável
Quis ver tudo antes de assinar
A vinda de Cubillas para o FC Porto provocou reacções a todos os níveis. Umas desfavoráveis outras não, como é evidente. Contra tudo e contra todos, lutou o então dirigente da secção de futebol do FC Porto, Jorge Vieira, que, com o seu habitual dinamismo, conseguiu vencer todos os obstáculos.
Foi uma luta difícil, só possível de vencer graças à colaboração da massa associativa, que uma vez mais demonstrou o seu amor pelo clube. A transferência orçou em 5.600 contos (28.000 ), quatro mil dos quais (20.000) foram oferta dos associados e do jogo de apresentação.
E Jorge Vieira continuou a sua narrativa:
As negociações para a vinda de Cubillas foram difíceis, pois tratava-se de uma transacção muito dispendiosa. Se ele se tivesse adaptado ao futebol suíço teria sido bem mais difícil
A não ser o Sporting, praticamente não tivemos concorrência. Mas não foi fácil convencer o Cubillas a dar o sim. Ele estava tão mal impressionado com o que lhe acontecera na Suíça, que não queria arriscar uma mudança para igual. Quis ver in loco antes de decidir. E só depois de apreciar as estruturas do FC Porto e do próprio futebol português é que resolveu vir para Portugal.
Nas palavras de Jorge Vieira está bem retratada a personalidade de Teófilo Cubillas, profissional dos pés à cabeça e que sabe muito bem as linhas com que se cose
Revista Ídolos 26/12/1976
Fonte: http://longara.blogspot.com/2011/07/cubillas-um-nome-referencial-do-f-c.html